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Situação Atual da Seca no Semiárido e Impactos – Maio de 2017

Avaliação das condições de seca de acordo com o índice Integrado de Seca  (IIS) 

A avaliação do IIS para o mês de maio indica condições de Seca Extrema e de Seca Severa em 104 municípios, inseridos em sua maior parte nos Estados da Paraíba, Pernambuco e norte da Bahia. Em relação ao mês anterior (abril), houve uma redução de 50% no número de municípios em condição de secas extrema e severa. Aqueles que ainda permanecem nessas condições coincidem com áreas onde a situação crítica já perdura por mais de doze meses.

  • AL
  • SE 
  • MA
  • CE
  • RN 
  • PE
  • PB
  • BA 
  • MG
  • PI
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O índice Integrado de Seca (IIS) é uma combinação (média geométrica) das informações provenientes do índice de Suprimento de Água para a Vegetação (VSWI), o qual é calculado a partir de dados de sensoriamento remoto, e do Percentil de precipitação, que é calculado a partir de dados observacionais de chuva. O índice VSWI é derivado de dados de NDVI e temperatura do dossel, oriundos do sensor MODIS a bordo dos satélites AQUA e TERRA – resolução de 1 km.  O índice indica condição de seca quando o valor do NDVI (índice de vegetação) é baixo (o que indica baixa atividade fotossintética) e a temperatura da vegetação é alta (indicando estresse hídrico). Por sua vez, o percentil é usado como forma de classificar o status de cada município, segundo o montante de precipitação recebido. São consideradas as seguintes classificações: Seca extrema (precipitação abaixo do percentil 5); Seca severa (precipitação entre os percentis 5 e 15); Seca moderada (precipitação entre os percentis 15 e 35); Seca fraca (precipitação entre os percentis 35 e 50) .

 Duração da Seca

A seca, recorrente em grande parte do Semiárido do Brasil, já perdura por mais de nove meses, principalmente no norte do Estado da Bahia, em Sergipe, Alagoas e Pernambuco. No entanto, ressalta-se que em parte dessas regiões a estação chuvosa ainda está em curso (zona da Mata), como pode ser observado no mapa de quadras chuvosas. (Link figura).

Em alguns pontos isolados no norte do Estado de Minas Gerais, Piauí e Pernambuco, a seca vigente já dura por mais de vinte e cinco meses (áreas em vermelho).

A definição do evento de seca utilizada estabelece o início da seca quando o índice de saúde da vegetação (VHI) indica valores inferiores a 40 (Kogan, 2002) por pelo menos dois meses consecutivos.  O término do evento de seca ocorre quando o VHI retorna a valores superiores a 45. O evento de seca é determinado, dessa forma, a partir dos seus meses de início e de término; logo, a duração de um evento de seca é determinada pelo número de meses entre o mês de início e o de término.

Índice VSWI: Porcentagem do município impactado pela seca (áreas de pastagens e agrícolas) no mês de maio de 2017 

Em relação ao mês anterior (abril), os impactos da seca em áreas de atividades agrícolas e/ou pastagens reduziram, principalmente nos Estados da Paraíba, Pernambuco, Sergipe e Alagoas. Porém, apresentou aumento no sul do Estado da Bahia e norte de Minas Gerais. De acordo com o índice VSWI, 301 municípios apresentaram pelo menos 50% de suas áreas impactadas no mês de abril de 2017. As áreas impactadas pela seca somam cerca de 11 milhões de hectares (Tabela 1).

Considerando apenas as regiões em que o calendário de plantio teve inicio entre os meses de fevereiro a abril, e, portanto, o ciclo fenológico da cultura agrícola pode ainda estar em curso, as áreas de possível impacto na produção agrícola se concentram principalmente na porção leste da região semiárida.

Tabela 1. Avaliação da Extensão dos Impactos da seca nas regiões com calendário de plantio vigente.

UF Número de Municípios com mais de 50% de área impactada Área Impactada (ha) Número de Estabelecimentos de Agricultura Familiar Impactados
BA 75 3.980.623,56 163.169
CE 15 695.046,63 22.479
PI
PB 52 1.180.211,85 36.147
AL 34 662.825,96 51.199
RN 37 740.102,46 16.477
MA
SE 16 463.213,96 22.649
ES
PE 72 3.272.842,74 131.228
MG
TOTAL 301 10.994.867,17 443.348

Influencias climáticas na escala sub-sazonal a sazonal

Na escala sazonal, o cenário climático atual é de neutralidade em relação aos fenômenos El Niño ou La Niña (ENOS). No entanto, alguns dos principais centros mundiais de previsão ENOS se antecipam ao indicar que há chances significativas de um episódio de El Niño para o próximo verão austral (DJF2017-2018). A próxima estação chuvosa (JJA), que corresponde à Zona da Mata, deve ser influenciada pela condição do Oceano Atlântico Tropical Sul, que nos últimos meses tem mantido temperaturas próximas à média e sem tendência significativa de aquecimento ou resfriamento. A previsão climática sazonal de chuva (MCTIC) para JJA/2017 indica que é mais provável (40% de chance) que o total acumulado do trimestre seja abaixo da média histórica, embora seja provável a ocorrência de curtos períodos de chuvas intensas intercalados com períodos mais secos. De fato, a previsão de chuva em escala de médio prazo (próximas 2 semanas) na Zona da Mata indica a possibilidade de chuvas intensas na segunda semana, nos estados de Alagoas e Pernambuco. Dado que o cenário futuro não é favorável à ocorrência de precipitações abundantes, aumenta-se o risco de perda de safras, principalmente nas áreas indicadas pelo IIS.

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