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Pesquisas do Cemaden apontam fatores deflagradores de deslizamentos e o monitoramento mais eficaz

Chuvas, cortes verticais excessivos nas encostas, vazamentos pontuais em tubulações ou caixas d’água, infiltração de água servida (esgotos domésticos, fossas negras, etc.) – além da sobrecarga no topo da encosta cortada pela ação humana – são os fatores mais comuns encontrados na maioria das áreas de risco a deslizamentos de terra no Brasil. Os estudos apontam que o sistema de alerta antecipado exige um modelo matemático com dados do monitoramento da chuva associados à umidade do solo, integrando os indicativos dos momentos críticos para o início dos deslizamentos.  

Pesquisadores da área de geodinâmica e de desastres naturais do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) – unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações – divulgaram pesquisa sobre as causas mais comuns de deslizamentos de terra que ocorrem no Brasil, tomando como referência os eventos ocorridos nos municípios de São José dos Campos e Campos do Jordão, estado de São Paulo. Esses eventos ocorreram nos anos de 2016 e 2000, respectivamente, resultando em quatorze vítimas fatais e centenas de pessoas afetadas.

O trabalho científico apresenta o estudo dos principais fatores: climáticos, hidrológicos, geomorfológicos, geológicos, geotécnicos e as influências antrópicas, ou seja, as alterações do meio ambiente provocadas pelo ser humano, que somados resultam no deslizamento da encosta sobre as moradias.

A partir de análises de estabilidade das encostas, considerando os fatores naturais e antrópicos – associados às alterações do terreno feito por ação humana – constatou-se que não poderia obter-se a previsibilidade do deslizamento somente com os dados recebidos pelos pluviômetros, pois os limiares críticos de chuva tendem a ser menores em encostas urbanizadas e densamente ocupadas. Esses limiares referem-se a valores de chuva e/ou umidade do solo a partir dos quais se iniciam os deslizamentos.

Para que houvesse uma eficiência no sistema de alerta antecipado dos deslizamentos, os estudos demonstram que é necessário obter limiares críticos de chuva e umidade do solo a partir de modelos numéricos de análise de estabilidade e infiltração de água no solo. Esses dados devem levar em consideração os principais fatores humanos indutores de deslizamentos (por exemplo, vazamentos em caixas d’água e tubulações, sobrecargas no terreno e cortes nas encostas).

“Considerando que a grande maioria dos escorregamentos em encostas urbanas no Brasil é deflagrada por condicionantes antrópicos, é importante considerar os fatores indutores dos deslizamentos. Isso representa um potencial promissor para o estabelecimento de limiares críticos ambientais, os quais podem ser monitorados em tempo real.”, afirma o pesquisador do Cemaden e coautor dos estudos, engenheiro geotécnico Rodolfo Moreda Mendes. O pesquisador apresenta, como exemplo, os dados referentes à chuva, umidade e sucção do solo, informações importantes para a modelagem numérica aplicada à emissão de alertas antecipados.

Os resultados das pesquisas foram divulgados, recentemente, em artigos publicados em duas revistas internacionais de grande impacto: Geotechnical and Geological Engineering, da editora Springer, artigo intitulado “Stability Analysis on Urban Slopes: Case Study of an Anthropogenic-Induced Landslide in São José dos Campos, Brazil”, que pode ser acessado pelo link (https://link.springer.com/article/10.1007/s10706-017-0303-z). A pesquisa também está disponibilizada na revista Natural Hazards and Earth System Sciences, da Editora Copernicus Publications, artigo intitulado “Understanding shallow landslides in Campos do Jordão Municipality – Brazil: disentangle the anthropic effects from natural causes in the disaster of 2000”, que pode ser acessado pelo link (http://www.nat-hazards-earth-syst-sci-discuss.net/nhess-2017-242/).

 

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