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MONITORAMENTO DE SECAS E IMPACTOS NO BRASIL – FEVEREIRO/2020

SUMÁRIO

SUMÁRIO

De acordo com o Índice Integrado de seca (IIS) para o mês de fevereiro, verifica-se a intensificação das condições de seca, principalmente na região Sul. Em termos da duração de seca, contabilizada pelo Índice Padronizado de Precipitação (SPI), nota-se duração superior a 3 e 6 meses consecutivos, em áreas da região Centro-Oeste, Norte e Sul.

Com relação aos impactos da seca nos recursos hídricos, destacam-se os reservatórios do Sistema Cantareira, operando, em 29 de fevereiro de 2020, com aproximadamente 60,6% da sua reserva hídrica; das UHEs de Serra da Mesa e de Três Marias, apresentando aproximadamente 17,8% e 89% do seu volume útil armazenado, respectivamente

De acordo com a avaliação dos impactos da seca em áreas de atividades agrícolas e/ou pastagens em estabelecimentos rurais, por meio do índice VSWI, os estados da Paraíba e Pernambuco são os que apresentaram os maiores números de propriedades e municípios com mais de 75% de área impactada.

O mapa de risco de seca para a agricultura familiar é elaborado mensalmente a partir das variáveis físicas de ameaça de seca, tais como o déficit de precipitação, umidade do solo e índice de vigor vegetativo, combinadas com informações sobre as vulnerabilidade e capacidades locais da agricultura familiar (http://www.cemaden.gov.br/risco-de-seca-na-agricultura-familiar-fevereiro2020). O mapa referente ao mês de fevereiro mostra municípios classificados com risco baixo e moderado, para os municípios com calendário agrícola DJFM e JFMA.

Recomenda-se um estado de atenção para o Brasil central (estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul), onde está se iniciando o período climatológico de chuvas, que deve durar até setembro-outubro de 2020, e onde o IIS indica um padrão de seca fraca a moderada. Há indicações consistentes que a estação chuvosa dos estados do norte do semiárido (fevereiro a maio) seja com condições que variam de normal a acima da média.

 ÍNDICE INTEGRADO DE SECA (IIS) – BRASIL

Índice Integrado de Seca (IIS) e duração de eventos de seca com duração superior à a) 3  e b) 6 meses para o Brasil referente ao mês de Fevereiro de 2020.

Saiba mais sobre o Índice Integrado de Seca (IIS)

Saiba mais sobre o Índice Integrado de Seca (IIS)

O Índice Integrado de Seca (IIS) consiste na combinação do Índice de Precipitação Padronizada (SPI) com o Índice de Suprimento de Água para a Vegetação (VSWI) ou com o Índice de Saúde da Vegetação (VHI), ambos estimados por sensoriamento remoto. Para integrar o IIS, o SPI é calculado a partir de dados observacionais de precipitação disponíveis no CEMADEN, no Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e Centros Estaduais de Meteorologia. O cálculo do SPI é baseado na formulação proposta por Mckee et al. (1993), considerando as escalas de 3, 6 e 12 meses, obtendo-se o produto final na resolução espacial de 5km. O IIS possui as seguintes classes: condição normal (6), seca fraca (5), seca moderada (4), seca severa (3), seca extrema (2) e seca excepcional (1).

MONITORAMENTO DOS IMPACTOS DA SECA: RECURSOS HÍDRICOS

Os reservatórios do Sistema Cantareira operaram, no dia 29 de fevereiro de 2020, com aproximadamente 60,6% da sua reserva hídrica. No mês de fevereiro de 2020, a vazão média afluente a estes reservatórios foi 74 m³/s, o que representa 114% da média histórica para este mês. Os cenários de vazão simulados sugerem que, considerando precipitações em torno da média climatológica, as vazões se manterão próximas da média histórica no trimestre MAM (Para mais detalhes, consulte o relatório na íntegra: https://www.cemaden.gov.br/situacao-atual-e-projecao-hidrologica-para-o-sistema-cantareira-03032020/). 

O reservatório da UHE de Três Marias operou, em 29 de fevereiro de 2020, com 89% de seu volume útil armazenado. No mês de fevereiro de 2020, a precipitação excedeu a média climatológica em 71% e a vazão média afluente a este reservatório foi 1690 m³/s, o que representa 35% acima da média histórica para este mês. Os cenários simulados para este reservatório apontam que considerando precipitações em torno da média climatológica, as vazões, no trimestre MAM, podem chegar a 51% acima da média histórica do período (Para mais detalhes, consulte o relatório na íntegra: https://www.cemaden.gov.br/situacao-atual-e-projecao-hidrologica-para-reservatorio-tres-marias-03032020/). 

O reservatório da UHE de Serra da Mesa apresentou, no dia 29 de fevereiro de 2020, aproximadamente 17,8% do seu volume útil armazenado. No mês de fevereiro de 2020, a vazão média afluente a este reservatório foi 1.338 m³/s, o que representa 101% da média histórica para este mês. Os cenários simulados para este reservatório no próximo trimestre MAM, considerando precipitações em torno da média climatológica, sugerem que as vazões se mantenham próximo da média histórica desse período. (Para mais detalhes, consulte o relatório na íntegra: https://www.cemaden.gov.br/situacao-atual-e-projecao-hidrologica-para-o-reservatorio-de-serra-da-mesa-bacia-do-rio-tocantins-03032020/) 

MONITORAMENTO DOS IMPACTOS DA SECA: VEGETAÇÃO E AGRICULTURA

  • Estimativa das Áreas Agroprodutivas com Condição de Estresse Hídrico

Mapa de Índice da Saúde da Vegetação (VHI) no Brasil para fevereiro e gráfico das áreas impactadas pela seca (áreas com VHI < 30).

