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Situação Atual e Projeção Hidrológica para o Sistema Cantareira 30/09/2020

Esta edição do boletim traz a situação para o mês de setembro de 2020 e projeções com horizonte até dezembro de 2020. A situação de armazenamento dos reservatórios do Sistema Cantareira (41,5%), em 30 de setembro de 2020, é pior quando comparada ao mesmo período de 2019 (47%). Com a situação atual de armazenamento, os reservatórios do Sistema Cantareira permanecem na faixa de operação “atenção” (armazenamento entre 40% e 60%)[1], cuja máxima vazão de extração para o atendimento da demanda hídrica da região metropolitana de São Paulo é 31 m³/s.  Em setembro de 2020, esta vazão de extração foi 26 m³/s. Ainda em setembro, choveu apenas 30% da média histórica do mês, enquanto que a vazão afluente aos reservatórios foi 25% da média histórica, valor inferior à vazão mínima do histórico registrada para este mês, que ocorreu no ano de 2017. Com relação às projeções, considerando um cenário hipotético de chuvas na média histórica para os próximos meses, o modelo hidrológico projeta que a média de vazão afluente poderá ser em torno de 72% da média histórica do período e o armazenamento no sistema, tende a reduzir nas próximas semanas, recuperando  e atingindo novamente 41% no final de dezembro de 2020

[1] De acordo com a Resolução conjunta ANA/DAEE Nº 925.

Situação atual do Sistema Cantareira

A precipitação acumulada durante a estação seca de 2020, entre 01 de abril a 30 de setembro de 2020, baseado nas redes pluviométricas cobrindo as sub-bacias de captação do Sistema Cantareira (7 pluviômetros do DAEE/ SAISP[2] e 27 pluviômetros em operação do CEMADEN), foi 166,2 mm (166,5² mm), o que representa 43,3% (43,4%²) da média histórica do período seco (383 mm, considerando o período 1983-2019). No mês de setembro de 2020, a precipitação acumulada foi 26 mm (25,9² mm), o que representa 30% (30,5%²) da média histórica para este mês (85 mm) (Figura 1).

[2] DAEE / SAISP: Departamento de Águas e Energia do Estado de São Paulo / Sistema de Alerta a Inundações de São Paulo.

Figura 1. Precipitação mensal na bacia do Sistema Cantareira (em mm) de acordo com os dados do CEMADEN. Ano hidrológico: outubro – setembro.

 

A média de vazão afluente ao Sistema Cantareira (Sistema Equivalente + Paiva Castro) de 01 de abril a 30 de setembro de 2020, de acordo com dados da SABESP[3] e da ANA[4] foi 12,4 m3/s, 41% da média de vazão para a estação seca (31 m3/s), representando o segundo menor valor de vazão sazonal no período seco (1983-2020). Para o mesmo período, a média de vazão de extração total dos reservatórios foi 33 m³/s e a média de vazão de interligação com o Sistema Paraíba do Sul foi 6,4 m³/s.

[3] SABESP: Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo/Situação dos Mananciais.

[4] ANA: Agência Nacional de Águas.

Para o mês de setembro de 2020, a média de vazão afluente foi 5,6 m3/s, o que representa 25% da vazão média mensal histórica (23 m3/s), valor inferior ao registro mínimo do histórico, ocorrido em 2017 (9 m3/s). Para o mesmo período, a média de extração de água do Sistema Cantareira para o elevatório Santa Inês (Qesi), que abastece a região metropolitana de São Paulo, foi 26 m3/s, valor que representa a segunda maior vazão desde a crise de 2014, e a vazão de jusante (Qjus), que contribui com a bacia dos rios Piracicaba, Capivari, Jundiaí (bacia PCJ), foi 11,5 m³/s, representando o mais alto valor de vazão desde 2014. Juntas, estas duas vazões representam a extração total do sistema Cantareira, que foi 37,6 m³/s que, neste mês de setembro, representa a mais alta extração de água do Sistema Cantareira desde a crise hídrica de 2014. Ainda no mês de setembro a média do aporte, proveniente da interligação com o Sistema Paraíba do Sul para o reservatório Atibainha, foi 7,6 m³/s.

