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MONITORAMENTO DE SECAS E IMPACTOS NO BRASIL – AGOSTO/2020

SUMÁRIO (clique aqui)

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O Índice Integrado de Seca (IIS) observado no mês de agosto de 2020 aponta a desintensificação da seca principalmente na porção oeste do estado do Amazonas, em grande parte do estado do Paraná e sul do Mato Grosso do Sul. Por outro lado, em relação ao mês de julho, o índice aponta a intensificação da seca especialmente nos estados do Pará, Rondônia, Maranhão, sul do Mato Grosso, sul de Goiás, sudoeste de Minas gerais e nordeste do estado de São Paulo. Em relação à duração da seca, o IIS-6 indica duração superior a seis meses em grande parte do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e interior de São Paulo.

De acordo com a avaliação dos impactos da seca em áreas de atividades agrícolas e/ou pastagens, 368 municípios da Região Nordeste apresentaram pelo menos 40% de suas áreas de uso impactadas no mês de agosto, sendo a maior parte deste localizados no estado do Maranhão. Na Região Norte, 204 municípios apresentaram mais do que 40% de suas áreas de uso impactadas, a maior parte destes localizados no Pará e Rondônia.  Nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul estes números foram de 104, 130 e 67 municípios, respectivamente. Nessas regiões, os estados mais afetados foram Mato Grosso, São Paulo e Rio Grande do Sul.

Com relação aos impactos da seca nos recursos hídricos, destacam-se o reservatório da usina hidrelétrica (UHE) Itaipu, na Região Sul do país, com vazão afluente de 85% da média histórica. Na Região Centro-Oeste, na UHE Serra da Mesa as vazões afluentes ao reservatório estão próximas da média e o nível de armazenamento representou 36% no final de agosto. Na Região Sudeste, destaque para o Sistema Cantareira, principal sistema hídrico da região metropolitana de São Paulo, com vazão próxima a 45% da média histórica do mês de agosto e armazenamento em torno de 48% do volume útil.

Na escala climática sazonal o cenário é de neutralidade migrando para uma La Niña. A maioria das previsões consultadas indicam chances superiores a 70% (mais do que o dobro) para que uma La Niña se desenvolva ainda este ano e perdure durante o verão. As previsões sazonais multimodelo de chuva do International Research Institute e do CPTEC/INMET/FUNCEME (ambas produzidas em agosto/2020) concordam em prever condições desfavoráveis para chuva na porção centro-sul do Brasil (principalmente Mato Grosso do Sul, oeste de São Paulo e Paraná), durante agosto-setembro-outubro-novembro de 2020 (SON/2020). Portanto, é válido manter um estado de atenção para esta região. Nas previsões subsazonais, um cenário desfavorável para as chuvas nas regiões supra citadas até o final de setembro/2020.

ÍNDICE INTEGRADO DE SECA (IIS) PARA O BRASIL:  AGOSTO/2020

Índice Integrado de Seca (IIS) referente ao mês de agosto de 2020 nas escalas: a) 3 meses (IIS-3) e b) 6 meses (IIS-6).

FAÇA O DOWNLOAD DO IIS

Saiba mais sobre o Índice Integrado de Seca (IIS)

Saiba mais sobre o Índice Integrado de Seca (IIS)

O Índice Integrado de Seca (IIS) consiste na combinação do Índice de Precipitação Padronizada (SPI) com o Índice de Suprimento de Água para a Vegetação (VSWI) ou com o Índice de Saúde da Vegetação (VHI), ambos estimados por sensoriamento remoto. Para integrar o IIS, o SPI é calculado a partir de dados observacionais de precipitação disponíveis no CEMADEN, no Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e Centros Estaduais de Meteorologia. O cálculo do SPI é baseado na formulação proposta por Mckee et al. (1993), considerando as escalas de 3, 6 e 12 meses, obtendo-se o produto final na resolução espacial de 5km. O IIS possui as seguintes classes: condição normal (6), seca fraca (5), seca moderada (4), seca severa (3), seca extrema (2) e seca excepcional (1).

