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Previsão Climática para o Trimestre MAM/2018

Grupo de Trabalho em Previsão Climática Sazonal – GTPCS/MCTIC

Responsável Científico desta Edição:  Dr. Marcelo Seluchi – CEMADEN/MCTIC

Resumo das Condições Climáticas Atuais

O fenômeno La Niña atingiu seu auge no trimestre NDJ/2018, quando o valor do índice de anomalia de Temperatura da Superfície do Mar (TSM) chegou a -1°C na região do Niño 3.4 (centro-leste do Pacífico Equatorial). A maioria dos modelos de previsão de anomalias de TSM prevê o declínio deste episódio no decorrer do trimestre MAM/2018. No Atlântico Tropical Norte, destacou-se a diminuição das anomalias positivas de TSM, o que pode ter contribuído para a atuação da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) ao sul de sua posição climatológica na faixa equatorial do Oceano Atlântico, na segunda quinzena de fevereiro de 2018. De modo geral, as chuvas apresentaram-se predominantemente abaixo da média na maior parte do Brasil em janeiro de 2018. No centro-sul do País, que engloba o sul do Mato Grosso do Sul e de São Paulo e toda a Região Sul, as chuvas excederam a média histórica para o período, com expressivos acumulados de chuva em cidades do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Ainda no final de janeiro e no decorrer de fevereiro, a passagem de um pulso da Oscilação Madden-Julian (OMJ) sobre a América do Sul, favorável ao aumento das chuvas, e a atuação de sistemas transientes contribuíram para a formação de dois eventos de Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS). As estações automáticas do CEMADEN registraram expressivos acumulados de chuva em curto período, causando transtornos à população das Regiões Norte, Nordeste e norte da Região Sudeste. Nas cidades do
Rio de Janeiro-RJ (132,8 mm/1h, dia 15) e Ubatuba-SP (298,9 mm/24h, entre os dias 22/23), as ocorrências de deslizamentos e inundações causaram morte e danos materiais.

Previsão Climática para o Trimestre MAM/2018

Figura 1 – Previsão climática por consenso para o trimestre MAM/2018.

A previsão climática sazonal por consenso¹ para o trimestre março, abril e maio de 2018 (MAM/2018) indica maior probabilidade do total trimestral de chuva ocorrer nas categorias dentro a acima da faixa normal climatológica na faixa que se estende do Amapá ao extremo norte do Rio Grande do Norte, com a seguinte distribuição de probabilidades: 35%, 40% e 25% para as categorias acima, dentro e abaixo da faixa normal climatológica, respectivamente (Figura 1).

No interior na região semiárida do Nordeste, a previsão por consenso indica maior probabilidade de totais pluviométricos na categoria dentro da faixa normal climatológica, com distribuição de probabilidades de 30%, 40% e 30% para as categorias acima, dentro e abaixo da faixa normal climatológica, respectivamente. Para o centro-sul da Região Sul, a previsão indica maior probabilidade de chuvas na categoria abaixo da faixa normal climatológica, com distribuição de probabilidade de 25%, 35% e 40% para as categorias acima e abaixo da faixa normal climatológica, respectivamente.

Nas demais áreas do País (área cinza do mapa), a previsão apresenta baixa previsibilidade climática sazonal, com igual probabilidade para as três categorias. Esta previsão considerou, principalmente, o declínio do fenômeno La Niña no decorrer do referido trimestre, bem como a inversão das anomalias de TSM no Atlântico Tropical Norte (como mencionado anteriormente). Por esta razão, o período chuvoso no norte da Região Nordeste, em particular no interior da região semiárida, poderá se desenvolver com acentuada variabilidade temporal e espacial das chuvas.
Para o trimestre MAM/2018, são previstas temperaturas em torno da normal climatológica em todo o País. Na Região Norte, apesar do aumento das chuvas em fevereiro, ainda são esperadas cotas abaixo do nível de transbordamento para o rio Madeira, no cenário de chuvas na média histórica para o trimestre MAM/2018.

[1] A previsão climática sazonal por consenso de especialistas é baseada na análise diagnóstica das condições oceânicas e atmosféricas globais e em previsões numéricas de modelos dinâmicos e estatísticos de previsão climática sazonal, conjunto este de informações fornecido pelos institutos do MCTIC, centros internacionais de previsão climática sazonal e INMET, FUNCEME e ANA.

