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Previsão Climática para o Trimestre JAS/2017

Grupo de Trabalho em Previsão Climática Sazonal – GTPCS/MCTIC

Responsável Científico desta Edição: Dr. Carlos Nobre – GTPCS/MCTIC

Resumo das Condições Climáticas Atuais

As anomalias de Temperatura da Superfície do Mar (TSM) continuaram mostrando uma condição de neutralidade em relação ao fenômeno El Niño-Oscilação Sul (ENOS) no Oceano Pacífico Equatorial, no decorrer dos meses de maio e junho. Já na região do Atlântico Tropical Norte, a persistência de anomalias positivas de TSM contribuiu para a atuação da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) entre 5°N e 10°N, ficando ao norte de sua posição climatológica na segunda metade de maio e dentro de sua posição climatológica nas primeiras três semanas de junho.

O período principal da estação chuvosa (MAM) terminou com chuvas abaixo da média no norte da Região Nordeste, em particular no norte da região semiárida. O déficit pluviométrico também foi acentuado na Região Norte, entre o sul de Roraima e o Amapá. Por outro lado, em parte do leste da Região Nordeste – que ainda se encontra no seu período mais chuvoso – houve excesso de chuva principalmente entre Alagoas e Pernambuco. Segundo dados das estações automáticas do CEMADEM¹, os totais mensais de precipitação excederam 700 mm em Sirinhaém-PE e Maceió-AL. Nestas localidades, os maiores acumulados diários foram associados principalmente à propagação de Distúrbios Ondulatórios de Leste (DOL) entre os dias 21 e 29 de maio. Na Região Sul, incluindo o Mato Grosso do Sul e sul de São Paulo, as chuvas de maio até a terceira quinzena de junho estiveram acima da média e com episódios de chuvas intensas que geraram desastres naturais.

A segunda quinzena de maio também foi marcada por incursões de massas de ar frio que declinaram as temperaturas no oeste e sul da Amazônia, contribuindo para a formação do segundo episódio de friagem do ano. No aeroporto de Vilhena-RO, a temperatura máxima registrou um declínio de 8°C entre os dias 27 e 31, passando a 22°C.

Previsão Climática para o Trimestre JAS/2017

Figura da previsão climática por consenso para o trimestre JAS/2017

A previsão climática sazonal por consenso² para o trimestre julho, agosto e setembro de 2017 (JAS/2017) indica maior probabilidade do total trimestral de chuva ocorrer na categoria abaixo da normal climatológica na área que se estende do norte do Amazonas até o norte do Pará e Amapá e na faixa leste da Região Nordeste, com a seguinte distribuição de probabilidades: 25%, 35% e 40% para as categorias acima, dentro e abaixo da faixa normal climatológica, respectivamente (Figura 1). Para a Região Sul do Brasil, incluindo o sul do Mato Grosso do Sul e o sudeste de São Paulo, a previsão por consenso indica maior probabilidade das precipitações ocorrerem em torno da faixa normal climatológica, com distribuição de 35%, 40% e 25% para as categorias acima, dentro e abaixo da faixa normal climatológica, respectivamente. As demais áreas do País (área cinza do mapa) apresentam baixa previsibilidade climática sazonal, com igual probabilidade para as três categorias. É
importante destacar o provável aumento dos focos de calor na grande área central do Brasil, particularmente no final do referido trimestre, em função da baixa pluviosidade. As temperaturas médias para o trimestre JAS são previstas acima da normal climatológica no extremo norte do Brasil e entre valores normais a acima do normal no centro-sul, onde podem ocorrer incursões de massas de ar frio. A ausência de fenômenos de grande escala, como El Niño ou La Niña, que influenciam as anomalias climáticas sazonais, aumenta a incerteza das previsões para o próximo trimestre.

¹A cidade de Sirinhaém-PE acumulou 772,9 mm, dos quais 316,2 foram registrados nos dias 28 e 29 de maio. No município de Maceió-AL, o acumulado mensal atingiu 742,4 mm, sendo 169,6 mm registrados apenas no dia 27 (Fonte: CEMADEN).

