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Previsão Climática para o Trimestre OND/2017

Grupo de Trabalho em Previsão Climática Sazonal – GTPCS/MCTIC

Responsável Científico desta Edição: Dr. Marcelo Seluchi – CEMADEN/MCTIC  

Resumo das Condições Climáticas Atuais

A persistência da atividade anticiclônica na região do Atlântico Sul, mais intensa que o normal, especialmente na primeira quinzena de setembro, favoreceu, de um lado, a continuidade das chuvas acima da média histórica entre o litoral sul de Pernambuco e o leste da Bahia, de outro, a escassez das chuvas no oeste e sul do Brasil, com exceção do Rio Grande do Sul. Por outro lado, algumas áreas no norte da Região Norte, apresentaram uma mudança no padrão de anomalias de precipitação que passou a valores positivos em setembro corrente. Outro destaque na transição entre as estações de inverno e primavera foram as anomalias positivas de temperatura máxima, maiores que 5°C, em localidades do Mato Grosso do Sul, São Paulo e na Região Sul do Brasil, com considerável diminuição da atividade frontal. A situação hídrica também continua bastante crítica, especialmente nas bacias de Três Marias e na sub-bacia de Serra da Mesa (bacia do Tocantins), onde os valores de vazão registrados em agosto passado ficaram 48% e 90% abaixo das vazões mínimas históricas que ocorreram respectivamente nos anos de 2016 e 1999 (Fonte dos dados: ANA e ONS). No Oceano Pacífico Equatorial, destacou-se o surgimento de anomalias negativas de Temperatura da Superfície do Mar (TSM) nas últimas quatro semanas. Estas anomalias, igualmente observadas nas camadas subsuperficiais deste oceano, sinalizam o possível desenvolvimento de um evento de La Niña nos meses subsequentes.

Previsão Climática para o Trimestre OND/2017

ond2017
Figura 1 – Previsão climática por consenso para o trimestre OND/2017.

A previsão climática sazonal por consenso¹ para o trimestre outubro, novembro e dezembro de 2017 (OND/2017) indica maior probabilidade do total trimestral de chuva ocorrer na categoria abaixo da faixa normal climatológica numa ampla área que inclui parte das
Regiões Norte, Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste, com a seguinte distribuição de probabilidades: 25%, 35% e 40% para as categorias acima, dentro e abaixo da faixa normal  climatológica, respectivamente (Figura 1). Por outro lado, a previsão por consenso indica maior probabilidadedas chuvas ocorrerem na categoria acima da faixa normal no oeste da Região Norte (Roraima, Acre e oeste do Amazonas), com distribuição de probabilidades de 40%, 35% e 25% para as categorias acima, dentro e abaixo da faixa normal climatológica, respectivamente. Para o centro-sul da Região Sul, a previsão indica maior probabilidade das precipitações ocorrerem em torno da faixa normal climatológica, com distribuição de 35%, 40% e 25% para as categorias acima, dentro e abaixo da faixa normal climatológica, respectivamente. Estas previsões refletiram o resultado da maioria dos modelos de previsão climática sazonal. Outros elementos diagnósticos e prognósticos também indicam que, muito provavelmente, haverá atraso no início da estação chuvosa na grande área central do Brasil. Ainda assim, no decorrer do referido trimestre, não se descarta a possibilidade de eventos extremos, bem como grande variabilidade temporal das chuvas no centro-sul do Brasil. As demais áreas do País (área cinza do mapa) apresentam baixa previsibilidade climática sazonal, com igual probabilidade para as três categorias. No trimestre OND/2017, são previstas temperaturas médias em torno da normal climatológica para o oeste da Região Norte e centro-sul da Região Sul. Nas demais áreas do País, a maior probabilidade é de ocorrência de temperaturas acima da normal climatológica.

¹A previsão climática sazonal por consenso de especialistas é baseada na análise diagnóstica das condições oceânicas e atmosféricas globais e em previsões numéricas de modelos dinâmicos e estatísticos de previsão climática sazonal, conjunto este de informações fornecido pelos institutos do MCTIC, centros internacionais de previsão climática sazonal e INMET, FUNCEME e ANA.

