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Previsão Climática – Boletim especial para o Norte e Nordeste para o período fevereiro, março e abril de 2017

Grupo de Trabalho em Previsão Climática Sazonal – GTPCS/MCTIC

Responsável Científico desta Edição: Dr. Carlos Nobre – Presidente do GTPCS/MCTIC

Resumo das Condições Climáticas Atuais
A análise dos campos atmosféricos e oceânicos globais relevantes para a previsão climática sazonal da estação chuvosa de fevereiro a maio no norte do Nordeste, para o mês de janeiro de 2017, destacou:

  • Aumento das anomalias positivas de Temperatura da Superfície do Mar (TSM) no Atlântico  Tropical Norte e tendência de anomalias positivas de altura geopotencial em 500 hPa sobre a Terra Nova e Groenlândia, enfraquecimento da Alta dos Açores e dos ventos alísios de nordeste, padrões estes precursores de anos com chuvas deficientes sobre o norte do Nordeste;
  • Anomalia positiva da componente meridional do vento no Atlântico Equatorial, que apresentou evolução desfavorável à ocorrência de chuvas sobre o norte da Região Nordeste;
  • Esta anomalia, em conjunto com a tendência de dipolo positivo notado no campo de anomalias de TSM (anomalias positivas no Atlântico Tropical Norte e neutras no Atlântico Tropical Sul), pode contribuir para permanência da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) ao norte de sua posição climatológica nos meses subsequentes;
  • No Oceano Pacífico Equatorial, as condições já são de neutralidade em relação às fases fria (La Niña) e quente (El Niño) do fenômeno El Niño-Oscilação Sul (ENOS);
  • De modo geral, janeiro apresentou um padrão de chuvas na pré-estação chuvosa abaixo da média na maior parte do norte do Nordeste;
  • As exceções ocorreram em áreas isoladas no oeste do Maranhão, oeste do Piauí, sul do Ceará e oeste de Pernambuco, onde a atuação de Vórtices Ciclônicos na alta troposfera favoreceu a
    ocorrência de maiores volumes de chuva, especialmente no decorrer da segunda quinzena;
  • No final de janeiro e início de fevereiro corrente, a proximidade da ZCIT adjacente à costa norte da América do Sul também favoreceu a propagação de pulsos que proporcionaram elevados
    acumulados de chuva na faixa litorânea do Ceará.

Previsão Climática para o Trimestre FMA/2017

Figura da previsão climática por consenso para o Nordeste trimestre FMA/2017

A previsão climática sazonal por consenso [1] para o trimestre fevereiro, março e abril de 2017 (FMA/2017) para o norte da
Região Nordeste continua apontando maior probabilidade das chuvas se situarem na categoria abaixo da faixa normal climatológica para o norte da Região Nordeste, com distribuição de probabilidade: 25%, 35% e 40% para as categorias acima, dentro e abaixo da faixa normal climatológica, respectivamente.

Para elaboração desta previsão considerou-se, além de uma série de previsões numéricas para os próximos quatro meses produzidas por modelos atmosféricos e modelos acoplados oceano-atmosfera, os campos diagnósticos atmosféricos e oceânicos que mostraram a persistência de alísios mais fracos que o normal ao longo do Atlântico Tropical e o aumento das anomalias positivas de TSM ao norte do Equador.

Destaca-se que, em função da ausência de forçantes de grande escala do sistema acoplado oceano-atmosfera, de magnitude ou persistência considerável, deve-se esperar uma estação chuvosa no norte do Nordeste com grande variabilidade espacial e temporal. As demais áreas do  Nordeste (área cinza do mapa) apresentam baixa previsibilidade climática sazonal. Na escala de previsão de tempo, a previsão numérica de tempo por conjunto mostra a possibilidade de um intenso evento de Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) para meados de fevereiro, com valores significativos de precipitação previstos entre o norte de Minas Gerais, Espírito Santo e o sul-sudoeste da Bahia.

[1] A previsão climática sazonal por consenso de especialistas é baseada na análise diagnóstica das condições oceânicas e atmosféricas globais e em previsões numéricas de modelos dinâmicos e estatísticos de previsão climática sazonal, conjunto este de informações fornecido pelos institutos do MCTIC, centros internacionais de previsão climática sazonal e INMET, FUNCEME e ANA.

Possíveis Impactos da Previsão Climática para o Trimestre FMA/2017

  • Considerando um cenário em que as chuvas ocorram entre a média histórica e até 30% abaixo da média histórica, a situação hídrica na maioria dos reservatórios de abastecimento de água do norte da Região Nordeste não terá recuperação significativa no decorrer do trimestre de FMA/2017 (parte principal da estação chuvosa do semiárido). Isto implicará em acentuado risco de esgotamento da água armazenada nos médios e grandes açudes, entre novembro de 2017 e fevereiro de 2018, para os Estados do Ceará, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte.
  • Neste mesmo cenário, projeta-se impacto severo para a agricultura e a pecuária durante o período chuvoso principal, com predominância de áreas de seca severa no interior da região semiárida, principalmente no leste do Piauí, sul do Ceará, oeste de Pernambuco e centro-norte da Bahia. Considerando um cenário em que as chuvas do próximo trimestre (FMA) ocorram dentro da média histórica, o cenário atual não se altera e a seca atinge 64% da área do semiárido (54% associadas à seca leve ou moderada e 7% à seca moderada ou extrema). Se o cenário para o próximo trimestre for de chuvas 30% abaixo da média, projeta-se que 68% da área do semiárido serão impactadas pela seca (57% serão afetadas por seca leve ou moderada e 11% por seca severa ou extrema)

Esta previsão foi elaborada pelo GTPCS do MCTIC, durante a reunião climática extraordinária realizada nas dependências do CPTEC/INPE, em Cachoeira Paulista-SP, com a participação de pesquisadores e tecnologistas dos seguintes institutos do MCTIC: Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN) e Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA); e também de órgãos ligados à área de Meteorologia, Climatologia, Hidrologia e Desastres Naturais, a exemplo da Agência Nacional das Águas (ANA), Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), Fundação Cearense de Meteorologia (FUNCEME), entre outros. Os dados, análises e previsões climáticas apresentadas e discutidas durante esta reunião, além de outras informações relevantes sobre as condições oceânicas e atmosféricas utilizadas nestas análises e a situação da chuva em todo o Brasil, estão disponibilizados no portal do INPE/CPTEC

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