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MONITORAMENTO DE SECAS E IMPACTOS NO BRASIL – OUTUBRO/2020

SUMÁRIO (clique aqui)

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Em relação ao mês de setembro, o Índice Integrado de Seca (IIS) referente ao mês de outubro, aponta a intensificação da seca principalmente nas regiões Centro-Oeste e Sul. O estado do Mato Grosso é aquele de maior atenção em relação à seca, uma vez que grande parte dos municípios do interior foram categorizados com condição de seca extrema e excepcional. Em relação à duração da seca, o IIS-6 indica duração superior a seis meses nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul.

De acordo com a avaliação dos impactos da seca em áreas de atividades agrícolas e/ou pastagens (agroprodutivas), 967 municípios da Região Nordeste apresentaram pelo menos 40% de suas áreas de uso impactadas no mês de outubro, sendo a maior parte destes localizados nos estados do Piauí, Bahia e Maranhão. Na Região Norte, 330 municípios apresentaram mais do que 40% de suas áreas de uso impactadas, a maior parte destes localizados nos estados do Pará, Tocantins, Rondônia e Acre. Nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul estes números foram de 462, 1181 e 910 municípios, respectivamente.

A condição atual no Oceano Pacífico segue refletindo um cenário de La Niña. As chances de continuidade do fenômeno até Janeiro-Fevereiro-Março (JFM) de 2021 são superiores a 70%. A La Niña atua no sentido de favorecer déficit de chuva na Região Sul e no sul do Brasil-Central. As previsões sazonais multimodelo de chuva do International Research Institute e do CPTEC/INMET/FUNCEME (ambas produzidas em outubro/2020) concordam em prever condições desfavoráveis para chuva nestas regiões (principalmente Mato Grosso do Sul, oeste de São Paulo e Paraná), durante novembro-dezembro-janeiro de 2020-2021 (NDJ/2020). As previsões subsazonais indicam um cenário desfavorável para a precipitação nas regiões supracitadas até final de novembro/2020, após o qual há chances para um período favorável no início de dezembro/2020.

A. ÍNDICE INTEGRADO DE SECA (IIS) PARA O BRASIL:  OUTUBRO/2020

Índice Integrado de Seca (IIS) referente ao mês de outubro de 2020 nas escalas: a) 3 meses (IIS-3, esquerda) e b) 6 meses (IIS-6, direita).

FAÇA O DOWNLOAD DO IIS

 

Saiba mais sobre o Índice Integrado de Seca (IIS)

Saiba mais sobre o Índice Integrado de Seca (IIS)

O Índice Integrado de Seca (IIS) consiste na combinação do Índice de Precipitação Padronizada (SPI) com o Índice de Suprimento de Água para a Vegetação (VSWI) ou com o Índice de Saúde da Vegetação (VHI), ambos estimados por sensoriamento remoto. Para integrar o IIS, o SPI é calculado a partir de dados observacionais de precipitação disponíveis no CEMADEN, no Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e Centros Estaduais de Meteorologia. O cálculo do SPI é baseado na formulação proposta por Mckee et al. (1993), considerando as escalas de 3, 6 e 12 meses, obtendo-se o produto final na resolução espacial de 5km. O IIS possui as seguintes classes: condição normal (6), seca fraca (5), seca moderada (4), seca severa (3), seca extrema (2) e seca excepcional (1).

B. MONITORAMENTO DOS IMPACTOS DA SECA: VEGETAÇÃO E AGRICULTURA
Mapa de Índice da Saúde da Vegetação (VHI) para o Brasil referente ao mês de Outubro e gráfico das áreas impactadas pela seca por região (áreas com VHI < 30)

Saiba mais sobre o Índice de Saúde da Vegetação (VHI)

Saiba mais sobre o Índice de Saúde da Vegetação (VHI)

O Índice de Saúde da Vegetação (VHI) da NOAA/NESDIS é calculado a partir de dados do Índice de Vegetação da Diferença Normalizada (NDVI, sigla em inglês) e temperatura de brilho, devidamente calibrados e filtrados, resultando da composição de dois sub-índices, o VCI (Vegetation Condition Index) e o TCI (Temperature Condition Index). O NDVI e a temperatura de brilho apresentam dois sinais ambientais distintos, o de resposta lenta do estado da vegetação (clima, solo, tipo de vegetação) e o de resposta mais rápida relacionado com a alteração das condições atmosféricas (precipitação, temperatura, vento, umidade). Este índice permite identificar o início/fim, área afetada, intensidade e duração da seca e sua relação com os eventuais impactos.

