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Pesquisadoras do Cemaden apontam que secas extremas e incêndios na Amazônia aumentam a vulnerabilidade das florestas

Dois trabalhos científicos, publicados nesta semana – mostrando a vulnerabilidade das florestas amazônicas e os impactos das secas extremas e contínuas, além dos incêndios florestais – têm a contribuição de duas pesquisadoras do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). As pesquisas foram divulgadas na Edição Especial que trata sobre os impactos do El Niño em 2015 e 2016, da revista internacional Philosophical Transactions of the Royal Society (PTRS).

No primeiro artigo, os estudos coordenados pela pesquisadora Liana O. Anderson, com a participação da pesquisadora Ana Paula Cunha, ambas do Cemaden, revelam a vulnerabilidade das florestas amazônicas causada pelas secas extremas. A pesquisa aponta que 46% da floresta foi exposta a uma seca severa durante o último El Niño. Mais de 400 mil km2 de florestas foram afetadas por esta seca, diminuindo sua capacidade fotossintética.

“Demonstramos que as florestas vêm sendo, progressivamente, mais afetadas por secas extremas. Isso significa que as secas extremas na Amazônia impactam o funcionamento da floresta, de forma negativa, diminuindo sua capacidade de absorver carbono.”, afirma a pesquisadora Liana Anderson. “As secas extremas têm sido recorrentes na Amazônia nas últimas décadas, causando impactos socioeconômicos e ambientais.”, destaca a pesquisadora.

O artigo intitulado “Vulnerability of Amazonian forests to repeated droughts”  (Vulnerabilidade da Floresta Amazônica causada pelas repetidas secas) está disponibilizado no endereço :

http://rstb.royalsocietypublishing.org/content/373/1760/20170411

No segundo artigo, a pesquisadora do Cemaden, Liana O. Anderson integrou a equipe de pesquisadores de outras instituições, com estudos sobre os impactos, a longo prazo, dos incêndios florestais na Amazônia. “Nós quantificamos que, mesmo após os 31 anos da ocorrência de incêndios florestais, as florestas não recuperam a biomassa.”, alerta a pesquisadora Anderson. Ela explica que os estoques de carbono ficaram cerca de 25% menores  do que nas florestas não impactadas. Essa menor capacidade de estocar carbono das florestas  -que foram impactadas pelos incêndios florestais – deve-se à perda pela mortalidade de árvores, não havendo uma compensação pelo crescimento de novas ou antigas árvores.

Intitulado “Drought-induced Amazonian wildfires instigate a decadal-scale disruption of forest carbon dynamics” (Incêndios florestais provocados pela seca provocam uma ruptura na escala decadal da dinâmica do carbono florestal), os estudos estão disponibilizados no endereço:

http://rstb.royalsocietypublishing.org/content/373/1760/20180043

A revista Philosophical Transactions of the Royal Society,  onde os dois artigos foram divulgados,  teve sua primeira edição publicada em 1665. Uma das primeiras obras de Isaac Newton, foi publicada nessa revista, em 1672. Na revista científica, também  foram  publicados trabalhos de Charles Darwin, Michael Faraday e William Herschel, pesquisadores que mudaram o rumo da ciência mundial.

(Fonte: Ascom-Cemaden)

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