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Situação Atual e Projeção Hidrológica para o Sistema Cantareira 30/04/2020

Esta edição do boletim do Sistema Cantareira traz a situação hidrometeorológica para o mês de abril de 2020 e projeções com horizonte até o final da estação seca em vigência, isto é, setembro de 2020. A situação de armazenamento dos reservatórios do Sistema Cantareira (61,8%), em 30 de abril de 2020, é semelhante à situação do ano passado (58,2%). Com a situação atual de armazenamento, os reservatórios do Sistema Cantareira continuam na faixa de operação “normal” (armazenamento maior que 60%)[1], cuja máxima vazão de extração para o atendimento da demanda hídrica da região metropolitana de São Paulo é 33 m³/s. Em abril de 2020, esta vazão de extração foi 29 m³/s. Ainda em abril, choveu 5 mm, valor muito abaixo da climatologia (6% da média) do mês, enquanto que a vazão afluente aos reservatórios foi 44% da média histórica. Com relação às projeções, em um cenário hipotético de chuvas na média climatológica para os próximos meses, o modelo hidrológico projeta que a vazão afluente poderá ser em torno de 70% da média histórica do período e o armazenamento no sistema, no final de setembro de 2020, poderá ser em torno de 49%, enquadrando-se na faixa “atenção” de operação do reservatório (armazenamento entre 40% e 60%).

[1] De acordo com a Resolução conjunta ANA/DAEE Nº 925.

Situação atual do Sistema Cantareira

A precipitação média espacial, acumulada durante o período chuvoso de 01 de outubro de 2019 a 31 de março de 2020, baseado nas redes pluviométricas cobrindo as sub-bacias de captação do Sistema Cantareira (7 pluviômetros do DAEE/ SAISP [2] e 16 pluviômetros em operação do CEMADEN), foi 967 mm (978 [2]mm), o que representa 86% (87%[2]) da média climatológica do período chuvoso, outubro a março (1124 mm). Para o mês abril de 2020, a precipitação média espacial foi 5 mm (2[2] mm), o que representa 6% (2%[2]) da climatologia para este mês (86 mm) (Figura 1).

[2] DAEE / SAISP: Departamento de Águas e Energia do Estado de São Paulo / Sistema de Alerta a Inundações de São Paulo.

Figura 1. Precipitação mensal na bacia do Sistema Cantareira (em mm) de acordo com os dados do CEMADEN. Ano hidrológico: outubro – setembro.

A vazão média afluente ao Sistema Cantareira (Sistema Equivalente + Paiva Castro) de 01 de outubro de 2019 a 31 de março de 2020, de acordo com dados da SABESP[3] e da ANA[4] foi 35 m3/s, 71% da vazão média para a estação chuvosa (50 m3/s). Para o mesmo período, a vazão média de extração total foi 28 m³/s e a vazão média de interligação com o Sistema Paraíba do Sul foi de 4,5 m³/s.

[3] SABESP: Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo/Situação dos Mananciais.

[4] ANA: Agência Nacional de Águas.

Para o mês de abril de 2020, a vazão média afluente foi 18,9 m3/s, o que representa 44% da vazão média mensal histórica (43,5 m3/s). Para o mesmo período, a extração média de água do Sistema Cantareira para o sistema elevatório Santa Inês (Qesi), que abastece a região metropolitana de São Paulo, foi 22,9 m3/s, e a vazão de jusante (Qjus) que contribui com a bacia dos rios Piracicaba, Capivari, Jundiaí (bacia PCJ) foi 5,9 m³/s. Juntas, estas duas vazões representam a extração total do sistema Cantareira, que foi 28,8 m³/s. No mês de abril, não houve transferência de água proveniente da bacia do rio Paraíba do Sul para o reservatório de Atibainha devido ao Sistema Cantareira estar operando na faixa normal (acima de 60% de armazenamento).