²A previsão climática sazonal por consenso de especialistas é baseada na análise diagnóstica das condições oceânicas e atmosféricas globais e em previsões numéricas de modelos dinâmicos e estatísticos de previsão climática sazonal, conjunto este de informações fornecido pelos institutos do MCTIC, centros internacionais de previsão climática sazonal e INMET, FUNCEME e ANA.

Possíveis Impactos da Previsão Climática para o Trimestre JAS/2017

  • Os reservatórios de abastecimento de água permanecem críticos no norte da Região Nordeste, com reservatórios equivalentes próximos a 12% para os Estados do Ceará, Paraíba e Pernambuco e próximo a 18% no Rio Grande do Norte. Projeções para o reservatório Epitácio Pessoa/Boqueirão (Paraíba) indicam que, com aportes adicionais da transposição do São Francisco e mantendo-se as extrações atuais, o armazenamento poderá se recuperar e voltar a atingir o valor de 8,8% – para captação de água por gravidade – entre julho e agosto deste ano. Para o reservatório Castanhão, no Ceará, projeções indicam que o volume pode chegar a 3% no final do período seco. A simulação das reservas hídricas para os reservatórios equivalentes do Rio Grande do Norte e do Pernambuco apontam que no inicio de 2018 os volumes armazenados podem atingir valores próximos a 10%, e, na Paraíba e no Ceará, os valores podem chegar a 7%, ainda que as chuvas ocorram dentro da normalidade no decorrer de 2017, mantendo-se as extrações (defluências) atuais.
  • Considerando o Índice de Suprimento de Água para a Vegetação (VSWI), parcial para o mês de junho de 2017, a intensidade da seca permanece severa no leste da região semiárida, com perspectivas de não recuperação das áreas impactadas pela seca no interior da região semiárida. Uma vez que o calendário de culturas agrícolas da região semiárida teve seu término no mês de junho, para o trimestre JAS/2017, a análise restringe-se à atividade pecuária indicando situação crítica. A avaliação da recorrência mostra que a seca já perdura por pelo menos 21 meses consecutivos em áreas do norte o Maranhão, centro-norte do Piauí, centro do Ceará e de Pernambuco.
  • As vazões afluentes ao reservatório de Três Marias, no alto São Francisco, permanecem bem abaixo da média histórica. No mês de junho (até dia 21), as afluências ficaram 64% abaixo da média e, segundo as projeções hidrológicas, mesmo com chuvas na média climatológica nos próximos meses, as vazões afluentes ainda ficarão bem abaixo da média histórica até o final do ano
  • No monitoramento hidrológico para a Região Norte, destacaram-se os níveis mais críticos nos rios Tapajós (estação Santarém), Negro (estação Manaus) e Amazonas (estação Itacoatiara), cujas cotas atingiram o nível de transbordamento. Entretanto, as vazões já iniciaram o processo de vazante. As chuvas abaixo da média climatológica no norte da Amazônia influenciaram na onda de cheia do rio Amazonas, reduzindo as inundações. Na Região Norte, os rios Negro, Tapajós (estação Santarém) e Amazonas (estações Itacoatiara e Óbidos) iniciaram o período de vazante em junho corrente (Fonte: ANA).

Nota Explicativa.

Esta previsão foi elaborada pelo GTPCS do MCTIC, durante a reunião climática extraordinária realizada nas dependências do CPTEC/INPE, em Cachoeira Paulista-SP, com a participação de pesquisadores e tecnologistas dos seguintes institutos do MCTIC: Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN) e Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA); e também de órgãos ligados à área de Meteorologia, Climatologia, Hidrologia e Desastres Naturais, a exemplo da Agência Nacional das Águas (ANA), Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), Fundação Cearense de Meteorologia (FUNCEME), entre outros. Os dados, análises e previsões climáticas apresentadas e discutidas durante esta reunião, além de outras informações relevantes sobre as condições oceânicas e atmosféricas utilizadas nestas análises e a situação da chuva em todo o Brasil, estão disponibilizados no portal do INPE/CPTEC.

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