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Previsão Climática para o Trimestre JJA/2018

Grupo de Trabalho em Previsão Climática Sazonal – GTPCS/MCTIC

Responsável Científico desta Edição:   Luiz Cândido (INPA)  

Resumo das Condições Climáticas Atuais

O fenômeno La Niña continua em declínio na região equatorial do Oceano Pacífico, com destaque para o enfraquecimento dos ventos alísios e a diminuição da temperatura das águas superficiais anomalamente frias principalmente na parte central deste oceano. Por esta razão, observou-se a diminuição dos índices de Oscilação Sul (IOS) e Oceânico do Niño (ONI) que passaram a 0,5 e -0,6°C, respectivamente, em abril e no último trimestre (FMA). A partir do próximo trimestre até o final de 2018, os modelos de previsão da Temperatura da Superfície do Mar (TSM) já indicam uma possível transição da condição de neutralidade para a condição de El Niño, que é o episódio quente do fenômeno El Niño-Oscilação Sul (ENOS). Na região central do Atlântico Equatorial, destacou-se a atuação da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) ligeiramente ao norte de sua posição climatológica e com fraca atividade convectiva em abril passado.  Contudo, sua atuação foi notada próximo da posição climatológica adjacente à costa norte da América do Sul, o que explicaria, em parte, as chuvas acima da média histórica no norte das Regiões Norte e Nordeste, principalmente no decorrer da primeira quinzena de abril. A partir da segunda quinzena de abril e em maio corrente, notou-se à passagem de um pulso subsidente da Oscilação de Madden-Julian (OMJ) que é desfavorável à ocorrência de chuvas, o que resultou na predominância de déficit pluviométrico em boa parte do Brasil. Destacaram-se os acumulados de chuva em abril nas cidades de Eirunepé, no sudoeste do Amazonas (503,6 mm), segundo dados do INMET, e em São Luís-MA (585 mm), segundo dados do CEMADEN. Nestas localidades, os valores climatológicos são respectivamente iguais a 264,4 mm e 457,6 mm (Fonte: INMET).

Previsão Climática para o Trimestre JJA/2018

Figura 1 – Previsão climática por consenso para o trimestre JJA/2018.

A previsão climática sazonal por consenso1 para o trimestre junho, julho e agosto de 2018 (JJA/2018) indica maior probabilidade do total trimestral de chuva ocorrer nas categorias dentro da faixa normal climatológica no norte da Região Norte, na faixa que se estende do norte do Amazonas ao norte do Pará, e no centro-sul da Região Sul, com a seguinte distribuição de probabilidades: 25%, 40% e 35% para as categorias acima, dentro e abaixo da faixa normal climatológica, respectivamente (Figura 1). Para ambas as áreas a segunda categoria mais provável é de chuvas abaixo da faixa normal climatológica. No leste da Região Nordeste, a previsão por consenso indica maior probabilidade dos totais pluviométricos ocorrerem na categoria abaixo da faixa normal climatológica, com distribuição de probabilidades de 25%, 35% e 40% para as categorias acima, dentro e abaixo da faixa normal climatológica, respectivamente. Nas demais áreas do País (área cinza do mapa), a previsão apresenta baixa previsibilidade climática sazonal, com igual probabilidade para as três categorias. No decorrer do referido trimestre, ainda pode ocorrer acentuada variabilidade temporal e espacial das chuvas. Para este trimestre, as temperaturas são previstas dentro da normal climatológica em todo o País, com a alternância de períodos mais frios e mais quentes, característicos da estação de outono.

[1] A previsão climática sazonal por consenso de especialistas é baseada na análise diagnóstica das condições oceânicas e atmosféricas globais e em previsões numéricas de modelos dinâmicos e estatísticos de previsão climática sazonal, conjunto este de informações fornecido pelos institutos do MCTIC, centros internacionais de previsão climática sazonal e INMET, FUNCEME e ANA.

Previsão de Possíveis Impactos da Previsão Climática para o Trimestre JJA/2018

  • Reservas Hídricas dos Açudes do Semiárido Brasileiro (acima de 10 hm³) Os valores de água armazenada nos açudes da região semiárida do Nordeste permanecem críticos, com volumes armazenados nos reservatórios equivalentes dos Estados de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará, em abril de 2018, respectivamente iguais a 15,3%, 22,1%, 30,0% e 15,2%. O aumento no volume dos reservatórios equivalentes dos estados da Paraíba, do Rio Grande do Norte e do Ceará, em relação ao mês anterior, foi devido às chuvas acima da média no mês de abril. Ressalta-se que o Estado da Paraíba também teve a contribuição da transposição do Rio São Francisco. Levando-se em conta um cenário de chuvas dentro da média, considerando as demandas e extrações atuais, os reservatórios equivalentes da porção semiárida destes Estados permanecerão críticos até o final do trimestre JJA. Projeções para o reservatório Epitácio Pessoa/Boqueirão (Paraíba) indicam que, com os aportes da transposição do rio São Francisco e mantendo-se as extrações atuais, o armazenamento de água aumentará, podendo chegar a 39% em agosto de 2018. Ressalta-se que este cenário pode ser alterado devido às modificações nas vazões da transposição e na extração de água para o abastecimento público. Para o reservatório Castanhão, no Ceará, que contribui para o abastecimento da região metropolitana de Fortaleza, as projeções indicam que o volume armazenado pode atingir valores superiores a 11%, em agosto de 2018.

