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Aquecimento do oceano Atlântico tropical pode agravar as secas no nordeste brasileiro

A seca que afetou a região Nordeste do Brasil, nos últimos anos, pode estar relacionada com as tendências de aquecimento observadas no oceano Atlântico tropical. Esse aquecimento oceânico, associado à constante degradação da terra e maior frequência de secas severas, pode tornar a região mais vulnerável no futuro próximo.

Os dados estão apresentados no estudo coordenado pela pesquisadora Ana Paula Cunha, do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia,  Inovações e Comunicações.  As informações foram organizadas no artigo científico intitulado  “Changes in the spatial–temporal patterns of droughts in the Brazilian Northeast” (Mudanças no padrão  espaço-temporal de secas no nordeste brasileiro), divulgado na publicação científica internacional do Atmopsheric Science Letters. A pesquisa foi desenvolvida com base nas grandes secas no período de 1980 a 2017, utilizando novo índice de seca de caráter meteorológico, a partir de informações de sensoriamento remoto. O novo método permite mapear a intensidade da seca com resolução espacial de quatro quilômetros.

“Esse novo índice utilizado nos estudos da seca possibilita realizar análises espaciais muito mais refinadas do que os índices derivados de informação da rede de pluviômetros da região.”, explica a pesquisadora do Cemaden, Ana Paula Cunha.  “Considerando a grande variabilidade espacial da chuva na região Nordeste, torna-se incontestável o ganho em se utilizar informações com essa resolução espacial.”, complementa a pesquisadora.

A partir de mapas do novo índice de seca, foram avaliadas as grandes secas ocorridas nos anos 1982-1983, 1992-1993, 1997-1998 (associadas a eventos El Niño, quando ocorre o aquecimento das águas do oceano Pacífico tropical) comparativamente com a grande seca de 2012-2016, cujo início não foi provocado pelo El Niño. A comparação dos eventos mostrou que a última grande seca foi espacialmente mais extensa e de maior duração. Além disso, o índice de seca desenvolvido também indicou um agravamento desse fenômeno na região que, pelos resultados da pesquisa, pode estar associado com a tendência do aquecimento do oceano Atlântico tropical.

“Este fato é importante, uma vez que o aquecimento do Atlântico tropical tem, de acordo com vários estudos, pelo menos uma fração dele associado às mudanças climáticas antropogênicas.”, enfatiza o pesquisador  e hidrólogo do Cemaden, Javier Tomasella, que também participou da pesquisa. O pesquisador explica   sobre os outros fatores que podem ampliar a vulnerabilidade da região nordeste: “A combinação de maior degradação da terra e da maior frequência de secas poderá tornar a região mais vulnerável, no futuro próximo. Isso demonstra a uma urgente ação de mitigação de secas nessa região”.

Detalhes deste estudo podem ser vistos no artigo intitulado “Changes in the spatial–temporal patterns of droughts in the Brazilian Northeast” publicado no Atmopsheric Science Letters , disponibilizado no endereço : (https://rdcu.be/7cLE).

(Fonte: Ascom-Cemaden)

A) Padrão espacial da seca (em vermelho) a partir do índice SPI para os anos 1982-1983, 1993-1994, 1997-1998 e 2012-2013. B) Porcentagem da área de estudo com diferentes intensidade de seca (Fonte:Cemaden/MCTIC)

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