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Previsão Climática para o Trimestre ASO/2017

Grupo de Trabalho em Previsão Climática Sazonal – GTPCS/MCTIC

Responsável Científico desta Edição: Dr. José Marengo – CEMADEN/MCTIC

Resumo das Condições Climáticas Atuais

Persistiram condições de neutralidade em relação ao fenômeno El Niño-Oscilação Sul (ENOS) no Oceano Pacífico Equatorial, no decorrer dos meses de junho e julho. Neste mesmo período, houve aumento das anomalias positivas de TSM na região do Atlântico Tropical Norte, favorecendo o aumento da atividade convectiva na região de atuação da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) nas proximidades da costa noroeste da África. Junho apresentou chuvas predominantemente abaixo da média na Região Norte e no norte da Região Nordeste, em particular no norte da região semiárida, onde a situação hídrica é bastante crítica. O déficit pluviométrico também foi acentuado no Rio Grande do Norte e em parte do setor leste da Paraíba e de Pernambuco. Por outro lado, a intensificação do escoamento anticiclônico próximo à costa leste do Brasil favoreceu o aumento da convergência de umidade entre o sul de Pernambuco e Sergipe, onde choveu acima da média histórica, bem como o desenvolvimento de Distúrbios Ondulatórios de Leste (DOL) em áreas oceânicas adjacentes à Região Nordeste. Segundo dados das estações do INMET e CEMADEN¹ , os maiores totais mensais de precipitação concentraram-se no leste de Alagoas e Pernambuco. A primeira quinzena de junho foi mais chuvosa em toda a Região Sul, mas, no cômputo mensal, as maiores anomalias positivas de precipitação ocorreram no leste de Santa Catarina. Os declínios mais acentuados de temperatura ocorreram na primeira quinzena de junho e, principalmente, em julho corrente, quando se registraram três episódios de friagem no oeste e sul da Amazônia e geada forte em doze municípios no centro-sul do Brasil, segundo dados do INMET.

Previsão Climática para o Trimestre ASO/2017

Figura da previsão climática por consenso para o trimestre ASO/2017
Figura da previsão climática por consenso para o trimestre ASO/2017

A previsão climática sazonal por consenso² para o trimestre agosto, setembro e outubro de 2017 (ASO/2017) indica maior probabilidade do total trimestral de chuva ocorrer na categoria abaixo da normal climatológica na área que se estende de Roraima ao norte do Pará, incluindo o Amapá, com a seguinte distribuição de probabilidades: 25%, 30% e 45% para as categorias acima, dentro e abaixo da faixa normal climatológica, respectivamente (Figura 1). Para a Região Sul, a previsão por consenso indica maior probabilidade das precipitações ocorrerem em torno da faixa normal climatológica, com distribuição de 35%, 40% e 25% para as categorias acima, dentro e abaixo da faixa normal climatológica, respectivamente. Ressalta-se a maior incerteza na previsão elaborada para o sul do Brasil, que se baseou principalmente nos resultados de modelos dinâmicos e estatísticos. O leste da Região Nordeste iniciará seu período climatológico de estiagem no início do referido trimestre, com chuvas de pequena magnitude mais restritas à faixa litorânea. Já para a grande área central do Brasil, o início climatológico das chuvas costuma acontecer a partir de setembro, embora não sejam esperadas grandes volumes de chuva para os próximos meses. As demais áreas do País (área cinza do mapa) apresentam baixa previsibilidade climática sazonal, com igual probabilidade para as três categorias. As temperaturas médias para o trimestre ASO/2017 são previstas entre normal e acima da normal climatológica no centro-norte do Brasil e em torno dos valores climatológicos para o período na Região Sul.

¹Em junho, os totais mensais de precipitação excederam 400 mm nas estações automáticas do CEMADEN localizadas em Pernambuco (Rio Formoso: 528 mm; Ipojuca: 502,2 mm; Barreiros: 456,4 mm; e Cabo de Santo Agostino: 415 mm) e Alagoas (Maceió: 454 mm; e Paripueira: 447,6 mm). Segundo dados do INMET, a chuva acumulada em Maceió-AL (423 mm) excedeu a climatologia para junho (331,9 mm).

²A previsão climática sazonal por consenso de especialistas é baseada na análise diagnóstica das condições oceânicas e atmosféricas globais e em previsões numéricas de modelos dinâmicos e estatísticos de previsão climática sazonal, conjunto este de informações fornecido pelos institutos do MCTIC, centros internacionais de previsão climática sazonal e INMET, FUNCEME e ANA.

Possíveis Impactos da Previsão Climática para o Trimestre ASO/2017

  • Os açudes na região semiárida do Nordeste permanecem críticos, sendo os Estados de Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte os mais críticos, com volumes armazenados nos respectivos reservatórios equivalentes iguais a 8,0%, 8,4%, 8,7% e 14,4%. A simulação da reserva hídrica para o reservatório equivalente da região semiárida do Rio Grande do Norte aponta que, no início de 2018, o volume armazenado pode atingir aproximadamente 10%, ainda que as chuvas ocorram dentro da normalidade no decorrer de 2017, e mantendo-se as extrações (defluências) atuais. Para Pernambuco, Paraíba e Ceará, os reservatórios equivalentes da região semiárida podem atingir valores entre 5% e 7%. Projeções para o reservatório Epitácio Pessoa/Boqueirão (Paraíba) indicam que, com os aportes da transposição do rio São Francisco e mantendo-se as extrações atuais, o armazenamento poderá se recuperar e voltar a atingir o valor de 8,2% – para captação de água por gravidade – no mês de setembro deste ano. No entanto, este cenário pode ser alterado devido a modificações nas vazões da transposição. Para o reservatório Castanhão, no Ceará, as projeções indicam que o volume armazenado pode chegar a 3% no início de 2018.
  • Considerando o Índice de Suprimento de Água para a Vegetação (VSWI), parcial para o mês de julho de 2017, a intensidade da seca permanece severa em algumas áreas localizadas no norte do Estado da Bahia, oeste de Pernambuco e leste dos Estados do Rio Grande do Norte e Paraíba. Uma vez que o calendário de plantio da Região Nordeste finalizou no mês de junho, para o trimestre ASO/2017, a análise de impacto está limitada apenas às áreas de pastagens, indicando situação crítica nas áreas acima mencionadas.
  • As vazões afluentes ao reservatório de Três Marias, no alto São Francisco, permanecem bem abaixo da média histórica. No mês de julho (até o dia 26), as afluências ficaram 81% abaixo da média e, segundo as projeções hidrológicas, mesmo com chuvas na média climatológica nos próximos meses, as vazões afluentes ainda ficarão abaixo da média histórica até o final da próxima estação chuvosa, com possível quebra de recordes mínimos históricos neste período.

Nota Explicativa.

Esta previsão foi elaborada pelo GTPCS do MCTIC, durante a reunião climática extraordinária realizada nas dependências do CPTEC/INPE, em Cachoeira Paulista-SP, com a participação de pesquisadores e tecnologistas dos seguintes institutos do MCTIC: Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN) e Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA); e também de órgãos ligados à área de Meteorologia, Climatologia, Hidrologia e Desastres Naturais, a exemplo da Agência Nacional das Águas (ANA), Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), Fundação Cearense de Meteorologia (FUNCEME), entre outros. Os dados, análises e previsões climáticas apresentadas e discutidas durante esta reunião, além de outras informações relevantes sobre as condições oceânicas e atmosféricas utilizadas nestas análises e a situação da chuva em todo o Brasil, estão disponibilizados no portal do INPE/CPTEC. 

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