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Previsão Climática para o Trimestre NDJ/2018

Grupo de Trabalho em Previsão Climática Sazonal – GTPCS/MCTIC

Responsável Científico desta Edição: Dr. Luiz Cândido – INPA/MCTIC

Resumo das Condições Climáticas Atuais

A Temperatura da Superfície do Mar (TSM) continua em declínio ao longo do Pacífico Equatorial, com expansão em área e magnitude das anomalias negativas nas últimas semanas de outubro. Este resfriamento é indicativo, muito provavelmente, do estabelecimento da fase inicial de um episódio frio do fenômeno ENOS (El Niño-Oscilação Sul), ou seja, de um evento La Niña. Segundo os modelos de previsão do ENOS, esse evento de La Niña atingirá sua maturação até janeiro de 2018 e será de fraca intensidade e curta duração. No Atlântico Sul, a persistência de uma condição de bloqueio atmosférico proporcionou escassez pluviométrica em grande parte do País, no trimestre julho-agosto-setembro (JAS/2017).

Dentre as exceções, destacou-se a faixa entre o sul de Pernambuco e o sul da Bahia, onde a atividade anticiclônica mais intensa que o normal contribuiu para a ocorrência de chuvas acima da média histórica ao longo deste trimestre. O padrão de bloqueio atmosférico, que persistiu até meados de outubro, também contribuiu, em combinação com outros fatores, para atrasar o início da estação chuvosa na área que engloba as Regiões Centro-Oeste e Sudeste do Brasil.

A situação hídrica de alguns reservatórios permanece bastante crítica tanto nos principais reservatórios do Nordeste (CE, RN, PB e PE), quanto na bacia de Três Marias (bacia do São Francisco) e na sub-bacia de Serra da Mesa (bacia do Tocantins). Na bacia de Três Marias, em particular, a vazão registrada em setembro correspondeu a 42% da vazão mínima histórica ocorrida em 2014, podendo bater o recorde mínimo histórico também em outubro corrente.

Previsão Climática para o Trimestre NDJ/2018

Figura 1 – Previsão climática por consenso para o trimestre NDJ/2018.

A previsão climática sazonal por consenso¹ para o trimestre novembro e dezembro de 2017 e janeiro de 2018 (NDJ/2018) indica maior probabilidade do total trimestral de chuva ocorrer na categoria abaixo da faixa normal climatológica numa ampla área que inclui parte das Regiões Norte, Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste, com a seguinte distribuição de probabilidades: 25%, 35% e 40% para
as categorias acima, dentro e abaixo da faixa normal climatológica, respectivamente (Figura 1). Por outro lado, a previsão por consenso indica maior probabilidade das chuvas ocorrerem na categoria acima da faixa normal no oeste da Região Norte (Acre e oeste do Amazonas), com distribuição de probabilidades de 40%, 35% e 25% para as categorias acima, dentro e abaixo da faixa normal climatológica, respectivamente.

Para o centro-sul da Região Sul, a previsão indica maior probabilidade das precipitações ocorrerem na categoria dentro da faixa normal climatológica, porém com distribuições distintas para as categorias acima e abaixo da faixa normal climatológica nas partes norte (35%, 40% e 25%) e sul (25%, 40% e 35%) desta área. A transição para a estação chuvosa teve início no final de outubro, na área central do Brasil, porém seu estabelecimento só deve ocorrer em meados de novembro, com a provável formação do primeiro episódio de Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) da temporada 2017/2018. Contudo, espera-se uma grande variabilidade temporal das chuvas no centro-sul do Brasil, no decorrer do trimestre NDJ/2018. As demais áreas do País (área cinza do mapa) apresentam baixa previsibilidade climática sazonal, com igual probabilidade para as três categorias.

No trimestre NDJ/2018, são previstas temperaturas acima da média no leste da Região Norte, na Região Nordeste e no norte da Região Sudeste. Nas demais áreas do País, a maior probabilidade é de ocorrência de temperaturas em torno da normal climatológica.

¹A previsão climática sazonal por consenso de especialistas é baseada na análise diagnóstica das condições oceânicas e atmosféricas globais e em previsões numéricas de modelos dinâmicos e estatísticos de previsão climática sazonal, conjunto este de informações fornecido pelos institutos do MCTIC, centros internacionais de previsão climática sazonal e INMET, FUNCEME e ANA.

