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Situação Atual da Seca no Semiárido e Impactos – Abril de 2017

Avaliação das condições de seca de acordo com o índice Integrado de Seca  (IIS) 

A avaliação do IIS para o mês de abril indica condições de Seca Extrema e de Seca Severa em 212 municípios, inseridos em sua maior parte nos Estados da Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia. Em relação ao mês anterior (março), houve uma redução de 60% no número de municípios em condição de secas extrema e severa. Aqueles que ainda permanecem nessas condições coincidem com áreas onde a situação crítica já perdura por mais de doze meses.

  • AL
  • SE 
  • MA
  • CE
  • RN 
  • PE
  • PB
  • BA 
  • MG
  • PI
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O índice Integrado de Seca (IIS) é uma combinação (média geométrica) das informações provenientes do índice de Suprimento de Água para a Vegetação (VSWI), o qual é calculado a partir de dados de sensoriamento remoto, e do Percentil de precipitação, que é calculado a partir de dados observacionais de chuva. O índice VSWI é derivado de dados de NDVI e temperatura do dossel, oriundos do sensor MODIS a bordo dos satélites AQUA e TERRA – resolução de 1 km.  O índice indica condição de seca quando o valor do NDVI (índice de vegetação) é baixo (o que indica baixa atividade fotossintética) e a temperatura da vegetação é alta (indicando estresse hídrico). Por sua vez, o percentil é usado como forma de classificar o status de cada município, segundo o montante de precipitação recebido. São consideradas as seguintes classificações: Seca extrema (precipitação abaixo do percentil 5); Seca severa (precipitação entre os percentis 5 e 15); Seca moderada (precipitação entre os percentis 15 e 35); Seca fraca (precipitação entre os percentis 35 e 50) .

Índice VSWI: Porcentagem do município impactado pela seca (áreas de pastagens e agrícolas) no mês de abril de 2017 

Em relação ao mês anterior (março), os impactos da seca em áreas de atividades agrícolas e/ou pastagens reduziram, principalmente no Estado da Bahia. Considerando apenas as regiões em que o calendário de plantio teve inicio entre os meses de janeiro a março, e, portanto, o ciclo fenológico da cultura agrícola pode ainda estar em curso, a área de possível impacto na produção agrícola se concentra principalmente nos Estados da Paraíba e Pernambuco. De acordo com o índice VSWI, 359 municípios apresentaram pelo menos 50% de suas áreas impactadas no mês de abril de 2017. As áreas impactadas pela seca somam cerca de 10 milhões de hectares (Tabela 1).

Tabela 1. Avaliação da Extensão dos Impactos da seca nas regiões com calendário de plantio vigente.

UF Número de Municípios com mais de 50% de área impactada Área Impactada (ha) Número de Estabelecimentos de Agricultura Familiar Impactados
BA 56 2.351.091,85 123.684
CE
PI
PB 58 1.294.631,67 42.914
AL 89 1.870.695,83 103.862
RN 24 411.502,47 9.428
MA
SE 33 839.739,07 33.372
ES
PE 99 3.586.696,23 163.599
MG
TOTAL 359 10.354.357,12 476.859

Duração da Seca

A seca, recorrente em grande parte do Semiárido do Brasil, já perdura por mais de nove meses, principalmente no norte do Estado da Bahia, em Sergipe, Alagoas e Pernambuco. No entanto, ressalta-se que em parte dessas regiões a estação chuvosa teve inicio no mês de abril (zona da Mata), como pode ser observado no mapa de quadras chuvosas. (Link figura).

Em alguns pontos isolados, principalmente no norte do Estado de Minas Gerais, Piauí e Pernambuco, a seca vigente já dura por mais de vinte e um meses (áreas em vermelho).

A definição do evento de seca utilizada estabelece o início da seca quando o índice de saúde da vegetação (VHI) indica valores inferiores a 40 (Kogan, 2002) por pelo menos dois meses consecutivos.  O término do evento de seca ocorre quando o VHI retorna a valores superiores a 45. O evento de seca é determinado, dessa forma, a partir dos seus meses de início e de término; logo, a duração de um evento de seca é determinada pelo número de meses entre o mês de início e o de término.

Influências climáticas na escala sub-sazonal a sazonal 

Na escala sazonal, o cenário climático atual é de neutralidade em relação aos fenômenos El Niño ou La Niña (ENOS). No entanto, alguns dos principais centros mundiais de previsão ENOS se antecipam ao indicar que há chances significativas de um episódio de El Niño para o próximo verão austral (DJF2017-2018), possivelmente iniciando durante o segundo semestre de 2017. A próxima estação chuvosa (MJJ) deve ser influenciada pela condição do Oceano Atlântico Tropical Sul, que tem mostrado uma ligeira tendência de aquecimento nos últimos meses, muito embora a temperatura se encontre em patamares relativamente normais. A previsão climática sazonal de chuva para a Zona da Mata (MCTIC), para MJJ/2017, indica que é mais provável (40% de chance) que as chuvas ocorram abaixo da média histórica (Saiba mais: http://clima1.cptec.inpe.br/). A previsão de chuva em escala de médio prazo (próximas 2 semanas) na Zona da Mata indica uma mudança de cenário da primeira para a segunda semana, de condições favoráveis para desfavoráveis. Dado que o cenário futuro não é favorável à ocorrência de precipitações abundantes, aumenta-se o risco de perda de safras, principalmente nas áreas indicadas pelo IIS.

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