Possíveis Impactos da Previsão Climática para o Trimestre OND/2017

  • Os açudes na região semiárida do Nordeste permanecem críticos, com volumes armazenados nos reservatórios equivalentes dos Estados de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará respectivamente iguais a 4,8%, 8,7%, 15,4% e 8,5%. A simulação da reserva hídrica para os reservatórios equivalentes destes Estados aponta que, no final de dezembro de 2017, o volume armazenado diminuirá entre 2% e 5%, aproximadamente, ainda que as chuvas ocorram dentro da normalidade no próximo trimestre, e sejam mantidas as extrações (defluências) atuais. Projeções para o reservatório Epitácio Pessoa/Boqueirão (Paraíba) indicam que, com os aportes atuais da transposição do rio São Francisco, aproximadamente, 0,7 m3/s, e mantendo-se as extrações atuais, o armazenamento tende a permanecer estável. No entanto, este cenário pode ser alterado devido a modificações nas vazões da transposição e na extração de água para o abastecimento público. Para o reservatório Castanhão, no Ceará, as projeções indicam que o volume armazenado pode chegar a 2,5% no início de 2018.
  • Considerando o Índice de Suprimento de Água para a Vegetação (VSWI), parcial para o mês de setembro de 2017, a intensidade da seca permanece severa em algumas áreas localizadas no interior da região semiárida do Nordeste, especialmente na área que engloba a fronteira dos Estados do Piauí, Ceará e Pernambuco, e também no centro da Bahia e noroeste de Minas Gerais. Para o trimestre OND/2017, a análise de impacto está limitada apenas às áreas de pastagens, indicando situação crítica nas áreas acima mencionadas.
  • As vazões afluentes ao reservatório de Três Marias, no alto São Francisco, permanecem bem abaixo da média histórica. No mês de setembro (até o dia 20), as afluências ficaram 89% abaixo da média e, 59% abaixo da vazão mínima observada no período 1941-2016. Segundo as projeções hidrológicas, mesmo com chuvas na média climatológica nos próximos meses, as vazões afluentes ainda ficarão consideravelmente abaixo da média histórica até dezembro de 2017, com possível quebra de recordes mínimos históricos no final da estação seca e no período de transição.
  • Na Região Centro-Oeste, na bacia do rio Tocantins-Araguaia, têm sido observadas precipitações abaixo da média nos últimos dois anos, com graves consequências para os reservatórios na região. Particularmente, o reservatório de Serra da Mesa encontra-se atualmente em 8,16% de seu volume útil. As vazões afluentes ao reservatório encontram-se bem abaixo da média histórica. No mês de setembro (até o dia 13), as afluências ficaram 59% abaixo da média e, segundo as projeções hidrológicas, mesmo com chuvas na média climatológica nos próximos meses, as vazões afluentes ainda ficarão abaixo da média histórica até o final de dezembro.

Nota Explicativa.

Esta previsão foi elaborada pelo GTPCS do MCTIC, durante a reunião climática extraordinária realizada nas dependências do CPTEC/INPE, em Cachoeira Paulista-SP, com a participação de pesquisadores e tecnologistas dos seguintes institutos do MCTIC: Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN) e Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA); e também de órgãos ligados à área de Meteorologia, Climatologia, Hidrologia e Desastres Naturais, a exemplo da Agência Nacional das Águas (ANA), Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), Fundação Cearense de Meteorologia (FUNCEME), entre outros. Os dados, análises e previsões climáticas apresentadas e discutidas durante esta reunião, além de outras informações relevantes sobre as condições oceânicas e atmosféricas utilizadas nestas análises e a situação da chuva em todo o Brasil, estão disponibilizados no portal do INPE/CPTEC. 

ANEXO

Verificação da Previsão Climática Sazonal para o Trimestre JJA/2017

A verificação objetiva, mostrada na Figura 2a, é utilizada como indicador de qualidade da previsão climática sazonal por consenso, elaborada para o trimestre JJA/2017. Para uma efetiva verificação, são consideradas as mesmas áreas que aparecem no mapa de previsão por consenso (Figura 2b). É importante ressaltar que os valores percentuais no mapa da previsão por consenso, em áreas específicas do Brasil, correspondem à distribuição de probabilidades das chuvas ocorrerem nas categorias abaixo, dentro e acima da faixa normal climatológica. Estas probabilidades são estimadas após a análise e discussão de vários campos diagnósticos e prognósticos de previsão climática sazonal, conforme mencionado anteriormente. Já os valores que aparecem no mapa de anomalias de precipitação (em termos de tercis) indicam à porcentagem da área hachurada em cada categoria: acima da média (azul), em torno da média (cinza) e abaixo da média (vermelho). Portanto, estes valores percentuais não indicam probabilidades de ocorrência de precipitação, como mostrado na Figura 2b, mas o quanto da área indicada na previsão por consenso correspondeu às categorias que foram observadas no referido trimestre.

Figura 2 – Verificação do resultado da previsão climática sazonal para o trimestre JJA/2017 (a) para as áreas destacadas no mapa da previsão por consenso, elaborado logo após a reunião climática de maio de 2017 (b).

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