Possíveis Impactos da Previsão Climática para o Trimestre NDJ/2018

  • Os açudes na região semiárida do Nordeste permanecem críticos, com volumes armazenados nos reservatórios equivalentes dos Estados de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará, respectivamente iguais a 4,6%, 6,9%, 13,8% e 7,5%. A simulação da reserva hídrica para os reservatórios equivalentes destes Estados, aponta que os volumes armazenados continuarão em declínio no próximo trimestre (NDJ), mantendo as extrações (defluências) atuais. Projeções para o reservatório Epitácio Pessoa/Boqueirão (Paraíba) indicam que, com os aportes atuais da transposição do rio São Francisco, mantendo-se as extrações atuais, o armazenamento tende a aumentar no trimestre. No entanto, este cenário pode ser alterado devido a modificações nas vazões da transposição e na extração de água para o abastecimento público. Para o reservatório Castanhão, no Ceará, as projeções indicam que o volume armazenado pode chegar a 2,5% no início de 2018.
  • Considerando o Índice de Suprimento de Água para a Vegetação (VSWI), parcial para o mês de outubro de 2017, a intensidade da condição de seca permanece severa em algumas áreas localizadas no interior da região semiárida do Nordeste, especialmente na área que engloba a fronteira dos Estados do Piauí, Ceará e Pernambuco, e também no centro da Bahia e noroeste de Minas Gerais. Para o trimestre NDJ/2018, a análise de impacto está limitada apenas às áreas de pastagens, indicando situação crítica nas áreas acima mencionadas
  • As vazões afluentes ao reservatório de Três Marias, no alto São Francisco, permanecem bem abaixo da média histórica. No mês de outurbro (até o dia 20), as afluências ficaram 91% abaixo da média e, 44% abaixo da vazão mínima observada no período 1941-2016. Segundo as projeções hidrológicas, mesmo com chuvas na média climatológica nos próximos meses, as vazões afluentes ainda ficarão consideravelmente abaixo da média histórica até janeiro de 2018.
  • Na Região Centro-Oeste, na bacia do rio Tocantins-Araguaia, as vazões afluentes ao reservatório de Serra da Mesa encontram-se bem abaixo da média histórica. No mês de outubro (até o dia 18), as afluências ficaram 74% abaixo da média e, segundo as projeções hidrológicas, ainda que as chuvas aconteçam na média climatológica nos próximos meses, as vazões afluentes ainda ficarão abaixo da média histórica até o final de janeiro de 2018.

Nota Explicativa.

Esta previsão foi elaborada pelo GTPCS do MCTIC, durante a reunião climática extraordinária realizada nas dependências do CPTEC/INPE, em Cachoeira Paulista-SP, com a participação de pesquisadores e tecnologistas dos seguintes institutos do MCTIC: Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN) e Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA); e também de órgãos ligados à área de Meteorologia, Climatologia, Hidrologia e Desastres Naturais, a exemplo da Agência Nacional das Águas (ANA), Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), Fundação Cearense de Meteorologia (FUNCEME), entre outros. Os dados, análises e previsões climáticas apresentadas e discutidas durante esta reunião, além de outras informações relevantes sobre as condições oceânicas e atmosféricas utilizadas nestas análises e a situação da chuva em todo o Brasil, estão disponibilizados no portal do INPE/CPTEC. 

ANEXO

Verificação da Previsão Climática Sazonal para o Trimestre JJA/2017

A verificação objetiva, mostrada na Figura 2a, é utilizada como indicador de qualidade da previsão climática sazonal por consenso, elaborada para o trimestre JAS/2017. Para uma efetiva verificação, são consideradas as mesmas áreas que aparecem no mapa de previsão por consenso (Figura 2b). É importante ressaltar que os valores percentuais no mapa da previsão por consenso, em áreas específicas do Brasil, correspondem à distribuição de probabilidades das chuvas ocorrerem nas categorias abaixo, dentro e acima da faixa normal climatológica. Estas probabilidades são estimadas após a análise e discussão de vários campos diagnósticos e prognósticos de previsão climática sazonal, conforme mencionado anteriormente. Já os valores que aparecem no mapa de anomalias de precipitação (em termos de tercis) indicam à porcentagem da área hachurada em cada categoria: acima da média (azul), em torno da média (cinza) e abaixo da média (vermelho). Portanto, estes valores percentuais não indicam probabilidades de ocorrência de precipitação, como mostrado na Figura 2b, mas o quanto da área indicada na previsão por consenso correspondeu às categorias que foram observadas no referido trimestre.

Figura 2 – Verificação do resultado da previsão climática sazonal para o trimestre JAS/2017 (a) para as áreas destacadas no mapa da previsão por consenso, elaborado logo após a reunião climática de junho de 2017 (b).

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