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Sistema de Monitoramento de Seca para o Brasil – Junho/2019

1) Índice Integrado de Seca – IIS

Figura 1 – Índice Integrado de Seca (IIS) e duração de eventos de seca para o Brasil referente ao mês de junho de 2019.

 

O Índice Integrado de Secas (IIS) para o mês de junho aponta que as condições de seca se intensificaram principalmente nas regiões Centro-Oeste, Nordeste e parte do Sudeste.  No Centro-Oeste, principalmente nos estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, são observadas áreas com condições de secas moderada à extrema, sendo a maior concentração delas, no Estado do Mato Grosso, com 75.120km² de área agroprodutiva afetada pela seca. No Sudeste, as regiões noroeste do estado de São Paulo e norte de Minas Gerais, são aquelas com condições mais intensas de seca (moderada à severa). Na região Nordeste, a região semiárida do estado da Bahia é a mais afetada.

No Boletim da Safra de Grãos produzido pela Companhia Nacional de Abastecimento (https://www.conab.gov.br/info-agro/safras/graos) referente ao mês de junho, foi confirmada a redução da produtividade de soja no Mato Grosso do Sul em 17,1%, em relação à safra anterior, devido ao estresse hídrico e altas temperaturas ocorridos no final de 2018 e início de 2019. Em Tocantins, lavouras de soja em todas as fases de desenvolvimento também foram afetadas pela seca neste período, sobretudo na região do município de Peixe, prejudicando muitos produtores do estado. De acordo com o INPE (http://www.inpe.br/queimadas/), em junho, houve um aumento significativo no número de focos de incêndios registrados em relação a maio, em diversos estados, como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins, Piauí, Rondônia, São Paulo e Minas Gerais. Mato Grosso continuou sendo o estado com a maior ocorrência de queimadas no país, com 2.151 focos detectados no mês de junho.

2) Impactos na Vegetação: Áreas com condição de estresse hídrico

A avaliação de impactos do déficit hídrico na vegetação é realizada por meio do Índice de Suprimento de Água para a vegetação (ISACV) ou do Índice de Condição da Vegetação (VHI). A condição de estresse hídrico acontece quando a água armazenada no solo é insuficiente para sustentar o crescimento vegetal. As regiões Centro-Oeste e Nordeste são as que apresentaram as maiores áreas de vegetação em condição de estresse hídrico, totalizando 203.392 km² (13% do CO) na região Centro-Oeste e 194.800 km² (13% do NE) na região Nordeste.

A condição de seca vegetativa prolongada (por vários meses, por exemplo) pode causar impactos nas reservas hídricas superficiais e até subterrâneas, podendo ocasionar escassez hídrica. Este fenômeno refere-se às incompatibilidades da oferta hídrica (armazenamento de água) em atender todas as demandas hídricas (abastecimento público, usos industriais, irrigação, entre outros).

Figura 2 – Vegetação impactada no mês de junho, de acordo com o índice VHI menor que 30 (Condições de seca moderada a excepcional).

3) Impactos Hidrológicos 

A figura 3 apresenta o Índice Integrado de Seca (IIS) para as regiões Sudeste e Centro-Oeste do país. É possível observar pequenas áreas em condição de seca fraca nas bacias afluentes ao reservatório da UHE de Serra da Mesa (sub-bacia do rio Tocantins), localizado no Centro Oeste do país e nas bacias afluentes ao reservatório da UHE de Três Marias (sub-bacia do rio São Francisco), no sudeste do país. Apesar de grande área de drenagem apresentar condição normal, do ponto de vista da seca agrícola, estes reservatórios vêm enfrentando chuvas abaixo da climatologia há alguns anos, o que tem causado impactos em suas reservas hídricas. No sistema Cantareira, também no Sudeste do país, nota-se uma condição de normalidade em toda sua bacia de drenagem, entretanto, assim como outros reservatórios dessa região, vem enfrentando chuvas abaixo da climatologia há alguns anos.

Figura 3 – Índice Integrado de Seca (IIS) para região Sudeste/Centro Oeste do Brasil em junho de 2019. Destaque para as bacias de drenagem das Usinas hidrelétricas de Serra da Mesa (polígono azul), Três Marias (polígono magenta) e para as bacias do Sistema Cantareira (polígono verde). A localização dos reservatórios é representada pelo símbolo do triângulo.

 

Os reservatórios do Sistema Cantareira, responsáveis pelo abastecimento de cerca de 7,4 milhões de pessoas na região metropolitana de São Paulo, apresentou, no dia 30 de junho de 2019, aproximadamente 55,4% da sua reserva hídrica, o que configura uma situação de atenção (entre 40 e 60% de armazenamento), de acordo com a Resolução Conjunta ANA/DAEE Nº 925. Na figura 4 apresentam-se as vazões médias mensais observadas nos últimos meses e, na sequência, cenários de vazão, em função de cenários de precipitação, para os próximos meses. No mês de junho de 2019, a vazão média afluente a estes reservatórios foi de 18 m³/s, o que representa 52% da média histórica para este mês (35,4 m³/s). Os cenários de vazão simulados sugerem que, mesmo considerando precipitações em torno da média climatológica, as vazões se manterão em torno de 50% abaixo da média histórica nos próximos meses.

