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Impacto da seca continua afetando cerca de 100 municípios do semiárido

A maior parte da região nordeste do semiárido registrou, no mês de outubro,  acumulados de chuva inferiores a 60 mm, apresentando um quadro de grave déficit hídrico, com impactos nas atividades agrícolas e pastoris. As áreas impactadas pela seca nessa área atingem 4 milhões de hectares. Entre os meses de novembro a janeiro do próximo ano, há indicativos das chuvas tornarem-se mais frequentes em algumas regiões do semiárido brasileiro, em função do início do período chuvoso.

 

O último Relatório da Seca e Impactos no Semiárido, divulgado pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais – do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações – aponta que os municípios caracterizados por condições de “Muito Seco” estão localizados, principalmente, ao norte das regiões da Zona da Mata e do Agreste. No mês de outubro, os acumulados pluviométricos foram inferiores a 60 mm na maior parte dos municípios localizados na região Nordeste do país. Por outro lado, na região sudeste da Bahia, os acumulados registrados foram superiores a 120 mm

No Relatório do Cemaden, a avaliação do risco agroclimático (balanço hídrico) para o ano hidrológico 2015/2016 (01/10 a 31/10) indicou que cerca de 100 municípios foram classificados como de “risco alto” e “muito alto” (entre 60 a 75 dias e mais que 75 dias com déficit hídrico, respectivamente).

De acordo com o Índice de Vulnerabilidade aos Impactos da Seca (VSWI), 63 municípios apresentaram pelo menos 50% de suas áreas impactadas no mês de outubro de 2016.

 “Considerando as poucas regiões onde o calendário de plantio se inicia no mês de outubro – e, portanto, o ciclo dos cultivos estar em desenvolvimento –  as áreas impactadas pela seca somam cerca de 4 milhões de hectares.”, afirma a coordenadora de Relações Institucionais do Cemaden, Regina Alvalá.   Esses municípios estão inseridos nos Estados da Bahia, Maranhão, Espírito Santo e  Minas Gerais.

Com base nos dados de precipitação histórica (1999 a 2015) e no acumulado de chuva dos últimos 90 dias (entre 6 de agosto a 3 de novembro), o relatório destaca uma pequena diminuição das áreas classificadas como “Muito Seco”, comparado à situação de setembro.   “Estas áreas estendem-se pela Zona da Mata e chegam a atingir o Agreste, ambas concentradas mais ao norte”,  explica a coordenadora Regina Alvalá e complementa: “ Os municípios inseridos nas áreas centrais do Maranhão, Piauí, Ceará, norte do Espírito Santo e leste da Bahia apresentaram a condição ‘Seco’.”

O cenário climático atual é de neutralidade em relação a episódios de El Niño ou La Niña. O trimestre Novembro de 2016 a Janeiro de 2017 pode marcar a transição para um episódio de La Niña, provavelmente com fraca intensidade e curta duração.

A evolução climatológica (histórica) das precipitações no trimestre Novembro de 2016 a Janeiro de 2017 indica que as chuvas devem se tornar mais frequentes no centro-sul e oeste da Bahia, norte de Minas Gerais e Espírito Santo e nos Estados do Maranhão e Piauí.

“A atenção quanto aos impactos da seca deve ser focada nos municípios localizados no nordeste do semiárido. Nessa área, que já apresenta quadro de grave déficit hídrico, não há condições climatológicas de precipitação”,  afirma o coordenador-geral de Operações e Modelagens do Cemaden, meteorologista Marcelo Seluchi.

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