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Situação Atual da Seca no Semiárido e Impactos maio de 2016

Avaliação das condições de seca para os últimos 90 dias de acordo com o cálculo dos percentis dos dados de precipitação

A avaliação do Percentil para os últimos 90 dias (período entre os dias 03 de março a 31 de maio) indica redução das áreas que apresentavam a condição de “Muito Seco” nos Estados do Maranhão e Piaui. Por outro lado, no Estado da Bahia e nas porções norte dos Estados de Minas Gerais e do Espírito Santo, os municípios com a condição de “Muito Seco” persistem, ressalta-se porém que nestas regiões o período chuvoso já se encerrou.

O percentil é usado como forma de classificar o status de cada município, segundo o montante de precipitação recebido. São consideradas as seguintes classificações: Muito Seco (precipitação abaixo do percentil 15); Seco (precipitação entre os percentis 15 e 35); Normal (entre os percentis 35 e 65); Se em um determinado período uma região foi classificada como “Muito Seca”, isto significa que o acumulado de chuva desta região foi classificado dentre os 15% menores valores da série. O padrão “Seco” inclui as regiões que apresentam precipitação no intervalo entre 15% e 35% dos valores mais baixos da série, e, assim, sucessivamente.

Risco agroclimático para o período de 01/10/2015 a 31/05/2016

figura2Segundo a avaliação do número de dias com déficit hídrico (modelo de balanço hídrico) para o ano hidrológico de 2015/2016, que teve inicio no mês de outubro, no período de 01 de outubro de 2015 a 31 de maio de 2016, 106 municípios foram classificados como de risco MUITO ALTO (mais que 75 dias com déficit hídrico) e 234 municípios como de risco ALTO (entre 60 a 75 dias com déficit hídrico). Tais números são ainda elevados, principalmente na região leste, ressalta-se, no entanto, que a quadra chuvosa para essa área teve inicio no mês de abril.

O risco agroclimático é estimado a partir do Número de dias com déficit hídrico nos municípios (NDDH), o qual é calculado a partir do modelo de balanço hídrico desenvolvido pelo CPTEC/INPE. São consideradas as seguintes classificações: Risco Muito Alto (mais que 75 dias com déficit hídrico), Risco Alto (entre 60 a 75 dias com déficit hídrico), Risco Moderado (entre 40 a 60 dias com déficit hídrico) e Risco baixo (até 40 dias com déficit hídrico).

Índice VSWI: Porcentagem do município impactado pela seca (áreas de pastagens e agrícolas) no mês de maio de 2016

figura3

Considerando os impactos da seca em áreas de atividades agrícolas e/ou pastagens, em relação ao mês anterior (abril), a situação de seca intensificou-se principalmente no centro e norte da Região Semiárida, refletindo os acumulados de chuva inferiores à média nos meses anteriores. Com relação aos municípios cujos calendários de plantio ainda estão vigentes, as áreas impactadas pelas secas somam cerca de 10 milhões de hectares, o que pode impactar aproximadamente 240 mil estabelecimentos de agricultura familiar inseridas nessas regiões.

O índice VSWI é derivado de dados de NDVI e temperatura do dossel, oriundos do sensor MODIS a bordo dos satélites AQUA e TERRA – resolução de 1 km. O índice indica condição de seca quando o valor do NDVI (índice de vegetação) é baixo (o que indica baixa atividade fotossintética) e a temperatura da vegetação é alta (indicando estresse hídrico).

Tabela 1. Avaliação da Extensão dos Impactos da Seca

UF Número de Municípios com mais de 50% de área impactada Área Impactada (ha) Número de Estabelecimentos de Agricultura Familiar Impactados
BA 261 20.392.446,11 461.213
CE 37 1.796.911,94 52.145
PI 56 3.035.538,69 55.339
PB 47 916.173,20 23.974
AL 37 953.331,89 68.764
RN 58 1.455.685,66 26.201
MA 19 1.182.980,31 14.215
SE 49 1.312.105,30 68.938
ES 28 2.085.218,78 25.595
PE 54 3.051.147,25 104.494
MG 106 9.127.814,94 90.223
TOTAL 752 45.309.354,07 991.101

Avaliação das condições de seca para a quadra chuvosa Fevereiro-Maio de 2015-2016 de acordo com o cálculo dos percentis dos dados de precipitação e anomalias do índice VSWI

Os quatro meses da quadra chuvosa FMAM apresentaram déficit pluviométrico. Avaliando o período como um todo, de acordo com os dados de percentis de precipitação, a quadra chuvosa FMAM-2016 apresentou condições de seca em grande parte da região de abrangência da quadra. Por meio das anomalias do índice VSWI também foi possível verificar que grande parte da região apresentou condições de estresse vegetativo. Tanto o percentil de precipitação quanto as anomalias de VSWI indicam que o mês de maio, foi o mês que apresentou condição de seca mais intensas.

figura4

Índice Socioeconômico de Vulnerabilidade à Seca – ISVS

figura5

A avaliação do ISVS indica que todos os municípios inseridos na área da região de abrangência da quadra chuvosa FMAM estão classificados como de alta a moderada vulnerabilidade. Desses, 61% (264) apresentam alta vulnerabilidade, além do município de Fernando Pedroza – RN que apresenta muito alta vulnerabilidade (Figura X). Essa condição está associada, principalmente, às variáveis sensibilidade (área dos EA com agricultura familiar, proporção da população ocupada na agropecuária e densidade da pecuária) e capacidade adaptativa (diversidade da produção, seguida do nível de instrução dos dirigentes dos EAs).

Ressalta-se que para o próximo ano hidrológico (2016-2017) o ISVS será integrado às varáveis biofísicas com a finalidade de complementar o monitoramento dos impactos da seca.

Influencias climáticas na escala sub-sazonal a sazonal

O fenômeno El Niño está praticamente com seu ciclo encerrado. O trimestre JJA deve marcar a transição para um episodio de La Niña, ainda de intensidade indefinida. A previsão climática sazonal para o trimestre Junho-Julho-Agosto/2016 aponta como cenário mais provável o de chuvas dentro da média climatológica. As condições previstas em escala de médio prazo para chuva até 19 de junho são desfavoráveis à ocorrência de volumes substanciais de precipitação. Portanto, o quadro climático presente e futuro sugere que deve ser dada atenção às áreas que, ainda em período chuvoso, estão caracterizadas com risco agroclimático: regiões da Zona da Mata de Sergipe e Recôncavo Baiano.

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