 

Figura 4 – Projeções de vazão média mensal (em m³/s) afluente ao Sistema Cantareira (linhas tracejadas), para os cenários de precipitação: 50% abaixo da média climatológica (verde); 25% abaixo da média climatológica (azul claro); na média climatológica (cinza); 25% acima da média climatológica (azul escuro); e crítica, representada pela série de precipitação ocorrida entre julho a setembro de 2011 (laranja). As linhas espessas representam as vazões médias mensais observadas, de acordo com a SABESP: históricas (preto); mínimas (marrom); de outubro de 2017 a setembro de 2018 (magenta); e de outubro de 2018 a junho de 2019 (roxo).

 

O reservatório da UHE de Três Marias, localizado na porção alta da bacia do Rio São Francisco, na região Sudeste, operou em 30 de junho de 2019, com 79,5% de seu volume útil armazenado. Este reservatório tem apresentado importância para esta bacia, contribuindo para a manutenção das vazões e das reservas hídricas nos trechos a sua jusante, principalmente para o reservatório de Sobradinho. Na figura 5 apresentam-se as vazões médias mensais observadas nos últimos meses e, na sequência, projeções de vazão, em função de cenários de precipitação, para os próximos meses. No mês de junho de 2019, a vazão média afluente a este reservatório foi de 212 m³/s, o que representa 67% da média histórica para este mês (318 m³/s). Os cenários simulados para este reservatório sugerem que considerando precipitações em torno da média climatológica, as vazões, nos próximos meses, se manterão abaixo da média histórica.

 

Figura 5 – Projeções de vazão média mensal (em m³/s) para o aproveitamento Hidrelétrico de Três Marias (linhas tracejadas), para os cenários de precipitação: 25% abaixo da média climatológica (azul claro); na média climatológica (cinza); 25% acima da média climatológica (azul escuro); e crítica, representada pela série de precipitação ocorrida entre julho a setembro de 2011 (laranja). As linhas espessas representam as vazões médias mensais observadas, de acordo com o ONS: histórica (preto); mínimas (marrom); de outubro de 2017 a setembro de 2018 (magenta); e de outubro de 2018 a junho de 2019 (roxo).

O reservatório da UHE de Serra da Mesa localizado na porção alta da bacia do rio Tocantins, apresentou, no dia 30 de junho de 2019, aproximadamente 22,9% do seu volume útil armazenado. Este reservatório tem como objetivo, além de outros usos, regularizar a vazão do rio principal e contribuir para o abastecimento de reservatórios localizados no rio Tocantins, a jusante de Serra da Mesa, e vem enfrentando desde 2015 condições hidro-meteorológicas desfavoráveis. Na figura 6 apresentam-se as vazões médias mensais observadas nos últimos meses e, na sequência, projeções de vazão, em função de cenários de precipitação, para os próximos meses. No mês de junho de 2019 (até o dia 23), a vazão média afluente a este reservatório foi de 264 m³/s, o que representa 74% da média histórica para este mês (358 m³/s). Os cenários simulados para este reservatório nos próximos meses, considerando precipitações em torno da média climatológica, sugerem que as vazões mantenham-se abaixo da média histórica.

 

Figura 6 – Projeções de vazão média mensal (em m³/s) para o aproveitamento Hidrelétrico de Serra da Mesa (linhas tracejadas), para os cenários de precipitação: 25% abaixo da média climatológica (azul claro); na média climatológica (cinza); 25% acima da média climatológica (verde); e crítica, representada pela série de precipitação ocorrida entre julho a setembro de 2017 (laranja). As linhas espessas representam as vazões médias mensais observadas, de acordo com o ONS: histórica (preto); mínimas (marrom); série de outubro de 2017 a setembro de 2018 (magenta); e de outubro de 2018 a junho de 2019 (roxo).

A figura 7 apresenta o Índice Integrado de Seca (IIS) para a região Nordeste do país. Nas bacias afluentes ao reservatório Epitácio Pessoa (Boqueirão) na Paraíba, nota-se uma condição normal com relação à análise de seca agrícola, no mês de maio. Para esse mesmo período, nas bacias afluentes ao reservatório Castanhão, no Ceará, nota-se, em algumas áreas, condição de seca normal à moderada. Ambos os reservatórios se encontram em situação de escassez hídrica ou de redução acentuada de suas reservas nos últimos anos.

Figura 7 – Índice Integrado de Seca (IIS) para região Nordeste em junho de 2019. Destaque para as bacias de drenagem do reservatório Epitácio Pessoa (Boqueirão) na Paraíba (polígono azul), e do reservatório Castanhão (polígono magenta) no Ceará. A localização dos reservatórios é representada pelo símbolo do triângulo.

 

O reservatório Castanhão, maior reservatório (açude) do Nordeste, com capacidade de 6,7 bilhões de m3 de água, localizado no estado do Ceará, operou no dia 30 de junho de 2019 com um volume armazenado de apenas 5,3% de sua capacidade total. Este reservatório, que abastece oito cidades no Vale do Jaguaribe, além da região da Grande Fortaleza e regiões vizinhas (cerca de 4,6 milhões de habitantes), também vem enfrentando condições hidro-meteorológicas desfavoráveis desde 2012, ocasionando uma redução acentuada do seu volume armazenado.

 

Figura 8 – Monitoramento de armazenamento (em %) para o reservatório Castanhão, de acordo com o Sistema de Acompanhamento de Reservatórios (SAR/ANA).

 

REGISTRO DE IMPACTOS: Gostaria de contribuir registrando ocorrência de eventos de secas no seu município?  Sua informação é bem-vinda,  mesmo  ocorrências  de pequenos impactos são de extrema importância para avaliar a qualidade do monitoramento e avaliação de secas do Cemaden. Por gentileza, preencha o breve questionário no link: REGISTRO DE IMPACTOS DE SECAS 

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