C. MONITORAMENTO DA UMIDADE DO SOLO

Perdas na produtividade agrícola podem ocorrer devido a períodos prolongados de seca e valores baixos de água disponível no solo, especificamente valores abaixo de 40%, representados no mapa pelas cores vermelho, laranja e amarelo. O mapa mostra a fração de água no solo em relação à média histórica. Os dados são derivados do satélite Grace (NASA), que estima a quantidade de água em uma camada de 1 m de solo a partir de perturbações na gravidade causadas pela presença da umidade. Esse produto tem resolução espacial de aproximadamente 50 km, gerados 4 vezes por mês. Os resultados mostrados aqui representam a média dos resultados divulgados para outubro.

O percentual de água disponível no solo para o mês de outubro de 2020 é mostrado na Figura abaixo. Os estados mais afetados com baixos valores de água no solo são Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Rondônia, Acre, Alagoas e Sergipe. Adicionalmente, partes do Mato Grosso, Pará e Amazonas também apresentaram baixos níveis.

D. MONITORAMENTO DOS IMPACTOS DA SECA NA REGIÃO NORDESTE
Índice Integrado de Seca (IIS): Outubro/2020

Avaliação do IIS para o mês de outubro em comparação com o mês de setembro:

  • Seca Fraca: Aumento de 660 para 762 municípios.
  • Seca Moderada: Aumento de 232 para 326 municípios.
  • Seca Severa: Redução de 29 para municípios.
  • Seca Extrema: Aumento de 0 para 26 município.
  • Seca Excepcional: 0 município.
Estimativa das Áreas Agroprodutivas Afetadas por Município: Outubro/2020

Com relação à avaliação dos impactos da seca em áreas de atividades agrícolas e/ou pastagens (agroprodutivas), de acordo com o índice VHI, 967 municípios apresentaram pelo menos 40% de suas áreas de uso impactadas no mês de outubro, um aumento de mais de 300% em relação ao mês anterior. Contudo ressalta-se que grande parte da região ainda se encontra no final da estação seca.Em relação ao percentual mais crítico de área agroprodutiva afetada (maior que 80%), no estado da Bahia foram identificados 28 municípios, Ceará apenas 1, no Maranhão 7 Paraíba 8, Pernambuco 9, Piauí 68 e Rio Grande do Norte 6 municípios. Se contabilizados o total de municípios com áreas agroprodutivas afetadas acima de 40%, os estados da Bahia e Piauí foram os mais atingidos, ambos com 183 municípios. Seguido pelos estados do Maranhão (138), Paraíba (119) e Pernambuco (111).

 

E. MONITORAMENTO DOS IMPACTOS DA SECA NA REGIÃO NORTE
Índice Integrado de Seca (IIS): Outubro/2020 

Avaliação do IIS para o mês de outubro em comparação com o mês de setembro:

  • Seca Fraca: Redução de 173 para 162 municípios.
  • Seca Moderada: Aumento de 64 para 97 municípios.
  • Seca Severa: Aumento de 2 para 46 município.
  • Seca Extrema: 1 município.  
  • Seca Excepcional: município.
Estimativa das Áreas Agroprodutivas Afetadas por Município: Outubro/2020

Com relação à avaliação dos impactos da seca em áreas de atividades agrícolas e/ou pastagens, de acordo com o índice VHI, 330 municípios apresentaram pelo menos 40% de suas áreas de uso impactadas no mês de outubro, quase o dobro do mês anterior. Os estados do Tocantins e do Pará, foram os mais afetados, em termos do total de municípios. Contudo o estado de Rondônia teve o maior número de municípios com mais de 80% das áreas agroprodutivas afetadas em agosto, um total de 30 municípios, enquanto os estados do Pará e Tocantins tiveram respectivamente 5 e 6 municípios. em outubro. Destaca-se ainda o estado do Acre, que apresentou no mês de outubro, todos seus 22 municípios com mais de 40% da área agroprodutiva afetada. 