Previsão de Possíveis Impactos da Previsão Climática para o Trimestre MAM/2018

  • Reservas Hídricas dos Açudes do Semiárido Brasileiro (acima de 10 hm³) Os valores de água armazenada nos açudes da região semiárida do Nordeste permanecem críticos,com volumes armazenados nos reservatórios equivalentes dos Estados de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará, em fevereiro de 2018, respectivamente iguais a 5,0%, 6,8%, 11,0% e 5,7%. Com base na previsão climática sazonal para a Região Nordeste, a simulação da reserva hídrica para os reservatórios equivalentes destes Estados – considerando um cenário de chuvas na média, as demandas e extrações atuais – aponta que os volumes armazenados permaneçam críticos até o final do trimestre MAM, em pior situação que em maio de 2017 na Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte. O Estado do Ceará tem possibilidade de aumentar o volume armazenado no reservatório equivalente, caso ocorram chuvas na média histórica. Projeções para o reservatório Epitácio Pessoa/Boqueirão (Paraíba) indicam que, com os aportes da transposição do rio São Francisco e mantendo-se as extrações atuais, o armazenamento de água tende a aumentar, aproximando-se a 17% em maio de 2018. Ressalta-se que este cenário pode ser alterado devido a modificações nas vazões da transposição e na extração de água para o abastecimento público. Para o reservatório Castanhão, no Ceará, principal sistema de abastecimento da Região Metropolitana de Fortaleza, as projeções indicam que, o volume armazenado pode chegar até um valor mínimo de 2,8% em maio de 2018, aproximadamente.
  • Agricultura de Sequeiro da Região Semiárida (calendário de plantio entre os meses de janeiro a março)
    Considerando o Índice Integrado de Seca (IIS) para o último mês de fevereiro de 2018, condições de seca severa e extrema são observadas principalmente nos Estados do Rio Grande do Norte, Paraíba, Ceará, Piauí e Maranhão. Em um possível cenário de chuvas dentro da média climatológica para o trimestre MAM/2018, municípios em condição de seca moderada poderão ainda ser impactados, embora de maneira menos intensa. A recorrência de seca dos últimos anos pode indicar que a recuperação dos solos da região ocorra de forma mais gradativa. Assim, ainda que ocorram chuvas dentro do esperado, a produtividade agrícola ainda pode ser menor do que a média.
  • Reservatório de Três Marias do Rio São Francisco
    No mês de fevereiro (até o dia 21), a vazão média afluente ao reservatório de Três Marias, no alto São Francisco, foi de 589 m3/s, aproximadamente 56% abaixo da média para este mês. De acordo com as projeções hidrológicas, em um cenário hipotético de chuvas na média climatológica para o trimestre MAM, a vazão afluente ficaria próxima à média histórica (MLT: 1999-2017).
  • Reservatório de Serra da Mesa, Sistema Araguaia-Tocantins
    Na Região Centro-Oeste, na bacia do rio Tocantins-Araguaia, a vazão média afluente ao reservatório de Serra da Mesa foi de 1085 m³/s, aproximadamente 12% abaixo da média histórica
    para este mês. Segundo as projeções hidrológicas, em um cenário de chuvas na média climatológica para o trimestre MAM, a vazão afluente ficaria 17% abaixo da média histórica (MLT
    1999-2017), aproximadamente.
  • Bacia do Rio Madeira
    Na Região Norte, apesar do aumento das chuvas em fevereiro, ainda são esperadas cotas abaixo do nível de transbordamento para o rio Madeira, caso as chuvas no trimestre MAM/2018 sejam na média histórica. No cenário hipotético de chuvas iguais as do trimestre MAM/2014, o rio transbordará, no entanto as cotas ficariam abaixo das cotas registradas em 2014.
  • Queimadas em Roraima
    Roraima apresentou o maior número de focos de queimadas devido à estiagem que se observou no início deste ano. Os 470 focos de queimadas detectados pelo satélite NASA-AQUA_M-T
    representaram um aumento de 340% em comparação com janeiro de 2017. As queimadas tendem a diminuir a partir de abril, com o início do período mais chuvoso.

ANEXO

Verificação da Previsão Climática Sazonal para o Trimestre NDJ/2018

A Figura 2a mostra a verificação objetiva utilizada como indicador de qualidade da previsão climática sazonal por consenso, elaborada para o trimestre NDJ/2018 (Figura 2b). Na Figura 2a, são mostradas as anomalias de precipitação efetivamente observadas (em termos de tercis) para as categorias acima da média (azul), em torno da média (branca) e abaixo da média (vermelho) em todo o País. Na Figura 2b, os valores percentuais no mapa da previsão por consenso correspondem à distribuição de probabilidades de ocorrência de chuva nas categorias abaixo, dentro e acima da faixa normal climatológica em áreas específicas do Brasil. Estas probabilidades são estimadas após a análise e discussão de vários campos diagnósticos e prognósticos de previsão climática sazonal, conforme mencionado anteriormente. A Figura 2c mostra o recorte espacial das áreas para as quais foram realizadas previsões climáticas sazonais por consenso sobreposto à Figura 2a. Houve razoável grau de acerto das previsões, exceto para o oeste da Região Norte. Para esta área, a previsão por consenso indicou maior probabilidade na categoria acima da faixa normal climatológica (Figura 2b), porém as observações mostraram predominância de chuvas na categoria abaixo da normal (Figura 2c).

Figura 2 – Verificação da previsão climática sazonal para o trimestre NDJ/2018 (a), mapa da previsão por consenso elaborado logo após a reunião climática de outubro de 2017 (b) e mapa com a previsão climática por consenso superposta às observações de anomalias de chuva por categoria (c).

Nota Explicativa.

Esta previsão foi elaborada pelo GTPCS do MCTIC, durante a reunião climática extraordinária realizada nas dependências do CPTEC/INPE, em Cachoeira Paulista-SP, com a participação de pesquisadores e tecnologistas dos seguintes institutos do MCTIC: Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais CEMADEN) e Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA); e também de órgãos ligados à área de Meteorologia, Climatologia, Hidrologia e Desastres Naturais, a exemplo da Agência Nacional das Águas (ANA), Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), Fundação Cearense de Meteorologia (FUNCEME), entre outros. Os dados, análises e previsões climáticas presentadas e discutidas durante esta reunião, além de outras informações relevantes sobre as condições oceânicas e atmosféricas utilizadas nestas análises e a situação da chuva em todo o Brasil, estão disponibilizados no portal do INPE/CPTEC. 

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