MONITORAMENTO DOS IMPACTOS DA SECA: VEGETAÇÃO E AGRICULTURA
Mapa de Índice da Saúde da Vegetação (VHI) para o Brasil referente ao mês de agosto e gráfico das áreas impactadas pela seca por região (áreas com VHI < 30)

Saiba mais sobre o Índice de Saúde da Vegetação (VHI)

Saiba mais sobre o Índice de Saúde da Vegetação (VHI)

O Índice de Saúde da Vegetação (VHI) da NOAA/NESDIS é calculado a partir de dados do Índice de Vegetação da Diferença Normalizada (NDVI, sigla em inglês) e temperatura de brilho, devidamente calibrados e filtrados, resultando da composição de dois sub-índices, o VCI (Vegetation Condition Index) e o TCI (Temperature Condition Index). O NDVI e a temperatura de brilho apresentam dois sinais ambientais distintos, o de resposta lenta do estado da vegetação (clima, solo, tipo de vegetação) e o de resposta mais rápida relacionado com a alteração das condições atmosféricas (precipitação, temperatura, vento, umidade). Este índice permite identificar o início/fim, área afetada, intensidade e duração da seca e sua relação com os eventuais impactos.

MONITORAMENTO DOS IMPACTOS DA SECA NA REGIÃO NORDESTE
Índice Integrado de Seca (IIS): Agosto/2020

Avaliação do IIS para o mês de agosto:

  • Seca Fraca: 542 (30%) municípios.
  • Seca Moderada: 212 (12%) municípios.
  • Seca Severa: 65 (4%) municípios.
  • Seca Extrema: 1 (<1%) município.
  • Seca Excepcional: 0 município.
  • AL
  • SE 
  • MA
  • CE
  • RN 
  • PE
  • PB
  • BA 
  • PI
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Estimativa das Áreas Agroprodutivas Afetadas por Município: Agosto/2020

Com relação à avaliação dos impactos da seca em áreas de atividades agrícolas e/ou pastagens, de acordo com o índice VHI, 368 municípios apresentaram pelo menos 40% de suas áreas de uso impactadas no mês de agosto. Os estados que registraram impactos da seca em áreas agroprodutivas foram Alagoas (45), Bahia (21), Ceará (16), Maranhão (83), Paraíba (38), Pernambuco (62), Piauí (50), Rio Grande do Norte (20) e Sergipe (33). Contudo, apenas os estados de Alagoas (3), Maranhão (8), Paraíba (8), Pernambuco (6), Piauí (17), Rio Grande do Norte (1) e Sergipe (4) apresentaram mais de 80% de suas áreas de uso impactadas pela seca.

Água disponível no solo – Média por microrregiões: Agosto/2020

A fração de água disponível no solo para o mês de agosto de 2020 é mostrada na Figura abaixo, que apresenta todas as microrregiões dentro da delimitação do semiárido. A escala numérica e de cores se refere à proporção de água disponível no solo. Perdas na produtividade agrícola podem ocorrer devido a períodos prolongados de seca e valores baixos de água disponível no solo, especificamente valores abaixo de 0,4, representados no mapa pelas cores vermelho, laranja e amarelo. O mês de agosto não faz parte de nenhuma quadra chuvosa na região. Dessa maneira, esperam-se valores baixos de água no solo, como de fato é observado na maioria das microrregiões, em especial nos estados da Bahia e Minas Gerais.

 

MONITORAMENTO DOS IMPACTOS DA SECA NA REGIÃO NORTE
Índice Integrado de Seca (IIS): Agosto/2020 

Avaliação do IIS para o mês de agosto:

  • Seca Fraca: 194 (43%) municípios.
  • Seca Moderada: 49 (11%) municípios.
  • Seca Severa: 2 (<1%) municípios.
  • Seca Extrema: município.  
  • Seca Excepcional: município.
Estimativa das Áreas Agroprodutivas Afetadas por Município: Agosto/2020

Com relação à avaliação dos impactos da seca em áreas de atividades agrícolas e/ou pastagens, de acordo com o índice VHI, 204 municípios apresentaram pelo menos 40% de suas áreas de uso impactadas no mês de agosto. Os estados do Pará e Rondônia foram os mais afetados, em termos do total de municípios e em relação ao percentual de área agroprodutiva afetada.

 

MONITORAMENTO DOS IMPACTOS DA SECA NA REGIÃO CENTRO-OESTE
Índice Integrado de Seca (IIS): Agosto/2020 

Avaliação do IIS para o mês de agosto:

  • Seca Fraca: 258 (55%) municípios.
  • Seca Moderada: 88 (19%) municípios.
  • Seca Severa: 10 (2%) municípios.
  • Seca Extrema: município.  
  • Seca Excepcional: município.
Estimativa das Áreas Agroprodutivas Afetadas por Município: Agosto/2020

Com relação à avaliação dos impactos da seca em áreas de atividades agrícolas e/ou pastagens, de acordo com o índice VHI, 104 municípios dos estados de Goiás e Mato Grosso apresentaram pelo menos 40% de suas áreas de uso impactadas no mês de agosto. Mato Grosso foi o estado mais afetado, com 55 municípios com 40% a 60% da sua área agroprodutiva afetada pela seca, 35 de 60% a 80% e 4 municípios com mais de 80% da área agroprodutiva afetada.

