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Previsão Climática para o Trimestre FMA/2017

Grupo de Trabalho em Previsão Climática Sazonal – GTPCS/MCTIC

Responsável Científico desta Edição: Dr. Carlos Nobre – Presidente do GTPCS/MCTIC

Resumo das Condições Climáticas Atuais
Os modelos numéricos de previsão sazonal de anomalias de Temperatura da Superfície do Mar (TSM) já sinalizam o término do resfriamento das águas superficiais do Pacífico Equatorial e o estabelecimento de uma condição de neutralidade em relação ao fenômeno El Niño-Oscilação Sul (ENOS) a partir de fevereiro de 2017.

Apesar das análises dos campos atmosféricos e oceânicos globais terem mostrado predominância de padrões comumente associados a anos de seca sobre o Nordeste, também apresentaram algumas condições associadas a anos chuvosos. É o caso do campo de anomalia de altura geopotencial em 500 hPa sobre Terra Nova e Groenlândia, que esteve numa posição intermediária entre padrões precursores de seca e de chuvas abundantes.

Outra variável nesta condição foi a anomalia positiva de TSM no Atlântico Sul, que apresentou gradual aumento, concomitantemente com a diminuição das anomalias positivas de TSM na região do Atlântico Norte. Em se mantendo, este padrão poderia favorecer o deslocamento para sul da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) e contribuir para a ocorrência de chuvas sobre o norte da Região Nordeste nos últimos meses do período chuvoso.

Durante a segunda quinzena de dezembro de 2016 e primeira quinzena de janeiro de 2017, destacou-se o estabelecimento da Alta da Bolívia e dos Vórtices Ciclônicos sobre e próximo à América do Sul, respectivamente, características estas típicas dos meses de verão. Neste período, o predomínio de chuvas abaixo da média histórica na grande área central do Brasil, que engloba as Regiões Centro-Oeste e Sudeste e parte das Regiões Norte e Nordeste, foi consistente com a ausência de episódios bem configurados de Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS)[1] . Destacou-se, ainda, o aumento das chuvas na Região Sul, com ênfase nos valores extremos registrados no litoral do Paraná e no interior do Rio Grande do Sul, em decorrência da intensificação do jato de baixos níveis a leste dos Andes.

Previsão Climática para o Trimestre FMA/2017

Figura da previsão climática por consenso para o trimestre FMA/2017

A previsão climática sazonal por consenso para o trimestre fevereiro, março e abril de 2017 (FMA/2017) indica maior probabilidade do total trimestral de chuva ocorrer na categoria acima da normal climatológica para o norte da Região Norte, com a seguinte distribuição: 40%, 35% e 25% para as categorias acima, dentro e abaixo da faixa normal climatológica, respectivamente.

Para o norte da Região Nordeste, a maioria dos indicadores climáticos globais e dos modelos continua apontando maior probabilidade das chuvas se situarem na categoria abaixo da faixa normal climatológica, com distribuição de probabilidade: 25%, 35% e 40% para as categorias acima, dentro e abaixo da faixa normal climatológica, respectivamente.

Ressalta-se que a previsão de término do fenômeno La Niña[2] , de fraca intensidade, no início do referido trimestre, em conjunto com a alta variabilidade dos fenômenos transientes nas áreas extratropicais do Hemisfério Sul, aumenta as incertezas no tocante à previsão climática sazonal para a Região Sul.

De modo geral, em anos nos quais ocorre a ausência de mecanismos forçantes de grande escala, verifica-se a diminuição do grau de previsibilidade e o aumento da variabilidade espacial e temporal das anomalias de precipitação. As demais áreas do País (área cinza do mapa) também apresentam baixa previsibilidade climática sazonal.

[1] No período de 17 a 23 de janeiro de 2017, estabeleceu-se uma Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) cuja banda de nebulosidade encobriu grande parte das Regiões Sudeste, Centro-Oeste e algumas áreas da Amazônia. Os acumulados de precipitação excederam 260 mm, especialmente no leste de São Paulo (São Caetano do Sul: 280,5 mm e Itapevi: 263 mm) e no sul do Rio de Janeiro (Agra dos Reis: 271,7 mm), segundo dados das estações automáticas do CEMADEN.

[2] Alguns centros climáticos no exterior consideraram que não houve uma clara definição do fenômeno La Ninã, enquanto outros indicaram a ocorrência de La Niña com fraca intensidade.

Possíveis Impactos da Previsão Climática para o Trimestre FMA/2017

  • Considerando um cenário onde as chuvas ocorram entre a média histórica até 30% abaixo da média histórica, a situação hídrica na maioria dos reservatórios de abastecimento de água da Região Nordeste não atingirá recuperação significativa no decorrer do trimestre de FMA/2017 (parte principal da estação chuvosa do semiárido), com acentuado risco de esgotamento da água armazenada entre novembro de 2017 e janeiro de 2018 para os Estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Paraíba.
  • Neste mesmo cenário, projeta-se impacto severo nas condições para agricultura e pecuária durante o período chuvoso principal, com predominância de áreas de seca severa no interior da região semiárida, principalmente no leste do Piauí, sul do Ceará, oeste de Pernambuco e centro-norte da Bahia.
  • Para o extremo norte da Região Norte (que atravessa sua estação seca), destaca-se o aumento do risco de fogo no leste-nordeste de Roraima, a partir de fevereiro próximo.

Esta previsão foi elaborada pelo GTPCS do MCTIC[3] , durante a reunião climática realizada nas dependências do CPTEC/INPE, em Cachoeira Paulista-SP, com a participação de pesquisadores e tecnologistas dos seguintes institutos do MCTIC: Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN) e Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA); e também de órgãos ligados à área de Meteorologia, Climatologia, Hidrologia e Desastres Naturais. Nesta reunião, destaca-se a participação de técnicos da Agência Nacional das Águas (ANA) que apresentaram o quadro de reserva hídrica de médios e grandes açudes no Nordeste.

A previsão por consenso é baseada na análise diagnóstica das condições oceânicas e atmosféricas globais e de modelos dinâmicos e estatísticos de previsão climática sazonal fornecida pelos acima referidos institutos do MCTIC, centros internacionais de previsão climática sazonal e INMET, FUNCEME e ANA. Os dados, análises e previsões climáticas apresentadas e discutidas durante esta reunião, além de outras informações relevantes sobre as condições oceânicas e atmosféricas utilizadas nestas análises e a situação da chuva em todo o Brasil, estão disponibilizados no portal do INPE/CPTEC

[3] A previsão climática por consenso para o trimestre FMA/2017, em particular no que se refere à previsão de chuvas para o norte do Nordeste, será novamente avaliada no dia 03/02/2017, em horário a ser posteriormente divulgado pelo GTPCS do MCTIC.

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