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Previsão Climática para o Trimestre JFM/2018

Grupo de Trabalho em Previsão Climática Sazonal – GTPCS/MCTIC

Responsável Científico desta Edição: Dr. José Marengo – CEMADEN/MCTIC 

Resumo das Condições Climáticas Atuais

As anomalias negativas de Temperatura da Superfície do Mar (TSM), ao longo do Pacífico Equatorial, ainda são sugestivas da evolução da fase fria do fenômeno El Niño-Oscilação Sul (ENOS), ou seja, de um episódio de La Niña. Na região do Niño 3.4, o Oceanic Niño Index (ONI) atingiu -0,7°C no último trimestre (SON). Em persistindo com valor abaixo de -0,5°C por cinco trimestres móveis consecutivos, o referido índice é um dos indicadores da efetiva configuração deste episódio.

Os modelos de previsão do ENOS continuam apontando para a atuação da La Niña, pelo menos até o outono de 2018. Por outro lado, as anomalias positivas de TSM no Atlântico Tropical Norte e próximas à média no Atlântico Tropical Sul resultam em condições que poderão se tornar desfavoráveis à ocorrência de chuvas no norte da Região Nordeste do Brasil nos meses subsequentes. Em novembro e dezembro corrente, com a mudança observada nas condições de bloqueio atmosférico sobre o Hemisfério Sul, estabeleceu-se o período chuvoso na grande área central do Brasil.

Neste mesmo período, houve a formação de episódios de Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) que favoreceram a ocorrência de chuvas acima da média histórica, principalmente nas Regiões Sudeste e Centro-Oeste do Brasil. Por esta razão, a vazão afluente à sub-bacia de Três Marias, que se encontrava muito próxima dos registros mínimos em novembro passado, praticamente atingiu o valor médio histórico na primeira quinzena de dezembro.

Previsão Climática para o Trimestre JFM/2018

Figura 1Previsão climática por consenso para o trimestre JFM/2018.

A

previsão climática sazonal por consenso[1] para o trimestre janeiro, fevereiro e março de 2018 (JFM/2018) indica maior probabilidade do total trimestral de chuva ocorrer na categoria abaixo da faixa normal climatológica na maior parte da Região Nordeste e no leste do Tocantins, com a seguinte distribuição de probabilidades: 25%, 35% e 40% para as categorias acima, dentro e abaixo da faixa normal climatológica, respectivamente (Figura 1). Para a Região Norte, a previsão por consenso indica maior probabilidade das chuvas ocorrerem na categoria acima da faixa normal, com distribuição de probabilidades de 50%, 30% e 20% para as categorias acima, dentro e abaixo da faixa normal climatológica, respectivamente.

Para o centro sul do Brasil, que inclui o sul dos Estados do Mato Grosso do Sul e de São Paulo, manteve-se a previsão de maior probabilidade das precipitações ocorrerem na categoria dentro da faixa normal climatológica,  com distribuições distintas para as categorias acima e abaixo da faixa normal climatológica nas partes norte (35%, 40% e 25%) e sul (25%, 40% e 35%), respectivamente.

Nas demais áreas do País (área cinza do mapa), a previsão apresenta baixa previsibilidade climática sazonal, com igual probabilidade para as três categorias. Ressalta-se a possibilidade de grande irregularidade temporal e espacial das chuvas, principalmente na área central e leste do Brasil – região de atuação da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) – no decorrer dos próximos meses.  Para o trimestre JFM/2018, são previstas temperaturas variando de normal a acima da média na Região Nordeste. Nas demais áreas do País, a maior probabilidade é de ocorrência de temperaturas em torno da normal climatológica.

[1] A previsão climática sazonal por consenso de especialistas é baseada na análise diagnóstica das condições oceânicas e atmosféricas globais e em previsões numéricas de modelos dinâmicos e estatísticos de previsão climática sazonal, conjunto este de informações fornecido pelos institutos do MCTIC, centros internacionais de previsão climática sazonal e INMET, FUNCEME e ANA.