 

MONITORAMENTO DOS IMPACTOS DA SECA NA REGIÃO SUDESTE
Índice Integrado de Seca (IIS): Agosto/2020

Avaliação do IIS para o mês de agosto:

  • Seca Fraca: 447 (27%) municípios.
  • Seca Moderada: 232 (14%) municípios.
  • Seca Severa: 47 (3%) municípios.
  • Seca Extrema: município.  
  • Seca Excepcional: município.
Estimativa das Áreas Agroprodutivas Afetadas por Município: Agosto/2020

Com relação à avaliação dos impactos da seca em áreas de atividades agrícolas e/ou pastagens, de acordo com o índice VHI, 130 municípios apresentaram pelo menos 40% de suas áreas de uso impactadas no mês de agosto. O estado com mais municípios afetados foi São Paulo (79), que teve 65, 10 e 4 municípios com, respectivamente, 40% a 60%, 60% a 80% e acima de 80% da área agroprodutiva afetada.

 MONITORAMENTO DOS IMPACTOS DA SECA NA REGIÃO SUL
Índice Integrado de Seca (IIS): Agosto/2020

Avaliação do IIS para o mês de agosto:

  • Seca Fraca: 79 (7%) municípios.
  • Seca Moderada: 12 (1%) municípios.
  • Seca Severa: 2 (<1%) municípios.
  • Seca Extrema: município.  
  • Seca Excepcional: município.
Estimativa das Áreas Agroprodutivas Afetadas por Município: Agosto/2020

Com relação à avaliação dos impactos da seca em áreas de atividades agrícolas e/ou pastagens, de acordo com o índice VHI, 67 municípios apresentaram pelo menos 40% de suas áreas de uso impactadas no mês de agosto. O estado de Santa Catarina foi o que apresentou um menor número de municípios, 18. Contudo, foi o único que teve município (1) com área agroprodutiva afetada acima de 80% e o com o maior número de municípios entre 60% a 80%, 5.

REGISTROS DE IMPACTOS NA PRODUÇÃO AGRÍCOLA

No estado do Mato Grosso do Sul, são esperadas perdas na produtividade do milho 2ª safra e do algodão de 1ª e 2ª safras, em razão do prejuízo das lavouras em importantes fases do desenvolvimento. Enquanto no estado de São Paulo houve quebra na produtividade do milho 2ª safra superior a 17%, comparada à safra anterior, conforme informações do Boletim da Safra de Grãos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) do mês de agosto de 2020. Na Região Sul, foi registrada a redução na produtividade do milho 2ª safra em cerca de 14% em relação à safra anterior, no estado do Paraná, segundo o referido boletim. Ao passo que em Santa Catarina registraram-se perdas na produção do milho, que apresentou uma redução de aproximadamente 11% em relação à safra passada, assim como no seu rendimento (que foi de cerca de 7.726 kg/ha na safra atual, enquanto na safra anterior foi de 8.356 kg/ha), sendo as regiões de Curitibanos e Campos de Lages as mais afetadas com maior redução na produtividade do grão, de acordo com os dados finais da safra 2019/2020 do Boletim Agropecuário do Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Epagri/Cepa).

 

MONITORAMENTO DOS IMPACTOS DA SECA: RECURSOS HÍDRICOS
Monitoramento da Seca Hidrológica – Reservatórios de abastecimento público de água e para geração de energia hidrelétrica (UHE)

É possível observar na bacia afluente ao reservatório da UHE Serra da Mesa, localizado no Centro-Oeste do país, uma condição normal em relação à seca, segundo o IIS. Na bacia afluente ao reservatório da UHE Três Marias, localizada na Região Sudeste do país, nota-se condição de seca fraca a moderada na porção central e sudoeste. Com relação ao sistema Cantareira, também no Sudeste do país, se observa condição de seca fraca a severa. Na bacia de drenagem da UHE Itaipu observa-se condição de seca fraca a severa na grande porção norte e nordeste e, na porção sul, algumas regiões indicam seca fraca a normalidade em relação ao IIS. Nota-se condições de normalidade em grande parte das bacias de drenagem dos reservatórios das UHEs Segredo, Barra Grande e Passo Real, e algumas pequenas porções indicam seca fraca a moderada.