Previsão de chuva

Em termos gerais, o mês de outubro é um mês de transição da estação seca para a estação chuvosa na bacia de captação do Sistema Cantareira, portanto, no decorrer do mês, as chuvas tendem a se tornar mais frequentes. Nos próximos 3-10 dias as precipitações serão muito escassas, conforme mostrado na Figura 2 . As previsões (tendência) de chuva para a segunda semana apresentadas na Figura 3 , mostram a ocorrência de chuva na região do Sistema Cantareira.

 

Figura 2. Previsão de precipitação acumulada em milímetros (mm) nos próximos 3 (esquerda) e 10 (direita) dias para a bacia de captação do Sistema Cantareira, segundo a previsão do modelo numérico GFS/NOAA. A área da bacia de captação do Sistema Cantareira é indicada no centro da figura com linha preta espessa.

 

Figura 3. Previsão de precipitação em milímetros (mm) acumulados (esquerda) e sua respectiva anomalia em relação aos valores climatológicos (direita) para a segunda semana de acordo com o modelo numérico americano GEFS/NCEP/NOAA.

Projeções de vazão afluente

A Figura 4 apresenta as médias mensais de vazão afluente observada e, na sequência, projeções de vazão usando a média dos membros de previsão (01 a 10 de outubro de 2020, e, a partir do dia 11 de outubro foram considerados quatro cenários de precipitação: média histórica (1983-2019), 25% acima da média, 25% e 50% abaixo da média histórica. As simulações indicam que, considerando um cenário hipotético de chuva na média histórica, a vazão afluente no período de outubro a dezembro de 2020 poderá alcançar cerca de 24 m³/s, o que representa 72% da média histórica desse período (34 m³/s). Para cenários de precipitações 25% e 50% abaixo da média histórica, as simulações apontam vazões, respectivamente, da ordem de, 43% e 24% da média histórica desse mesmo período.

Figura 4. Histórico e simulação de vazão média mensal (em m³/s) afluente ao Sistema Cantareira (linhas tracejadas) considerando a previsão e quatro cenários de precipitação: 50% (verde) e 25% abaixo da média climatológica (azul claro); na média histórica (cinza) e 25% acima da média histórica (azul escuro). As linhas espessas representam as vazões médias mensais observadas, de acordo com a SABESP: média histórica (preto); mínimos mensais (marrom); série de janeiro a dezembro de 2019 (magenta); e de janeiro a setembro de 2020 (roxo).

Projeções de armazenamento

A figura 5 apresenta as projeções da evolução do volume útil armazenado nos reservatórios do Sistema Cantareira utilizando: previsão e projeções de vazão afluente; vazão de extração para a estação elevatória Santa Inês (Q esi) de acordo com as regras condicionais estabelecidas pela resolução conjunta ANA/DAEE Nº 925; vazão defluente (Q jusante) para as bacias do PCJ (rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí) igual à média praticada nos anos 2014 a 2016, para as estações seca e chuvosa; e aporte de interligação com a bacia do Rio Paraíba do Sul, cuja vazão média é 5,5 m³/s para o período de outubro e novembro de 2020 e igual a 5,3 m³/s para dezembro de 2020 (de acordo com a Nota Técnica MAR 011/2020, emitida pela Sabesp). Todos os cenários indicam uma redução do armazenamento nas próximas semanas, atingindo a faixa de operação “Alerta” (armazenamento entre 30 e 40%). Considerando o horizonte de projeções até o final de dezembro de 2020, os cenários com precipitação na média histórica e 25% acima indicam que os reservatórios poderão recuperar o armazenamento retornando à faixa de operação “atenção” (entre 40 e 60%), entretanto, os cenários de chuvas abaixo da média indicam que os reservatórios poderão chegar nesta data em uma situação mais crítica, permanecendo na faixa de operação “alerta”.

Figura 5. Projeções de armazenamento do Sistema Cantareira (linhas tracejadas) para quatro cenários de precipitação: 50% (verde) e 25% (azul claro) abaixo da média histórica, na média histórica (cinza) e 25% acima da média histórica (azul escuro). Nesta simulação considera-se a vazão de aporte da interligação com a bacia do Rio Paraíba do Sul com média igual a 5,5 m³/s para o período entre outubro e novembro de 2020 e igual a 5,3 m³/s para dezembro de 2020. A linha magenta mostra a evolução do armazenamento observado do Sistema Cantareira no período de janeiro a dezembro de 2019. As faixas coloridas referem-se às faixas de operação do reservatório de acordo com a resolução conjunta da ANA/DAEE Nº 925.
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