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Situação da Seca no Semiárido e Impactos – Janeiro de 2019

Sumário

 

De acordo com o Índice Integrado de seca (IIS) para o mês de janeiro, de maneira geral, houve aumento das condições de secas principalmente nos estados da Bahia, Maranhão, norte de Minas gerais e Piauí.  Além disso, Segundo o IIS, 4 municípios localizados no estado da Paraíba e 1 no Rio Grande do Norte, estão classificados com condição de seca severa e esses municípios somam cerca de 44 mil pessoas.

Em termos dos condicionantes sazonais, o panorama futuro apresenta um quadro de jogo de forças. Por um lado, temos uma boa chance de que um El Niño fraco ocorra durante a quadra chuvosa do norte do semiárido (Fevereiro a Maio), fator que poderia condicionar um déficit de chuva. Por outro o Oceano Atlântico Tropical tem se mostrado aquecido, fator que pode influenciar positivamente na qualidade da estação chuvosa no norte do semiárido. As previsões sazonais de chuva do IRI e do CPTEC/INMET/FUNCEME concordam em apontar chuvas ligeiramente acima da média no norte do Maranhão, Piauí e Ceará para o período de Março a Maio de 2019. Nas próximas duas semanas (até 06 de março de 2019) não há indicações de chuvas abundantes no norte do semiárido. Em escala subsazonal (além de 2 semanas) não há indicações de influências positivas ou negativas nas chuvas do semiárido.

1) Índice Integrado de Seca (IIS) – Janeiro de 2019 

Figura 1 – Índice Integrado de Seca referente ao mês de janeiro de 2019.

A avaliação do IIS para o mês de janeiro em relação ao mês anterior (dezembro):

  • Seca Fraca:aumento de 77 para 234 municípios.
  • Seca Moderada:aumento de 51 para 170 municípios.
  • Seca Severa:aumento de 4 para 5 municípios.
  • Seca Extrema:manteve 0 município.
  • Seca Excepcional:manteve 0 município.
  • AL
  • SE 
  • MA
  • CE
  • RN 
  • PE
  • PB
  • BA 
  • ES
  • MG
  • PI
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O índice Integrado de Seca (IIS) é uma combinação (média geométrica) das informações provenientes do índice de Suprimento de Água para a Vegetação (VSWI), o qual é calculado a partir de dados de sensoriamento remoto, e do Percentil de precipitação, que é calculado a partir de dados observacionais de chuva. O índice VSWI é derivado de dados de NDVI e temperatura do dossel, oriundos do sensor MODIS a bordo dos satélites AQUA e TERRA – resolução de 1 km. O índice indica condição de seca quando o valor do NDVI (índice de vegetação) é baixo (o que indica baixa atividade fotossintética) e a temperatura da vegetação é alta (indicando estresse hídrico). Por sua vez, o percentil é usado como forma de classificar o status de cada município, segundo o montante de precipitação recebido. São consideradas as seguintes classificações: Seca extrema (precipitação abaixo do percentil 5); Seca severa (precipitação entre os percentis 5 e 10); Seca moderada (precipitação entre os percentis 10 e 30); Seca fraca (precipitação entre os percentis 30 e 50).
 

2) Avaliação por satélite das áreas mais Impactadas

Figura 2 – Mapa destacando os municípios com pelo menos 50% de área impactada pela seca (considerando apenas as áreas de pastagens e agrícolas) de acordo com o índice VSWI.

 

Nessa avaliação, a estimativa de área impactada é realizada considerando apenas o índice VSWI (Vegetation Supply Water Index). Os impactos da seca em áreas de atividades agrícolas e/ou pastagens estão concentrados principalmente na porção leste da Região Semiárida, incluindo os municípios inseridos nos estados do Paraíba (60), Pernambuco (37), Sergipe (27), Bahia (27) e Rio Grande do Norte (24). De acordo com o índice VSWI, 187 municípios apresentaram pelo menos 50% de suas áreas de usos impactadas no mês de janeiro de 2019.  É importante ressaltar que parte dos municípios inseridos nos estados da Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco e Piauí estão em período de atividade agrícola, sendo, portanto importante o monitoramento das condições de umidade do solo e da distribuição das chuvas nesses municípios. No mês de janeiro, 13 municípios do estado Bahia e 8 municípios da Paraíba, que estão dentro do calendário agrícola, apresentaram mais de 50% de suas áreas agroprodutivas (pastagem e agrícola) impactadas pela seca.

3) Levantamento de propriedades rurais localizadas nos municípios com mais de 75% de área em condição de seca

Destaca-se que o estado de Pernambuco é o que apresenta o maior número de municípios com mais de 75% de área impactada, dez municípios e Minas Gerais é o estado com o maior número de propriedades rurais impactadas, 15.901.

4) Água disponível no solo – média por microrregiões em Janeiro 2019

A água disponível no solo foi calculada utilizando-se de medidas de umidade do solo em 20 cm, normalizadas para o intervalo entre o ponto de murcha permanente e a saturação. Os valores para janeiro 2019 mostram que partes do Piauí e Ceará, na parte norte do semiárido, tinham valores próximos da saturação. Esses valores são condizentes com a estação chuvosa na região norte do semiárido, começando entre Dezembro e Janeiro. A maior parte das regiões do estado da Bahia apresentaram valores abaixo de 0,4, potencialmente associados com déficit hídrico, apesar de janeiro ser parte da segunda metade do quadrimestre chuvoso na região, tipicamente iniciando-se em novembro.

5) Influências climáticas na escala sub-sazonal a sazonal

Durante janeiro/2019 as águas superficiais do Oceano Pacífico Tropical resfriaram-se comparadas com o panorama apresentado em dezembro/2018. Por outro lado, os padrões atmosféricos de ventos e pressão apresentaram sinais característicos de um episódio de El Niño, em associação a águas subsuperficiais levemente aquecidas. A maior parte dos modelos dinâmicos e estatísticos preveem aquecimento leve (inferior a 1.0°C) do Oceano Pacífico no prazo de 1 a 2 meses. Portanto recomenda-se um estado de atenção em relação a um possível El Niño no início de 2019. A previsão por consenso entre o Climate Prediction Center (NOAA) e o International Research Institute (Columbia University) adota 75% de chance (normalmente seria de 33,3%) para a ocorrência de um El Niño fraco entre fevereiro e junho. As previsões sazonais de chuva do International Research Institute para o trimestre Março-Abril-Maio (MAM/2019) (produzidas em fevereiro de 2019) indicam chances de chuvas acima da média nos estados do Maranhão, Piauí e Ceará. Nas demais regiões do semiárido há indícios de chuva dentro dos patamares normais, ou ausência de sinal significativo. A previsão elaborada pelo CPTEC/INMET/FUNCEME para o trimestre Fevereiro-Março-Abril (FMA/2019) (produzida em janeiro de 2019) mostra condições desfavoráveis no norte da Bahia e oeste de Pernambuco, e favoráveis (chuva acima da média) no norte do Piauí e noroeste do Ceará. Em termos dos condicionantes sazonais o panorama futuro apresenta um quadro de jogo de forças. Se por um lado, o norte do semiárido apresenta uma bem conhecida relação entre El Niños e déficit de chuva, por outro o Oceano Atlântico Tropical tem se mostrado aquecido, fator que pode influenciar positivamente na qualidade da estação chuvosa no norte do semiárido. Nas próximas duas semanas (até 06 de março de 2019) não há indicações de chuvas abundantes no norte do semiárido. Em escala subsazonal (além de 2 semanas) não há indicações de que um pulso da OMJ possa influenciar positivamente as chuvas no semiárido.

 

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