Previsão de chuva

Nos próximos 3-7 dias a passagem de uma frente fria irá provocar chuvas relativamente irregulares na bacia do Sistema Cantareira, com acumulados pluviométricos não muito elevados, porém próximos à média histórica em função da época do ano, conforme se mostra na Figura 2. As previsões (tendência) de chuva para a segunda semana, apresentadas na Figura 3, apontam um cenário de pouca ou nenhuma precipitação sobre a bacia do Sistema Cantareira.

Figura 2. Previsão de precipitação acumulada em milímetros (mm) nos próximos 3 (esquerda) e 10 (direita) dias para a bacia de captação do Sistema Cantareira, segundo a previsão do modelo numérico GFS/NOAA. A área da bacia de captação do Sistema Cantareira é indicada no centro da figura com linha preta espessa.

 

Figura 3. Previsão de precipitação em milímetros (mm) acumulados (esquerda) e sua respectiva anomalia em relação aos valores climatológicos (direita) para a segunda semana de acordo com o modelo numérico americano GFS/NCEP/NOAA.

Cenários de vazão afluente

A figura 4 apresenta, além das vazões médias mensais observadas, as projeções de vazão média mensal afluente (em m³/s), usando a média dos membros de previsão de vazão para o período 01 a 10 de maio de 2020, e cenários de precipitação para o período de 11 de maio a 30 de setembro de 2020. Foram considerados cinco diferentes cenários de precipitação: média climatológica, 25% acima da média climatológica, 25% e 50% abaixo da média climatológica e um cenário crítico de precipitações iguais às ocorridas entre maio a setembro de 2011. As simulações indicam que, considerando um cenário hipotético de chuva na média climatológica, a vazão média no período de maio a setembro de 2020 poderá ser em média 20 m3/s, o que representa 70% da média histórica desse período (28 m3/s). Ainda de acordo com esta simulação, no cenário crítico, a vazão para o mesmo período poderá ser em média 14 m³/s, representando 51% da vazão média histórica do período.

Figura 4. Histórico e simulação de vazão afluente média mensal (em m³/s) afluente ao Sistema Cantareira (linhas tracejadas) considerando a previsão e quatro cenários de precipitação: 50% abaixo da média climatológica (verde); 25% abaixo da média climatológica (azul claro); na média climatológica (cinza); 25% acima da média climatológica (azul escuro); e cenário crítico (2011) (laranja). As linhas espessas representam as vazões médias mensais observadas, de acordo com a SABESP: média histórica (preto); mínimos mensais (marrom); de outubro de 2018 a setembro de 2019 (magenta); e de outubro de 2019 a abril de 2020 (roxo).

Cenários de armazenamento

A figura 5 apresenta os cenários da evolução do volume útil armazenado nos reservatórios do Sistema Cantareira utilizando: previsão e cenários de vazões; vazão de extração para a estação elevatória Santa Inês (Q esi) de acordo com as regras condicionais estabelecidas pela resolução conjunta ANA/DAEE Nº 925; vazão defluente (Q jusante) para as bacias do PCJ (rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí) igual à média praticada nos anos 2014 a 2016, para as estações seca e chuvosa; e aporte de interligação com a bacia do Rio Paraíba do Sul, cuja vazão média é 5,5 m³/s (de acordo com a Nota Técnica MAR 011/2020, emitida pela Sabesp). Em todos os cenários considerados, o volume armazenado no Sistema Cantareira finalizará a estação seca na faixa atenção (40 a 60%).

Figura 5. Cenários de armazenamento do Sistema Cantareira para cinco diferentes cenários de precipitação: 50% (linha verde) e 25% (linha azul claro) abaixo da média climatológica, na média climatológica (linha cinza), 25% acima da média climatológica (linha azul escuro) e cenário crítico (linha laranja). Nesta simulação considera-se a vazão média de aporte da interligação com a bacia do Rio Paraíba do Sul com média de 5,5 m³/s. A linha magenta mostra a evolução do armazenamento observado do Sistema Cantareira no período de outubro/2018 a setembro/2019. As faixas coloridas referem-se às faixas de operação do reservatório de acordo com a resolução conjunta da ANA/DAEE Nº 925.

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