Em agosto de 2020, a vazão afluente no Sistema Cantareira, principal sistema hídrico que abastece a Região Metropolitana de São Paulo, foi aproximadamente 45% da média histórica do mês e os reservatórios operaram, no dia 31 de agosto, com 48% do volume útil, representando uma ligeira queda em relação ao mês passado. A partir da simulação de projeções de vazão para os próximos meses, o modelo hidrológico PDM/Cemaden sugere que, considerando precipitações em torno da média histórica, as vazões se manterão próximas a 70% da média histórica do trimestre SON (Para mais detalhes, consulte o relatório na íntegra: http://www.cemaden.gov.br/situacao-atual-e-projecao-hidrologica-para-o-sistema-cantareira-31082020/).

Para o reservatório da UHE Três Marias, a vazão natural, em agosto de 2020, representou 94% da média histórica do mês e o reservatório operou, em 31 de agosto de 2020, com 77% de seu volume útil armazenado, também apresentando uma ligeira queda em relação ao mês passado. Projeções de vazão simuladas para este reservatório apontam que, considerando precipitações em torno da média climatológica no trimestre SON, a vazão poderá ficar em torno de 86% da média histórica do período.

Com relação ao reservatório da UHE Serra da Mesa, no mês de agosto de 2020, a vazão natural representou 93% média histórica do mês. O reservatório operou, no dia 31 de agosto, com 35% de seu volume útil, mantendo o mesmo nível de armazenamento do mês passado. A simulação de projeções de vazão para o trimestre SON, considerando precipitações em torno da média histórica, sugere que a média de vazão se mantenha em torno da média histórica deste período (Para mais detalhes, consulte o relatório na íntegra: http://www.cemaden.gov.br/situacao-atual-e-projecao-hidrologica-para-o-reservatorio-de-serra-da-mesa-bacia-do-rio-tocantins-03092020/).

Para a Região Sul do país, na bacia hidrográfica da usina hidrelétrica de Itaipu, localizada no Rio Paraná – Santa Catarina, uma das maiores hidrelétricas do mundo, a vazão afluente foi 85% da média histórica para o mês de agosto, representando uma melhoria em relação aos meses anteriores, que apresentaram vazões mais críticas do que os mínimos históricos. As chuvas ocorridas durante o mês de agosto no Paraná, contribuíram para recuperação hidrológica na bacia hidrográfica afluente à UHE Segredo (Gov. Ney Aminthas de Barros Braga), localizada no Rio Iguaçu. A vazão afluente em agosto foi aproximadamente 69% da média histórica do mês, representando uma melhoria em relação ao mês passado, porém, o nível de armazenamento no reservatório reduziu de 34% no final de julho para 32% no final de agosto. Na bacia afluente à UHE Barra Grande (no rio Uruguai, entre os estados de RS e SC) a vazão representou 82% em agosto, e o nível de armazenamento do reservatório registrou 80% do volume útil, representando uma ligeira queda, em relação ao valor no final de julho. Do mesmo modo, para a bacia de drenagem da UHE Passo Real, localizada no Rio Jacuí – Rio Grande do Sul, a vazão afluente representou 137% em agosto, e o armazenamento no reservatório foi 87% do seu volume útil no final de agosto.

 

PREVISÃO SAZONAL E SUB-SAZONAL PARA O BRASIL

Em termos das variações do clima na escala climática sazonal, o panorama é de neutralidade (nem El Niño, nem La Niña). Porém, a maioria das previsões consultadas indicam chances superiores a 70% (mais do que o dobro) para que uma La Niña se desenvolva ainda este ano e perdure durante o verão. As previsões sazonais multimodelo de chuva do International Research Institute e do CPTEC/INMET/FUNCEME (ambas produzidas em agosto/2020) concordam em prever condições desfavoráveis para chuva na porção centro-sul do Brasil (principalmente Mato Grosso do Sul, oeste de São Paulo e Paraná), durante agosto-setembro-outubro-novembro de 2020 (SON/2020). Portanto, ainda se mantém um estado de atenção para esta região. Nas previsões subsazonais, um cenário desfavorável para as chuvas nas regiões supra citadas até final de setembro/2020.

 

REGISTRO DE IMPACTOS: Gostaria de contribuir registrando ocorrência de eventos de secas no seu município?  Sua informação é bem-vinda,  mesmo  ocorrências  de pequenos impactos são de extrema importância. Você pode enviar suas informações pelo link: REGISTRO DE IMPACTOS DE SECAS .

Para mais informações fale conosco: secas@cemaden.gov.br
Boletim em pdf

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