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Situação Atual da Seca no Semiárido e Impactos julho de 2016

Avaliação das condições de seca para os últimos 90 dias de acordo com o cálculo dos percentis dos dados de precipitação

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A avaliação do Percentil para os últimos 90 dias (período entre os dias 09 de maio a 06 de agosto) indica redução das áreas que apresentam a condição de “Muito Seco”, principalmente nos Estados do Piauí, da Bahia e norte de Minas Gerais com relação ao mês anterior (junho). As regiões com a condição de “Muito Seco” são observadas principalmente nos Estados do Ceará, Piauí, Maranhão, Alagoas e Sergipe. Ressalta-se que as quadras chuvosas dos Estados de Alagoas e Sergipe encerraram-se no mês de julho.

O percentil é usado como forma de classificar o status de cada município, segundo o montante de precipitação recebido.
São consideradas as seguintes classificações: Muito Seco (precipitação abaixo do percentil 15); Seco (precipitação entre os percentis 15 e 35); Normal (entre os percentis 35 e 65); Se em um determinado período uma região foi classificada como “Muito Seca”, isto significa que o acumulado de chuva desta região foi classificado dentre os 15% menores valores da série. O padrão “Seco” inclui as regiões que apresentam precipitação no intervalo entre 15% e 35% dos valores mais baixos da série, e, assim, sucessivamente.

Risco agroclimático para o período de 01/10/2015 a 31/07/2016

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Segundo a avaliação do número de dias com déficit hídrico (modelo de balanço hídrico) para o ano hidrológico de 2015/2016, que teve inicio no mês de outubro, no período de 01 de outubro de 2015 a 31 de maio de 2016, 10 municípios foram classificados como de risco MUITO ALTO (mais que 75 dias com déficit hídrico) e 103 municípios como de risco ALTO (entre 60 a 75 dias com déficit hídrico). O número de municípios considerados com risco MUITO ALTO diminuiu em relação ao mês anterior. Os municípios que mantiveram uma condição mais crítica estão localizados principalmente na região leste dos Estados de Pernambuco, Alagoas e Sergipe, ressalta-se que a quadra chuvosa para estes municípios foi encerrada no mês de julho.

O risco agroclimático é estimado a partir do Número de dias com déficit hídrico nos municípios (NDDH), o qual é calculado a partir do modelo de balanço hídrico desenvolvido pelo CPTEC/INPE.
São consideradas as seguintes classificações: Risco Muito Alto (mais que 75 dias com déficit hídrico), Risco Alto (entre 60 a 75 dias com déficit hídrico), Risco Moderado (entre 40 a 60 dias com déficit hídrico) e Risco baixo (até 40 dias com déficit hídrico).  

Índice VSWI: Porcentagem do município impactado pela seca (áreas de pastagens e agrícolas) no mês de julho de 2016

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Considerando os impactos da seca em áreas de atividades agrícolas e/ou pastagens, em relação ao mês anterior (junho), a situação de seca intensificou-se principalmente na porção norte da Região Semiárida (Municípios inseridos nos Estados do Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco), refletindo os acumulados de chuva inferiores à média nos meses anteriores. De acordo com o índice VSWI, 788 municípios apresentaram pelo menos 50% de suas áreas impactadas no mês de julho de 2016. Considerando as regiões cujo calendário de plantio se estende até o mês de junho e que o ciclo fenológico pode ainda estar curso (municípios inseridos no estado de Alagoas, região leste da Bahia e Sergipe), as áreas impactadas pela seca somam cerca de 2,5 milhões de hectares.

O índice VSWI é derivado de dados de NDVI e temperatura do dossel, oriundos do sensor MODIS a bordo dos satélites AQUA e TERRA – resolução de 1 km. O índice indica condição de seca quando o valor do NDVI (índice de vegetação) é baixo (o que indica baixa atividade fotossintética) e a temperatura da vegetação é alta (indicando estresse hídrico).

Tabela 1. Avaliação da Extensão dos Impactos da Seca

UF Número de Municípios com mais de 50% de área impactada Área Impactada (ha) Número de Estabelecimentos de Agricultura Familiar Impactados
BA 106 18.078.638,69 152.313
CE 116 8.324.699,16 212.214
PI 75 4.110.000,85 74.784
PB 142 2.756.766,82 95.649
AL 7 146.287,18 8.734
RN 111 2.598.666,36 54.731
MA 34 2.437.872,68 29.017
SE 8 171.530,32 8.735
ES 27 1.880.749,18 25.137
PE 84 3.180.739,00 158.088
MG 78 6.184.815,48 69.396
TOTAL 788 36.982.762,11 888.798

Avaliação das condições de seca para a quadra chuvosa Abril-Julho de 2016 de acordo com o cálculo dos percentis dos dados de precipitação e anomalias do índice VSWI

Os quatro meses da quadra chuvosa AMJJ apresentaram déficit pluviométrico. De acordo com os dados de percentis de precipitação, a quadra chuvosa AMJJ-2016 apresentou condições de seca em grande parte da sua região de abrangência, principalmente nos Estados de Alagoas, Sergipe e Bahia. Por meio das anomalias do índice VSWI também foi possível verificar que grande parte da região apresentou condições de estresse vegetativo. O percentil de precipitação aponta o mês de julho com maior déficit hídrico. As anomalias de VSWI indicam que o mês de maio foi o que apresentou condição de seca mais intensa e os Estados mais atingidos foram Alagoas, Sergipe e noroeste da Bahia. No entanto, ressalta-se que as condições de seca observadas com os dados de Percentil no mês de Julho poderão ser observadas com o índice VSWI nos meses seguintes em razão do efeito memória da vegetação.

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Influências climáticas na escala sub-sazonal a sazonal

O cenário atual é de neutralidade em relação a episódios de El Niño ou La Niña. As chuvas mais escassas que podem ocorrer durante o trimestre Agosto-Setembro-Outubro/2016 (ASO/2016), ocorrerão sob um cenário de neutralidade. A previsão climática sazonal de chuva (MCTIC) para ASO/2016 mostra, para toda a região Nordeste do país, uma previsão na qual os três cenários (acima-dentro-abaixo da média) são igualmente prováveis. O trimestre ASO/2016 deve marcar a transição para um episódio de La Niña, provavelmente com intensidade fraca. As previsões em escala de médio prazo (até 21 de agosto) indicam condições desfavoráveis para a ocorrência de precipitações substanciais. O cenário mais provável é de chuvas abaixo da média. Portanto, o quadro climático presente e futuro sugere que deve ser dada atenção às áreas que estão caracterizadas com risco agroclimático: regiões da Zona da Mata de Sergipe, Alagoas e Leste e Nordeste da Bahia.

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