Possíveis Impactos da Previsão Climática para o Trimestre JFM/2018

  • Os açudes na região semiárida do Nordeste permanecem críticos, com volumes armazenados nos reservatórios equivalentes dos Estados de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará, respectivamente iguais a 4,3%, 6,8%, 12,6% e 6,4%. A simulação da reserva hídrica para os reservatórios equivalentes destes Estados aponta que os volumes armazenados tendem a se manter estáveis, com pequenas variações até março de 2018, mantendo-se as extrações (defluências) atuais. A maior variação é esperara para o estado do Ceará, com projeções de chegar a 12% em março de 2018. Projeções para o reservatório Epitácio Pessoa/Boqueirão (Paraíba) indicam que, com os aportes atuais da transposição do rio São Francisco, mantendo-se as extrações atuais e considerando um cenário hipotético de chuvas em torno da média no referido trimestre, o armazenamento de água tende a aumentar, aproximando-se a 14% em março de 2018. No entanto, este cenário pode ser alterado devido a modificações nas vazões da transposição e na extração de água para o abastecimento público. Para o reservatório Castanhão, no Ceará, as projeções indicam que o volume armazenado pode chegar a 2,5% no início de 2018, com possibilidade de ligeiro aumento até março de 2018.
  • Considerando o Índice de Suprimento de Água para a Vegetação (VSWI), parcial para o mês de dezembro de 2017, a intensidade da condição de seca permanece severa em algumas áreas localizadas no interior da região semiárida do Nordeste, especialmente na área que engloba a fronteira dos Estados do Piauí, Ceará e Pernambuco, e também no centro da Bahia e noroeste de Minas Gerais. Para o trimestre JFM/2018, a análise de impacto está limitada apenas às áreas de pastagens, indicando situação crítica nas áreas acima mencionadas.
  • No mês de dezembro (até o dia 13), as vazões afluentes ao reservatório de Três Marias, no alto São Francisco, atingiram a média histórica em função das chuvas observadas na primeira quinzena de dezembro de 2017, chegando a 1093 m3/s. Ainda assim, segundo as projeções hidrológicas, mesmo em um cenário hipotético de chuvas 25% acima da média climatológica nos próximos meses, as vazões afluentes ainda ficariam abaixo da média histórica até março de 2018.
  • Na Região Centro-Oeste, na bacia do rio Tocantins-Araguaia, as vazões afluentes ao reservatório de Serra da Mesa também se elevaram em relação aos meses anteriores. No mês de dezembro (até o dia 13), as afluências ficaram 18% abaixo da média e, segundo as projeções hidrológicas, em um cenário de chuvas na média climatológica nos próximos meses, as vazões afluentes ficariam próximas à média histórica até o final de março de 2018.

Nota Explicativa.

Esta previsão foi elaborada pelo GTPCS do MCTIC, durante a reunião climática extraordinária realizada nas dependências do CPTEC/INPE, em Cachoeira Paulista-SP, com a participação de pesquisadores e tecnologistas dos seguintes institutos do MCTIC: Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN) e Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA); e também de órgãos ligados à área de Meteorologia, Climatologia, Hidrologia e Desastres Naturais, a exemplo da Agência Nacional das Águas (ANA), Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), Fundação Cearense de Meteorologia (FUNCEME), entre outros. Os dados, análises e previsões climáticas apresentadas e discutidas durante esta reunião, além de outras informações relevantes sobre as condições oceânicas e atmosféricas utilizadas nestas análises e a situação da chuva em todo o Brasil, estão disponibilizados no portal do INPE/CPTEC. 

ANEXO

Verificação da Previsão Climática Sazonal para o Trimestre SON/2017

A Figura 2a mostra a verificação objetiva utilizada como indicador de qualidade da previsão climática sazonal por consenso, elaborada para o trimestre SON/2017 (Figura 2b). Na Figura 2a, são mostradas as anomalias de precipitação efetivamente observadas (em termos de tercis) para as categorias acima da média (azul), em torno da média (cinza) e abaixo da média (vermelho) em todo o País. Na Figura 2b, os valores percentuais no mapa da previsão por consenso correspondem à distribuição de probabilidades das chuvas ocorrerem nas categorias abaixo, dentro e acima da faixa normal climatológica em áreas específicas do Brasil. Estas probabilidades são estimadas após a análise e discussão de vários campos diagnósticos e prognósticos de previsão climática sazonal, conforme mencionado anteriormente.

Figura 2 – Verificação da previsão climática sazonal para o trimestre SON/2017 (a) e mapa da previsão por consenso para o mesmo período (b), elaborado logo após a reunião climática de agosto de 2017.

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