Saiba mais sobre o Índice de Saúde da Vegetação (VHI)

Saiba mais sobre o Índice de Saúde da Vegetação (VHI)

O Índice de Saúde da Vegetação (VHI) da NOAA/NESDIS é calculado a partir de dados do Índice de Vegetação da Diferença Normalizada (NDVI, sigla em inglês) e temperatura de brilho, devidamente calibrados e filtrados, resultando da composição de dois sub-índices, o VCI (Vegetation Condition Index) e o TCI (Temperature Condition Index). O NDVI e a temperatura de brilho apresentam dois sinais ambientais distintos, o de resposta lenta do estado da vegetação (clima, solo, tipo de vegetação) e o de resposta mais rápida relacionado com a alteração das condições atmosféricas (precipitação, temperatura, vento, umidade). Este índice permite identificar o início/fim, área afetada, intensidade e duração da seca e sua relação com os eventuais impactos.

Índice Integrado de Seca referente ao mês de Fevereiro de 2020.
A avaliação do IIS para o mês de fevereiro em relação ao mês anterior (janeiro):

  • Seca Fraca:redução de 272 para 204 municípios.
  • Seca Moderada: redução de 368 para 215 municípios.
  • Seca Severa: redução de 45 para 12 municípios.
  • Seca Extrema: redução de 13 para 4 municípios.
  • Seca Excepcional: manteve 0 município.
  • AL
  • SE 
  • MA
  • CE
  • RN 
  • PE
  • PB
  • BA 
  • ES
  • MG
  • PI
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  • Estimativa das Áreas Agroprodutivas Afetadas por Município

Municípios com pelo menos 50% de área impactada pela seca (considerando apenas as áreas de pastagens e agrícolas) de acordo com o VSWI, referente ao mês de fevereiro de 2020.

Saiba mais sobre o Índice de Suprimento de Água para a Vegetação (VSWI)

Saiba mais sobre o Índice de Suprimento de Água para a Vegetação (VSWI)

O VSWI é calculado a partir do Índice de Vegetação da Diferença Normalizada (NDVI, sigla em inglês) e da temperatura da superfície, ambos do sensor MODIS a bordo dos satélites Terra e Aqua, disponibilizadas pelo Earth Observing System (EOS/NASA), com resolução espacial de 250m e 1km. O VSWI indica condição de seca quando o valor do NDVI é baixo (baixa atividade fotossintética) e a temperatura da vegetação é alta (estresse hídrico). Portanto, o índice é inversamente proporcional ao conteúdo de umidade do solo e fornece uma indicação indireta do suprimento de água para a vegetação.

  • Levantamento de propriedades rurais localizadas nos municípios com mais de 75% de área em condição de seca

Distribuição dos tipos de propriedades rurais possivelmente impactadas pela seca por estado, dos municípios com mais de 75% de área em condição de seca.

  • Água disponível no solo – Média por microrregiões em Fevereiro de 2020

    Água disponível do solo referente ao mês de fevereiro de 2020.

  • Risco de Seca na Agricultura Familiar

O mapa de risco de seca para a agricultura familiar é elaborado mensalmente a partir das variáveis físicas de ameaça de seca, tais como o déficit de precipitação, umidade do solo e índice de vigor vegetativo, combinadas com informações sobre as vulnerabilidade e capacidades locais da agricultura familiar. O mapa referente ao mês de Fevereiro mostra municípios classificados com risco baixo e moderado, para os municípios com calendário agrícola DJFM e JFMA. Dentre os municípios que fecharam o calendário agrícola em Fevereiro (NDJF), o município de Salinas (MG) relatou perdas na agricultura, principalmente no milho, além de diminuição no nível dos reservatórios e elevação do preço dos alimentos (Boletim de impactos em áreas estratégicas para o Brasil – 10/03/2020).

Para mais detalhes, consulte o relatório na íntegra: http://www.cemaden.gov.br/risco-de-seca-na-agricultura-familiar-fevereiro2020/.

PREVISÃO SAZONAL E SUB-SAZONAL PARA O BRASIL

Na escala climática sazonal, o país não está sob a influência de El Niño nem La Niña. A maior parte dos modelos dinâmicos e estatísticos preveem a manutenção deste estado de neutralidade durante o inverno de 2020. As previsões sazonais multimodelo de chuva do International Research Institute (IRI) e do CPTEC/INMET/FUNCEME (ambas produzidas em fevereiro/2020 e válidas para o trimestre Março-Abril-Maio de 2020), apresentam previsões contraditórias nos estados da região Sul. As primeiras (IRI) indicam chuvas abaixo da média, enquanto as previsões nacionais indicam chuvas acima da média. Portanto, nesta região, há incerteza em relação a esta edição da previsão sazonal. No Norte do semiárido, ambas concordam em indicar um quadro de chuvas acima da média no trimestre previsto, que coincide com o período chuvoso da região. Recomenda-se um estado de atenção para o Brasil central (estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul), onde está se iniciando o período climatológico de chuvas, que deve durar até setembro-outubro de 2020, e onde o IIS indica um padrão de seca fraca a moderada. As previsões da escala subsazonal indicam um aumento das chances de chuva no Brasil central e estado de MG e Bahia no final de março, e diminuição no início de abril. Também está previsto uma diminuição nas precipitações na região Sul e condições favoráveis para as chuvas no extremo norte do semiárido.

 

REGISTRO DE IMPACTOS: Gostaria de contribuir registrando ocorrência de eventos de secas no seu município?  Sua informação é bem-vinda,  mesmo  ocorrências  de pequenos impactos são de extrema importância. Você pode enviar suas informações pelo link: REGISTRO DE IMPACTOS DE SECAS .

Para mais informações fale conosco: secas@cemaden.gov.br

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