  • Agricultura de Sequeiro da Região Semiárida (calendário de plantio entre os meses de março a maio)
    Considerando o Índice Integrado de Seca (IIS), para o mês de maio desse ano, a condição de seca leve e moderada permanece em algumas áreas localizadas na porção nordeste do Estado da Bahia. Espera-se que ocorra uma atenuação do número de municípios afetados pela seca, em um cenário de chuvas 25% acima da média climatológica para o trimestre JJA/2018. Por outro lado, considerando um cenário de chuvas 25% abaixo do normal, o que é mais provável, em cerca de 280 municípios localizados na zona da mata e agreste, a produtividade agrícola poderá ser afetada.
  • Reservatório de Três Marias do Rio São Francisco
    No mês de maio (até o dia 23), a vazão média afluente ao reservatório de Três Marias, no alto São Francisco, foi de 151 m³/s, aproximadamente 36% da média para este mês. De acordo com as projeções hidrológicas, em um cenário hipotético de chuvas na média climatológica para o trimestre JJA, a vazão afluente ficaria em torno de 54% da média histórica (MLT: 1983-2017).
  • Reservatório de Serra da Mesa, Sistema Araguaia-Tocantins
    Na Região Centro-Oeste, a vazão média afluente ao reservatório de Serra da Mesa, bacia de cabeceira do Rio Tocantins no mês de maio (até o dia 23), foi de 350 m³/s, aproximadamente 68%
    da média histórica para este mês. Segundo as projeções hidrológicas, em um cenário de chuvas na média climatológica para o trimestre JJA, a vazão afluente ficaria 75% da média histórica (MLT 1983-2017), aproximadamente.
  • Queimadas em Roraima
    Roraima termina a temporada de queimadas 2017/2018 com o terceiro maior registro nos últimos 20 anos, com 2.600 focos. Em abril passado, detectaram-se 185 focos a partir das imagens do satélite NASA-AQUA M_T. Comparativamente ao mesmo período de 2017, houve um aumento de 165% no número de focos de queimadas.

ANEXO

Verificação da Previsão Climática Sazonal para o Trimestre FMA/2018

A Figura 2a mostra a verificação objetiva utilizada como indicador de qualidade da previsão climática sazonal por consenso, elaborada para o trimestre NDJ/2018 (Figura 2b). Na Figura 2a, são mostradas as anomalias de precipitação efetivamente observadas (em termos de tercis) para as categorias acima da média (azul), em torno da média (branca) e abaixo da média (vermelho) em todo o País. Na Figura 2b, os valores percentuais no mapa da previsão por consenso correspondem à distribuição de probabilidades de ocorrência de chuva nas categorias abaixo, dentro e acima da faixa normal climatológica em áreas específicas do Brasil. Estas probabilidades são estimadas após a análise e discussão de vários campos diagnósticos e prognósticos de previsão climática sazonal, conforme mencionado anteriormente. A Figura 2c mostra o recorte espacial das áreas para as quais foram realizadas previsões climáticas sazonais por consenso sobreposto à Figura 2a. Considerando a alta variabilidade espacial das anomalias de precipitação por categoria, mostradas na Figura 2a, houve razoável grau de acerto das previsões na área que inclui parte da Região Nordeste, assim como na área que abrange a Região Sul. Já para a área que engloba o extremo norte do Acre, norte e oeste do Amazonas, Roraima, Amapá e noroeste do Pará, a previsão por consenso indicou maior probabilidade na categoria acima da faixa normal climatológica (Figura 2b), porém as observações mostraram predominância de chuvas na categoria abaixo da normal (Figura 2c)

Figura 2 – Verificação da previsão climática sazonal para o trimestre FMA/2018 (a), mapa da previsão por consenso elaborado logo após a reunião climática de janeiro de 2018 (b) e mapa com a previsão climática por consenso superposta às observações de anomalias de chuva por categoria (c).

Nota Explicativa.

Esta previsão foi elaborada pelo GTPCS do MCTIC, durante a reunião climática ordinária realizada nas dependências do CPTEC/INPE, em Cachoeira Paulista-SP, com a participação de pesquisadores e tecnologistas dos seguintes institutos do MCTIC: Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN) e Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA); e também de órgãos ligados à área de Meteorologia, Climatologia, Hidrologia e Desastres Naturais, a exemplo da Agência Nacional das Águas (ANA), Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), Fundação Cearense de Meteorologia (FUNCEME), Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), entre outros. Os dados, análises e previsões climáticas apresentadas e discutidas durante esta reunião, além de outras informações relevantes sobre as condições oceânicas e atmosféricas utilizadas nestas análises e a situação da chuva em todo o Brasil, assim como análises e previsões de impactos em vários setores, estão disponibilizados no portal do INPE/CPTEC.

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