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Projeto RedeGeo do Cemaden irá instalar equipamentos nas áreas de risco de deslizamentos na região do ABC Paulista

Jardim Zaíra VI – município de Mauá (SP) (Foto Cemaden/MCTI)

 

Com apoio e parceria de especialistas e Defesas Civis Municipais, a equipe do Projeto RedeGeo, do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) – unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) – finalizou a identificação, no mês de fevereiro deste ano, dos locais adequados para a instalação de plataformas de coleta de dados geotécnicas (PCDs geotécnicas) nas áreas de alto e muito alto risco de deslizamentos e movimentos de massa,  em seis municípios da Região do Grande ABC Paulista.

Serão instaladas 15 PCDs geotécnicas na Região do Grande ABC (que faz parte da Região Metropolitana de São Paulo). Cada plataforma é composta por sensores geotécnicos e pluviômetro automático. Esses equipamentos possibilitam o estabelecimento de correlação entre a quantidade de chuva e a umidade do solo, fatores que desencadeiam o deslizamento e movimento de massa nas encostas urbanas.

As PCDs geotécnicas serão instaladas nos municípios de Santo André, São Bernardo do Campo, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra. O município de São Caetano, pertencente ao Grande ABC, não tem áreas de risco alto e muito alto de deslizamentos, níveis técnicos conhecidos, respectivamente, por R3 e R4. Por isso, não entrou na lista de instalação dos equipamentos do Projeto RedeGeo.

Importância do monitoramento geológico para a Região do Grande ABC

A região do Grande ABC possui grande histórico de ocorrências de movimentos de massa, concentrando grande parte também dos óbitos decorrentes desse tipo de evento. Dados do sistema de indicadores relacionados a desastres geodinâmicos, desenvolvido pelo IG e constantes do Relatório de Qualidade Ambiental 2020 ,  do governo estadual de São Paulo, mostram que a região do Alto Tietê ( onde se integram os municípios do ABC) respondeu no período de 1999 a 2018 por 10.644 ocorrências, representando 76% do total de acidentes geológicos do Estado de São Paulo. Santo André foi o município que apresentou o maior número de acidentes geológicos nesse período, respondendo por 26% do total de eventos desse tipo registrados no estado.

Segundo o pesquisador do Cemaden, geólogo Daniel Metodiev, integrante da equipe do projeto RedeGeo, responsável pela realização das vistorias das áreas, as PCDs serão instaladas nos locais próximos aos movimentos de massa dos últimos 16 anos.  “A maioria dos locais vistoriados estão posicionados em encostas com grande número de moradias de baixo padrão sem ou com pouca infraestrutura (saneamento, drenagens, muros de contenção etc.), fato que induz o processo de movimento gravitacional em taludes de alta declividade” explica Metodiev.

O pesquisador do Cemaden explica que alguns dos locais identificados poderiam ser considerados como estratégicos por ficarem na divisa entre várias áreas de risco alto a muito alto em dois municípios (exemplo Sítio dos Vianas em Santo André e Montanhão em São Bernardo do Campo), representando assim várias áreas de risco em comunidades de alta vulnerabilidade. “ É muito importante salientar que todos estes locais propostos pelo Cemaden e pelas Defesas Civis do Grande ABC correspondem completamente com o mapeamento de risco geológico feito por diversas instituições de pesquisa (como o IPT, IG e CPRM), bem como cobrem todas as áreas de concentração de ocorrências registradas no banco de dados do Cemaden, ocorridas desde 2005.”  Informa que alguns dos locais vistoriados e sugeridos para instalação de PCDs geotécnicas ficam muito próximos aos lugares em quer ocorreram deslizamentos, com grande impacto e vítimas fatais (por exemplo, o local proposto no bairro São Caetaninho em Ribeirão Pires fica ao lado da cicatriz do deslizamento, que vitimou quatro pessoas em 2019).

Estratégia nacional da RedeGeo do Cemaden

O Projeto RedeGeo do Cemaden é uma estratégia nacional de monitoramento, em tempo real, de fatores ambientais desencadeadores de desastres naturais, cuja meta é ampliar e manter a rede observacional geotécnica para aperfeiçoar a precisão dos alertas de movimento de massa.

Por meio desse projeto, já foi possível receber dados e informações de áreas do País com grande incidência de ocorrências de movimento de massa:  em Blumenau (SC), cinco municípios paulistas da Baixada Santista e a região Metropolitana do Recife (PE), onde já foram instaladas as PCDs geotécnicas do Projeto RedeGeo. O objetivo é  aprimorar os estudos sobre os limiares do processo de deslizamento, para aprimoramento da emissão de alertas.

O coordenador do Projeto RedeGeo do Cemaden, pesquisador e geólogo Márcio Andrade, ressalta que a região do ABC paulista é extremamente prioritária, como demonstram os indicadores do Instituto Geológico do Estado de São Paulo. “É importante ressaltar que os resultados observados nas estações geotécnicas – em operação há cerca de 18 meses na Região da Baixada Santista – cruzados com os eventos de deslizamentos do ano de 2020, têm evidenciado o comportamento da infiltração nos solos para diferentes condições de chuva.”, afirma Andrade e complementa: “Por isso é importante estabelecer limiares de umidade de solos e cenários de risco para emissão de alertas de deslizamentos, em cada tipo de região e de área de risco.”

Fonte: Ascom/Cemaden

Sítio dos Vianas – Município de Santo André (SP)- Foto Cemaden/MCTI

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