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Situação Atual da Seca no Semiárido e Impactos – Agosto de 2018

Sumário

De acordo com o Índice Integrado de seca (IIS) para o mês de agosto, verifica-se a expansão espacial de condição de seca em toda a região, com intensificação principalmente no agreste da Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia. Segundo o IIS, 286 municípios estão classificados com condição de seca severa, 91 com condição de seca extrema e 25 com condição de seca Excepcional. Estes últimos localizados nos Estados da Paraíba, Pernambuco, Sergipe e Alagoas.

Não há previsão de chuvas significativas até o final de setembro no leste do nordeste. Em escalas intermediárias (subsazonal) não há indicações confiáveis de influência positiva ou negativa na estação chuvosa do leste do nordeste. As condições climáticas relacionadas a El Niño ou La Niña são de neutralidade atualmente, porém, evoluindo para um El Niño até o final do ano. Dado que i) espera-se um episódio de El Niño durante a próxima estação chuvosa do norte do semiárido e ii) as condições de seca tem aumentado recentemente, sugere-se que as partes interessadas no gerenciamento e uso de água assumam um estado de atenção.

Índice Integrado de Seca (IIS)

A avaliação do IIS para o mês de Agosto em relação ao mês anterior (Julho):

  • Seca Fraca: aumento de 630 para 557 municípios.
  • Seca Moderada: aumento de 468 para 513 municípios.
  • Seca Severa: aumento de 209 para 286 municípios.
  • Seca Extrema: aumento de 40 para 91 município.
  • Seca Excepcional: aumento de 0 para 25 municípios.

  • AL
  • SE 
  • MA
  • CE
  • RN 
  • PE
  • PB
  • BA 
  • ES
  • MG
  • PI
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O índice Integrado de Seca (IIS) é uma combinação (média geométrica) das informações provenientes do índice de Suprimento de Água para a Vegetação (VSWI), o qual é calculado a partir de dados de sensoriamento remoto, e do Percentil de precipitação, que é calculado a partir de dados observacionais de chuva. O índice VSWI é derivado de dados de NDVI e temperatura do dossel, oriundos do sensor MODIS a bordo dos satélites AQUA e TERRA – resolução de 1 km. O índice indica condição de seca quando o valor do NDVI (índice de vegetação) é baixo (o que indica baixa atividade fotossintética) e a temperatura da vegetação é alta (indicando estresse hídrico). Por sua vez, o percentil é usado como forma de classificar o status de cada município, segundo o montante de precipitação recebido. São consideradas as seguintes classificações: Seca extrema (precipitação abaixo do percentil 5); Seca severa (precipitação entre os percentis 5 e 10); Seca moderada (precipitação entre os percentis 10 e 30); Seca fraca (precipitação entre os percentis 30 e 50).
 

Duração da Seca Meteorológica¹

De acordo com os dados de SPI-3, verifica-se a persistência de condição de seca (recorrência na escala de meses), principalmente em grande parte da região central do Maranhão, parte do Piauí, Alagoas e Sergipe. No entanto, ressalta-se que em relação ao mês anterior (julho), ocorreu uma expansão das condições de seca vegetativa em toda a região (conforme indicou o IIS), o que não é verificado apenas com o uso do SPI-3 (que leva em consideração apenas a precipitação acumulada dos últimos 3 meses).

A definição do evento de seca utilizada neste produto estabelece o início da seca quando o Índice de Precipitação Padronizada (SPI) indica valores inferiores a -1 por pelo menos dois meses consecutivos (Spinoni et al., 2014, 2015). O término do evento de seca ocorre quando o SPI retorna a valores positivos. O evento de seca é determinado, dessa forma, a partir dos seus meses de início e de término; logo, a duração de um evento de seca é determinada pelo número de meses entre o mês de início e o de término. Fonte do SPI: CPTEC/INPE.

1 Seca meteorológica: definida por Wilhite (2000) como o resultado de um déficit de precipitação, isto é, quando o valor de chuva acumulado em um período e em uma área se encontra significativamente abaixo do valor climatologicamente esperado. 

 

Influências climáticas na escala sub-sazonal a sazonal

Na escala climática sazonal, o Oceano Pacífico permanece em um estado neutro, i.e., temperaturas da superfície do mar dentro dos padrões normais (nem La Niña, nem El Niño). Porém, dado que a maior parte dos modelos dinâmicos e estatísticos preveem um ligeiro aquecimento iniciando durante a primavera (SON/2018), recomenda-se um estado de atenção em relação a um possível El Niño ainda este ano. A previsão por consenso entre o Climate Prediction Center (NOAA) e o International Research Institute (Columbia University) adota 60% de chance (normalmente seria de 33,3%) para a ocorrência de um El Niño de fraco a moderado. As previsões sazonais de chuva do International Research Institute e do CPTEC/INMET/FUNCEME concordam em indicar, para o trimestre Setembro-Outubro-Novembro (SON/2018), probabilidades de chuvas abaixo da média no estado da Bahia, na região aproximada do Recôncavo Baiano, e no norte do Tocantins. O norte do semiárido apresenta uma bem conhecida relação entre El Niños e déficit de chuva. Assim, dado que i) espera-se um episódio de El Niño durante a próxima estação chuvosa do norte do semiárido e ii) as condições de seca vegetativa tem aumentado no último mês, sugere-se que as partes interessadas no gerenciamento e uso de água assumam um estado de atenção. Nas próximas 2 semanas (escala de médio prazo) as previsões mais recentes indicam condições de pouca ou nenhuma chuva na Região Nordeste, em particular na Zona da Mata. Em escalas mais longas (subsazonal) não há indicações confiáveis de influência positiva ou negativa na estação chuvosa do leste do nordeste.

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