Capa » Monitoramento » Monitoramento de Seca para o Brasil » MONITORAMENTO DE SECAS E IMPACTOS NO BRASIL – MARÇO/2020

MONITORAMENTO DE SECAS E IMPACTOS NO BRASIL – MARÇO/2020

SUMÁRIO

SUMÁRIO

De acordo com o Índice Integrado de seca (IIS) para o mês de março, verifica-se a intensificação das condições de seca, principalmente na região Sul. Em termos da duração de seca, contabilizada pelo Índice Padronizado de Precipitação (SPI), nota-se duração superior a 3 e 6 meses consecutivos, em áreas da região Centro-Oeste e Sul.

Com relação aos impactos da seca nos recursos hídricos, destacam-se os reservatórios do Sistema Cantareira, operando, em 31 de março de 2020, com aproximadamente 64% da sua reserva hídrica. O reservatório da UHE de Três Marias finalizou a estação chuvosa com o armazenamento na sua capacidade máxima (100% do volume útil). Em contrapartida, o reservatório da UHE de Serra da Mesa finalizou com 28% do seu volume útil.

De acordo com a avaliação dos impactos da seca em áreas de atividades agrícolas e/ou pastagens em estabelecimentos rurais, por meio do índice VSWI, apenas 1 município na região nordeste, Mulungu (PB), apresentou pelo menos 50% de suas áreas de uso impactadas no mês de março. Por outro lado, na região sul, 536 municípios apresentaram pelo menos 40% de suas áreas de uso impactadas no mês de março. Os estados do Paraná e Rio Grande do Sul são os que concentraram o maior número desses municípios.

O mapa de risco de seca para a agricultura familiar é elaborado mensalmente a partir das variáveis físicas de ameaça de seca, tais como o déficit de precipitação, umidade do solo e índice de vigor vegetativo, combinadas com informações sobre as vulnerabilidade e capacidades locais da agricultura familiar (https://www.cemaden.gov.br/risco-de-seca-na-agricultura-familiar-marco2020/). O mapa referente ao mês de março mostra risco entre muito baixo e moderado, para os municípios com calendário agrícola DJFM, JFMA e FMAM.

Recomenda-se estado de atenção para duas regiões: i) o Brasil central (estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul), onde está se iniciando o período climatológico de estiagem (pouca ou nenhuma chuva), que deve durar até setembro-outubro de 2020, e onde o IIS indica um padrão de seca fraca a moderada; ii) os estados da Região Sul, que recentemente vêm apresentando condições de seca e onde há chances não desprezíveis de um cenário desfavorável para as chuvas, devido à potencial configuração de uma La Ninã até o final deste ano (2020). Nesta região, há indicações de diminuição das chuvas até o final de abril e início de maio.

 ÍNDICE INTEGRADO DE SECA (IIS) – BRASIL

Índice Integrado de Seca (IIS) e duração de eventos de seca com duração superior à a) 3  e b) 6 meses para o Brasil referente ao mês de Março de 2020.

Saiba mais sobre o Índice Integrado de Seca (IIS)

Saiba mais sobre o Índice Integrado de Seca (IIS)

O Índice Integrado de Seca (IIS) consiste na combinação do Índice de Precipitação Padronizada (SPI) com o Índice de Suprimento de Água para a Vegetação (VSWI) ou com o Índice de Saúde da Vegetação (VHI), ambos estimados por sensoriamento remoto. Para integrar o IIS, o SPI é calculado a partir de dados observacionais de precipitação disponíveis no CEMADEN, no Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e Centros Estaduais de Meteorologia. O cálculo do SPI é baseado na formulação proposta por Mckee et al. (1993), considerando as escalas de 3, 6 e 12 meses, obtendo-se o produto final na resolução espacial de 5km. O IIS possui as seguintes classes: condição normal (6), seca fraca (5), seca moderada (4), seca severa (3), seca extrema (2) e seca excepcional (1).

MONITORAMENTO DOS IMPACTOS DA SECA: RECURSOS HÍDRICOS

Os reservatórios do Sistema Cantareira operaram, no dia 31 de março de 2020, com aproximadamente 64% da sua reserva hídrica. No mês de março de 2020, a vazão média afluente a estes reservatórios foi 42,6 m³/s, o que representa 71% da média histórica para este mês. Os cenários de vazão simulados sugerem que, considerando precipitações em torno da média climatológica, as vazões se manterão próximas a 75% da média histórica no trimestre AMJ (Para mais detalhes, consulte o relatório na íntegra: http://www.cemaden.gov.br/situacao-atual-e-projecao-hidrologica-para-o-sistema-cantareira-31032020/).

O reservatório da UHE de Três Marias operou, em 31 de março de 2020, com 100% de seu volume útil armazenado. No mês de março de 2020, a vazão média afluente a este reservatório foi 1.642 m³/s, o que representa 54% acima da média histórica para este mês. Os cenários de vazão simulados para este reservatório apontam que, considerando precipitações em torno da média climatológica no trimestre AMJ, a vazão poderá ficar próxima à média histórica do período (Para mais detalhes, consulte o relatório na íntegra: http://www.cemaden.gov.br/situacao-atual-e-projecao-hidrologica-para-reservatorio-tres-marias-09042020/).