F. MONITORAMENTO DOS IMPACTOS DA SECA NA REGIÃO CENTRO-OESTE
Índice Integrado de Seca (IIS): Outubro/2020 

Avaliação do IIS para o mês de outubro em comparação com o mês de setembro:

  • Seca Fraca: Aumento de 104 para 174 municípios.
  • Seca Moderada: Redução de 156 para 145 municípios.
  • Seca Severa: Redução de 111 para 90 municípios.
  • Seca Extrema: Aumento de 4 para  90 municípios.  
  • Seca Excepcional: municípios.
Estimativa das Áreas Agroprodutivas Afetadas por Município: Outubro/2020

De acordo com o índice VHI, 462 municípios apresentaram pelo menos 40% da área agroprodutiva afetas no mês de outubro, praticamente o dobro do mês anterior (229). O estado de Goiás foi o mais afetado, com 74 municípios com 40% a 60% da sua área agroprodutiva afetada pela seca, 77 de 60% a 80% e 91 municípios com mais de 80% da área afetada. O estado do Mato Grosso, por sua vez, foi o estado com maior número de municípios com mais de 80% de área agroprodutiva afetada, 104. Por fim, Mato Grosso do Sul, apresentou 79 municípios com pelo menos 40% da área agroprodutiva afetada pela seca. Ressalta-se que toda a região centro-oeste, está com o calendário agrícola vigente, de acordo com o calendário da CONAB. 

G. QUEIMADAS NO PANTANAL

De acordo com os dados do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais (LASA/UFRJ), as áreas queimadas no Pantanal entre o mês de janeiro a 09 de novembro já somam 4.344.000 ha. Para mais detalhes, consulte o relatório na íntegra: https://lasa.ufrj.br/news/burned-area-pantanal-2020/ .

H. MONITORAMENTO DOS IMPACTOS DA SECA NA REGIÃO SUDESTE
Índice Integrado de Seca (IIS): Outubro/2020

Avaliação do IIS para o mês de outubro em comparação com o mês de setembro:

  • Seca Fraca: Aumento de 514 para 657 municípios.
  • Seca Moderada: Aumento de 277 para 358 municípios.
  • Seca Severa: Aumento de 132 para 200 municípios.
  • Seca Extrema: Redução de 23 para  14 municípios.  
  • Seca Excepcional:  município.
Estimativa das Áreas Agroprodutivas Afetadas por Município: Outubro/2020

Com relação à avaliação dos impactos da seca em áreas de atividades agrícolas e/ou pastagens, de acordo com o índice VHI, 1182 municípios apresentaram pelo menos 40% de suas áreas de uso impactadas no mês de outubro (Figura 11), pouco mais que o dobro em relação ao mês anterior. Os estados com mais municípios afetados foi Minas Gerais (625) e São Paulo (505), que tiveram respectivamente, 429 e 289 municípios entre 40% a 60%, 145 e 134 municípios entre 60% a 80% e 51 e 82 municípios acima de 80% da área agroprodutiva afetada. Os estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo apresentaram, respectivamente, 23 e 29 municípios com mais de 40% de suas áreas impactadas pela seca.  

I. MONITORAMENTO DOS IMPACTOS DA SECA NA REGIÃO SUL
Índice Integrado de Seca (IIS): Outubro/2020

Avaliação do IIS para o mês de outubro em comparação com o mês de setembro:

  • Seca Fraca: Redução de 356 para  253 municípios.
  • Seca Moderada: Aumento de 25 para 362 municípios.
  • Seca Severa: Aumento de 0 para  341 município.
  • Seca Extrema: Aumento de 0 para 142 municípios.  
  • Seca Excepcional: 10 municípios.
Estimativa das Áreas Agroprodutivas Afetadas por Município: Outubro/2020

Com relação à avaliação dos impactos da seca em áreas de atividades agrícolas e/ou pastagens, de acordo com o índice VHI, 910 municípios apresentaram pelo menos 40% de suas áreas de uso impactadas no mês de setembro (Figura 13). O Paraná foi o estado com maior número de municípios com mais de 40% das áreas agroprodutivas afetadas (358 municípios, sendo 142 municípios entre 40% a 60%, 120 municípios entre 60% a 80% e 96 municípios acima de 80%). O estado do Rio Grande do Sul foi o segundo, com um total de 344 municípios com mais de 40% das áreas agroprodutivas afetadas, sendo 44 municípios com áreas agroprodutivas afetadas acima de 60%. Santa Catarina, por sua vez, teve 208 municípios com área agroprodutiva impactada acima de 40%, sendo 69 deles com áreas agroprodutivas afetadas acima de 60%.

