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Previsão Climática para o Trimestre AMJ/2017

Grupo de Trabalho em Previsão Climática Sazonal – GTPCS/MCTIC

Responsável Científico desta Edição: Dr. Gilvan Sampaio – CPTEC/MCTIC

Resumo das Condições Climáticas Atuais
As atuais condições oceânicas e atmosféricas globais mostraram a persistência do aquecimento anômalo das águas superficiais no Oceano Pacífico, especialmente adjacente à costa oeste da América do Sul, o que tem contribuído para o excesso de precipitação no Peru e Equador.

Na região do Atlântico Tropical Norte, as anomalias positivas de Temperatura da Superfície do Mar (TSM) contribuíram para a atuação da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) ao norte de sua posição climatológica, em meados de março corrente. Em persistindo, este cenário de anomalias positivas de TSM, tanto no Pacífico Equatorial como ao norte da linha equatorial no Oceano Atlântico, aumentará as chances de continuidade do déficit pluviométrico no norte da Região Nordeste, no final do principal período mais chuvoso (fevereiro a maio).

Desde o mês de fevereiro até o momento, a ausência de episódios de Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) tem sido consistente com a predominância de precipitação abaixo da média histórica na grande área central e Sudeste do Brasil. Destacou-se, contudo, a passagem de perturbações na média e alta troposfera que resultaram em episódios de precipitação intensa, com acumulados superiores a 200 mm no Paraná e em cidades de São Paulo[1].

Na Região Norte, o excesso de precipitação continuou favorecendo a elevação das cotas dos principais rios, aproximando os valores observados dos máximos históricos. Ressalta-se o começo do outono na quarta semana de março, que marca, climatologicamente, o início do período de estiagem nas Regiões Centro-Oeste e Sudeste. As incursões de massas de ar frio amenizaram as temperaturas nas Regiões Sul e Sudeste e em parte da Região Centro-Oeste do Brasil.

Previsão Climática para o Trimestre ANJ/2017

Figura da previsão climática por consenso para o trimestre AMJ/2017

A previsão climática sazonal por consenso[2] para o trimestre abril, maio e junho de 2017 (AMJ/2017) indica maior probabilidade do total trimestral de chuva ocorrer na categoria abaixo da normal climatológica no extremo norte da Região Norte, com a seguinte distribuição: 25%, 35% e 40% para as categorias acima, dentro e abaixo da faixa normal climatológica, respectivamente.

Para a Região Nordeste, os indicadores climáticos globais, bem como a maioria dos modelos de previsão climática sazonal indicam maior probabilidade das precipitações se situarem abaixo da faixa normal climatológica, com distribuição de 20%, 35% e 45% para as categorias acima,
dentro e abaixo da faixa normal climatológica, respectivamente. Para a Região Sul, a previsão por consenso indica maior  probabilidade das chuvas se situarem dentro da faixa normal, com distribuição de 35%, 40% e 25% para as categorias acima, dentro e abaixo da faixa normal climatológica, respectivamente. As demais áreas do País (área cinza do mapa) apresentam baixa  previsibilidade climática sazonal, com igual probabilidade para as três categorias. As temperaturas podem ocorrer entre normal a acima da normal climatológica na maior parte do Brasil.

Ressalta-se o aumento climatológico das incursões de massas de  ar frio no decorrer do trimestre AMJ/2017, bem como o início do período de estiagem nas Regiões Centro-Oeste e Sudeste do País.

[1] As estações automáticas do CEMADEN registraram os maiores totais de chuva nos dias 06/03 (Paranaguá-PR: 293,5 mm) e 18/03 (Itanhaém-SP: 296,9 mm; e Mongaguá-SP: 218,9 mm). A estação convencional do INMET também registrou 221 mm de chuva no dia 06/03, quase o valor climatológico para todo o mês março (268,2 mm).

[2] A previsão climática sazonal por consenso de especialistas é baseada na análise diagnóstica das condições oceânicas e atmosféricas globais e em previsões numéricas de modelos dinâmicos e estatísticos de previsão climática sazonal, conjunto este de informações fornecido pelos institutos do MCTIC, centros internacionais de previsão climática sazonal e INMET, FUNCEME e ANA.

Possíveis Impactos da Previsão Climática para o Trimestre AMJ/2017

  • A situação hídrica na maioria dos reservatórios de abastecimento de água do norte da Região Nordeste permanece extremamente crítica. A simulação das reservas hídricas para os reservatórios equivalentes do Ceará, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte mostram uma considerável diminuição até o início de 2018, ainda que as chuvas ocorram dentro da normalidade no decorrer do trimestre de AMJ/2017, mantendo as extrações (defluências) atuais.
  • O cenário também é crítico para a produção agrícola e pecuária no decorrer do próximo trimestre, com perspectivas de não reversão das áreas impactadas pela seca no interior da região semiárida. A avaliação da recorrência de seca mostrou que ela tem duração ininterrupta de pelo menos 14 meses (chegando a 24 meses) em áreas do norte do Espírito Santo e Minas Gerais, centro-leste do Piauí, oeste de Pernambuco, nordeste da Bahia e leste dos Estados de Alagoas e Sergipe. Atenção deve ser voltada aos municípios inseridos no Agreste e Zona da Mata, cujo calendário de plantio se inicia no mês de abril, com a possibilidade de perdas de safras.
  • O atual cenário hidrológico da Região Norte corresponde ao período do início da cheia anual em grande parte da Bacia Amazônica. Os níveis dos rios Madeira, Negro, Tapajós e Amazonas estão em processo de elevação, com níveis próximos dos máximos históricos nos rios Negro (na estação Manaus), Tapajós (estação Santarém) e Amazonas (estações Itacoatiara e Óbidos). Levando-se em conta a previsão climática, os níveis dos rios, principalmente os afluentes da margem esquerda do rio Amazonas, continuarão em elevação

Nota Explicativa.

Esta previsão foi elaborada pelo GTPCS do MCTIC, durante a reunião climática extraordinária realizada nas dependências do CPTEC/INPE, em Cachoeira Paulista-SP, com a participação de pesquisadores e tecnologistas dos seguintes institutos do MCTIC: Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN) e Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA); e também de órgãos ligados à área de Meteorologia, Climatologia, Hidrologia e Desastres Naturais, a exemplo da Agência Nacional das Águas (ANA), Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), Fundação Cearense de Meteorologia (FUNCEME), entre outros. Os dados, análises e previsões climáticas apresentadas e discutidas durante esta reunião, além de outras informações relevantes sobre as condições oceânicas e atmosféricas utilizadas nestas análises e a situação da chuva em todo o Brasil, estão disponibilizados no portal do INPE/CPTEC.

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