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Situação Atual e Projeção Hidrológica para o Sistema Cantareira 01/06/2020

Esta edição do boletim do Sistema Cantareira traz a situação hidrometeorológica para o mês de maio de 2020 e projeções com horizonte até o final da estação seca em vigência, isto é, setembro de 2020. A situação de armazenamento dos reservatórios do Sistema Cantareira (58,4%), em 31 de maio de 2020, é semelhante à situação do ano passado (57,7%). Com a situação atual de armazenamento, os reservatórios do Sistema Cantareira passam para a faixa de operação “atenção” (armazenamento entre 60% e 40%)[1], cuja máxima vazão de extração para o atendimento da demanda hídrica da região metropolitana de São Paulo é 31 m³/s. Em maio de 2020, esta vazão de extração foi 23 m³/s. Ainda em maio, choveu apenas 12 mm, valor muito abaixo da climatologia (15% da média) do mês, enquanto que a vazão afluente aos reservatórios foi 36% da média histórica. Com relação às projeções, em um cenário hipotético de chuvas na média climatológica para os próximos meses, o modelo hidrológico projeta que a vazão afluente poderá ser em torno de 70% da média histórica do período e o armazenamento no sistema, no final de setembro de 2020, poderá ser em torno de 47%, enquadrando-se na faixa “atenção” de operação do reservatório (armazenamento entre 40% e 60%).

[1] De acordo com a Resolução conjunta ANA/DAEE Nº 925.

Situação atual do Sistema Cantareira

A precipitação média espacial, acumulada durante o período seco, de 01 de abril a 31 de maio de 2020, baseado nas redes pluviométricas cobrindo as sub-bacias de captação do Sistema Cantareira (7 pluviômetros do DAEE/ SAISP [2] e 16 pluviômetros em operação do CEMADEN), foi 18 mm (14 [2]mm), o que representa 5% (4%[2]) da média climatológica do período seco, representado pelos meses entre abril e setembro (383 mm). Para o mês maio de 2020, a precipitação média espacial foi 12 mm (12[2] mm), o que representa 15% (15%[2]) da climatologia para este mês (79 mm) (Figura 1).

[2] DAEE / SAISP: Departamento de Águas e Energia do Estado de São Paulo / Sistema de Alerta a Inundações de São Paulo.

Figura 1. Precipitação mensal na bacia do Sistema Cantareira (em mm) de acordo com os dados do CEMADEN. Ano hidrológico: outubro – setembro.

A vazão média afluente ao Sistema Cantareira (Sistema Equivalente + Paiva Castro) de 01 de abril a 31 de maio de 2020, de acordo com dados da SABESP[3] e da ANA[4] foi 15,9 m3/s, 52% da média de vazão para a estação seca (31 m3/s). Para o mesmo período, a média de vazão de extração total dos reservatórios foi 30,5 m³/s e a média de vazão de interligação com o Sistema Paraíba do Sul foi de 3,6 m³/s.

[3] SABESP: Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo/Situação dos Mananciais.

[4] ANA: Agência Nacional de Águas.

Para o mês de maio de 2020, a média de vazão afluente foi 12,8 m3/s, o que representa 36% da vazão média mensal histórica (35,3 m3/s). Para o mesmo período, a média de extração de água do Sistema Cantareira para o sistema elevatório Santa Inês (Qesi), que abastece a região metropolitana de São Paulo, foi 23,5 m3/s, e a vazão de jusante (Qjus) que contribui com a bacia dos rios Piracicaba, Capivari, Jundiaí (bacia PCJ) foi 8,6 m³/s. Juntas, estas duas vazões representam a extração total do sistema Cantareira, que foi 32,1 m³/s. No mês de maio, a média de vazão de transferência de água proveniente da interligação com o Sistema Paraíba do Sul para o reservatório Atibainha foi 7,2 m³/s.

Previsão de chuva

Nos próximos 3-10 a passagem de sistemas frontais irão provocar algumas precipitações, relativamente escassas, em função da época do ano, na bacia do Sistema Cantareira, conforme se mostra na Figura 2. As previsões (tendência) de chuva para a segunda semana, apresentadas na Figura 3, apontam a possibilidade de ocorrência de precipitações relativamente escassas e irregulares em decorrência da atuação de uma nova frente fria.

Figura 2. Previsão de precipitação acumulada em milímetros (mm) nos próximos 3 (esquerda) e 10 (direita) dias para a bacia de captação do Sistema Cantareira, segundo a previsão do modelo numérico GFS/NOAA. A área da bacia de captação do Sistema Cantareira é indicada no centro da figura com linha preta espessa.
Figura 3. Previsão de precipitação em milímetros (mm) acumulados (esquerda) e sua respectiva anomalia em relação aos valores climatológicos (direita) para a segunda semana de acordo com o modelo numérico americano GFS/NCEP/NOAA.

Cenários de vazão afluente

A figura 4 apresenta, além das vazões médias mensais observadas, as projeções de vazão média mensal afluente (em m³/s), usando a média dos membros de previsão de vazão para o período 02 a 11 de junho de 2020, e cenários de precipitação para o período de 12 de junho a 30 de setembro de 2020. Foram considerados quatro diferentes cenários de precipitação: média climatológica, 25% acima da média climatológica, 25% e 50% abaixo da média climatológica. As simulações indicam que, considerando um cenário hipotético de chuva na média climatológica, a vazão média no período de junho a setembro de 2020 poderá ser em média 18 m3/s, o que representa 70% da média histórica desse período (26 m3/s). 

Figura 4. Histórico e simulação de vazão média mensal (em m³/s) afluente ao Sistema Cantareira (linhas tracejadas) considerando a previsão e quatro cenários de precipitação: 50% abaixo da média climatológica (verde); 25% abaixo da média climatológica (azul claro); na média climatológica (cinza) e 25% acima da média climatológica (azul escuro). As linhas espessas representam as vazões médias mensais observadas, de acordo com a SABESP: média histórica (preto); mínimos mensais (marrom); de outubro de 2018 a setembro de 2019 (magenta); e de outubro de 2019 a maio de 2020 (roxo).

Cenários de armazenamento

A figura 5 apresenta os cenários da evolução do volume útil armazenado nos reservatórios do Sistema Cantareira utilizando: previsão e cenários de vazões; vazão de extração para a estação elevatória Santa Inês (Q esi) de acordo com as regras condicionais estabelecidas pela resolução conjunta ANA/DAEE Nº 925; vazão defluente (Q jusante) para as bacias do PCJ (rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí) igual à média praticada nos anos 2014 a 2016, para as estações seca e chuvosa; e aporte de interligação com a bacia do Rio Paraíba do Sul, cuja vazão média é 5,5 m³/s (de acordo com a Nota Técnica MAR 011/2020, emitida pela Sabesp). Em todos os cenários considerados, o volume armazenado no Sistema Cantareira finalizará a estação seca na faixa atenção (40 a 60%).

Figura 5. Cenários de armazenamento do Sistema Cantareira para cinco diferentes cenários de precipitação: 50% (linha verde) e 25% (linha azul claro) abaixo da média climatológica, na média climatológica (linha cinza) e 25% acima da média climatológica (linha azul escuro). Nesta simulação considera-se a vazão média de aporte da interligação com a bacia do Rio Paraíba do Sul com média de 5,5 m³/s. A linha magenta mostra a evolução do armazenamento observado do Sistema Cantareira no período de outubro/2018 a setembro/2019. As faixas coloridas referem-se às faixas de operação do reservatório de acordo com a resolução conjunta da ANA/DAEE Nº 925.

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