 

I. RISCO DE SECA NA AGRICULTURA FAMILIAR

O Boletim do Risco de Seca na Agricultura Familiar aponta o risco mensal durante o ciclo do feijão, considerando os municípios que estão no seu primeiro mês de plantio, no período crítico (segundo mês) e os que finalizaram a safra (terceiro mês).  Na edição do mês de outubro o destaque da avaliação do risco é para a região Sul que apresentou 213 municípios com risco moderado considerando que o plantio tenha ocorrido no mês de outubro.
Para mais detalhes, consulte o relatório na íntegra:  http://www.cemaden.gov.br/ risco-de-seca-na-agricultura-familiar-outubro2020.

J. REGISTROS DE IMPACTOS NA PRODUÇÃO AGRÍCOLA

As chuvas abaixo da média e as temperaturas elevadas têm resultado em impactos significativos na produção agrícola de diversas partes do Brasil, em especial nos estados da Região Sul, como os destacados a seguir. No estado do Paraná, foi registrada a redução na produção estimada inicialmente do milho 2ª safra (de 11,4%, equivalente a uma perda de 1,5 milhões de toneladas) e do café (aproximadamente 15%). Ainda, as condições de seca no referido estado têm dificultado o plantio da safra de 2020/21 de diferentes culturas, como a mandioca, a qual também apresentou problemas como a colheita prejudicada devido ao solo muito seco e o atraso no desenvolvimento das novas lavouras, conforme informações do Departamento de Economia Rural do Paraná (Deral). Em Santa Catarina, foram observados o atraso no plantio do feijão, assim como prejuízos ao desenvolvimento desta cultura, em diferentes regiões do estado, segundo o Boletim Agropecuário do Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Epagri/Cepa). Enquanto no Rio Grande do Sul ocorreram a redução na produtividade de grãos (como trigo e aveia), o atraso na semeadura de soja e prejuízos ao desenvolvimento do feijão 1ª safra, em várias regiões do estado, conforme informações da Emater/RS-Ascar.

L. PREVISÃO SAZONAL E SUB-SAZONAL PARA O BRASIL

A condição atual no Oceano Pacífico segue refletindo um cenário de La Niña, isto é, um resfriamento das águas superficiais no Oceano Pacífico e um enfraquecimento dos ventos alísios. As chances de continuidade do fenômeno são superiores a 70%, portanto mais do que o dobro de uma chance climatológica, para que este padrão perdure até Janeiro-Fevereiro-Março (JFM) de 2021. Vale lembrar que a La Niña se apresenta como fator modulador da chuva na Região Sul e no sul do Brasil-Central, no sentido de favorecer anomalias negativas (déficit de chuva). As previsões sazonais multimodelo de chuva do International Research Institute e do CPTEC/INMET/FUNCEME (ambas produzidas em outubro/2020) concordam em prever condições desfavoráveis para chuva nos estados da Região Sul como um todo, assim como na porção centro-sul do Brasil (principalmente Mato Grosso do Sul, oeste de São Paulo e Paraná), durante novembro-dezembro-janeiro de 2020-2021 (NDJ/2020). Portanto, é apropriado manter um estado de atenção para estas regiões. As previsões subsazonais indicam um cenário desfavorável para a precipitação nas regiões supra citadas até final de novembro/2020, após o qual há chances para um período favorável no início de dezembro/2020.

 

REGISTRO DE IMPACTOS: Gostaria de contribuir registrando ocorrência de eventos de secas no seu município?  Sua informação é bem-vinda,  mesmo  ocorrências  de pequenos impactos são de extrema importância. Você pode enviar suas informações pelo link: REGISTRO DE IMPACTOS DE SECAS .

Para mais informações fale conosco: secas@cemaden.gov.br
Boletim em pdf

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