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Monitoramento realizado pelo Cemaden aponta agravamento da seca em algumas regiões e mostra seus impactos

Índice Integrado de Secas (IIS) referente ao mês de julho para o Brasil

 

O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) divulgou, ontem à tarde (16), o segundo Relatório de Monitoramento da Seca no Brasil, referente ao mês de julho de 2018, mostrando – em diversas regiões brasileiras –  o Índice Integrado da Seca (ISS), que é uma combinação de indicadores de seca calculados a partir de dados de chuvas e da condição hídrica da vegetação, ou seja, da umidade do solo e estresse hídrico na vegetação.  Esse relatório aponta um agravamento da condição de seca no Nordeste brasileiro, na parte centro-norte, que inclui os Estados do Piauí, Ceará, Pernambuco, Paraíba, Alagoas e Sergipe, além da redução acentuada dos reservatórios de água, do Nordeste e Sudeste.

O Relatório do Cemaden de Monitoramento da Seca no Brasil foi lançado no mês passado, com o objetivo de fornecer  informações as quais identifiquem as condições da seca, em diferentes regiões brasileiras, para as tomadas de decisões relacionadas às ações de mitigação dos impactos. O monitoramento e  coleta de dados permitem análises e projeções sobre a seca e seus impactos na vegetação, principalmente, para a agricultura familiar,  além dos impactos nos reservatórios hidrelétricos,  de armazenamento e abastecimento de água.

Impactos na vegetação

Sobre o impacto da seca na vegetação, a região Nordeste é a que apresenta o maior percentual de área vegetativa com condição de estresse hídrico, totalizando cerca de 540.000 km2 (44,3% dessa região).  Na região Centro-Oeste apresenta cerca de 260.000 km2 (17,2% dessa região). A condição de seca vegetativa prolongada (por vários meses, por exemplo) pode causar impactos nas reservas hídricas superficiais e até subterrâneas, podendo ocasionar escassez hídrica. Este fenômeno refere-se às incompatibilidades da oferta hídrica (armazenamento de água) em atender todas as demanda hídricas (abastecimento público, usos industriais, irrigação, entre outros).

Impactos hidrológicos

Com referência aos impactos hidrológicos dos reservatórios, foi identificada seca fraca na bacia afluente ao reservatório da UHE de Três Marias (bacia do rio São Francisco), assim como seca fraca à moderada na região do Sistema Cantareira. Estes reservatórios se encontram em situação de escassez hídrica ou de redução acentuada de sua reserva.

Os valores de água armazenada nos açudes da região semiárida do Nordeste permanecem críticos. O reservatório Epitácio Pessoa/Boqueirão, localizado na porção sudeste do estado da Paraíba, cuja bacia afluente encontra-se numa condição de seca fraca, apresenta um volume útil armazenado de aproximadamente 30,8%. Este reservatório, que abastece a cidade de Campina Grande e outros dezoitos municípios paraibanos (cerca de 700 mil habitantes), está enfrentando condições hidrometeorológicas desfavoráveis desde 2012, o que vem reduzindo seu volume armazenado.

Previsões de chuvas e relatórios

As previsões sazonais de chuva do International Research Institute (IRI) e do CPTEC concordam em indicar, para o trimestre Agosto-Setembro-Outubro (ASO/2018), probabilidades entre 40 e 50% de chuvas abaixo da média em uma região que abrange o nordeste de São Paulo e o sudeste de Minas Gerais.

Para as previsões e os cenários de vazão – importantes para uma eficiente gestão do risco de escassez hídrica – vêm sendo divulgados em relatórios técnicos mensais disponibilizados no site do Cemaden (link para relatórios de Três Marias e Sistema Cantareira) e também em reuniões técnicas semanais com os institutos responsáveis pela gestão dos recursos hídricos.

Mais informações do Relatório de Monitoramento de Seca no Brasil e explicações técnicas sobre os dados e monitoramento estão disponibilizadas no portal do Cemaden, no endereço:

https://www.cemaden.gov.br/categoria/monitoramento/seca-no-brasil/

 

( Fonte: Ascom-Cemaden)

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