O reservatório da UHE de Serra da Mesa apresentou, no dia 31 de março de 2020, aproximadamente 28% do seu volume útil armazenado. No mês de março de 2020, a vazão média afluente a este reservatório excedeu em 43% a média histórica para este mês. Os cenários simulados para este reservatório no trimestre AMJ, considerando precipitações em torno da média climatológica, sugerem que as vazões se mantenham em torno de 10% acima da média histórica desse período. (Para mais detalhes, consulte o relatório na íntegra: http://www.cemaden.gov.br/situacao-atual-e-projecao-hidrologica-para-o-reservatorio-de-serra-da-mesa-bacia-do-rio-tocantins-07042020/)

MONITORAMENTO DOS IMPACTOS DA SECA: VEGETAÇÃO E AGRICULTURA

  • Estimativa das Áreas Agroprodutivas com Condição de Estresse Hídrico

Mapa de Índice da Saúde da Vegetação (VHI) no Brasil para março e gráfico das áreas impactadas pela seca (áreas com VHI < 30).

Saiba mais sobre o Índice de Saúde da Vegetação (VHI)

Saiba mais sobre o Índice de Saúde da Vegetação (VHI)

O Índice de Saúde da Vegetação (VHI) da NOAA/NESDIS é calculado a partir de dados do Índice de Vegetação da Diferença Normalizada (NDVI, sigla em inglês) e temperatura de brilho, devidamente calibrados e filtrados, resultando da composição de dois sub-índices, o VCI (Vegetation Condition Index) e o TCI (Temperature Condition Index). O NDVI e a temperatura de brilho apresentam dois sinais ambientais distintos, o de resposta lenta do estado da vegetação (clima, solo, tipo de vegetação) e o de resposta mais rápida relacionado com a alteração das condições atmosféricas (precipitação, temperatura, vento, umidade). Este índice permite identificar o início/fim, área afetada, intensidade e duração da seca e sua relação com os eventuais impactos.

Índice Integrado de Seca referente ao mês de Março de 2020.
A avaliação do IIS para o mês de março em relação ao mês anterior (fevereiro):

  • Seca Fraca:redução de 204 para 96 municípios.
  • Seca Moderada: redução de 215 para 57 municípios.
  • Seca Severa: redução de 12 para 0 municípios.
  • Seca Extrema: redução de 4 para 0 municípios.
  • Seca Excepcional: manteve 0 município.
  • AL
  • SE 
  • MA
  • CE
  • RN 
  • PE
  • PB
  • BA 
  • ES
  • MG
  • PI
Clique na imagem para ampliar.

 

Clique na imagem para ampliar.

 

 

 
Clique na imagem para ampliar.

 
Clique na imagem para ampliar.

 
Clique na imagem para ampliar.

 
Clique na imagem para ampliar.

 

 
Clique na imagem para ampliar.

 
Clique na imagem para ampliar.

 
Clique na imagem para ampliar.

 

 
Clique na imagem para ampliar.

 
Clique na imagem para ampliar.

 

 

  • Estimativa das Áreas Agroprodutivas Afetadas por Município

Municípios com pelo menos 50% de área impactada pela seca (considerando apenas as áreas de pastagens e agrícolas) de acordo com o VSWI, referente ao mês de março de 2020.

Saiba mais sobre o Índice de Suprimento de Água para a Vegetação (VSWI)

Saiba mais sobre o Índice de Suprimento de Água para a Vegetação (VSWI)

O VSWI é calculado a partir do Índice de Vegetação da Diferença Normalizada (NDVI, sigla em inglês) e da temperatura da superfície, ambos do sensor MODIS a bordo dos satélites Terra e Aqua, disponibilizadas pelo Earth Observing System (EOS/NASA), com resolução espacial de 250m e 1km. O VSWI indica condição de seca quando o valor do NDVI é baixo (baixa atividade fotossintética) e a temperatura da vegetação é alta (estresse hídrico). Portanto, o índice é inversamente proporcional ao conteúdo de umidade do solo e fornece uma indicação indireta do suprimento de água para a vegetação.

  • Água disponível no solo – Média por microrregiões em Março de 2020

    Água disponível do solo referente ao mês de março de 2020.

  • Risco de Seca na Agricultura Familiar

    O mapa de risco de seca para a agricultura familiar é elaborado mensalmente a partir das variáveis físicas de ameaça de seca, tais como o déficit de precipitação, umidade do solo e índice de vigor vegetativo, combinadas com informações sobre as vulnerabilidade e capacidades locais da agricultura familiar. O mapa referente ao mês de março mostra risco entre muito baixo e moderado, para os municípios com calendário agrícola DJFM, JFMA e FMAM.
    Para mais detalhes, consulte o relatório na íntegra: https://www.cemaden.gov.br/risco-de-seca-na-agricultura-familiar-marco2020/

MONITORAMENTO DOS IMPACTOS DA SECA NA REGIÃO SUL

Índice Integrado de Seca (IIS)

Índice Integrado de Seca (IIS) para a região Sul referente ao mês de Março de 2020.

Porcentagem de áreas agroprodutivas afetadas pela Seca: 

Municípios com pelo menos 40% de área impactada pela seca (considerando apenas as áreas de pastagens e agrícolas) de acordo com o VSWI, referente ao mês de março de 2020.

PREVISÃO SAZONAL E SUB-SAZONAL PARA O BRASIL

Na escala climática sazonal, não teremos, no país, influência nem do El Niño nem La Niña, pelo menos pelos próximos três meses. A maior parte dos modelos dinâmicos e estatísticos, iniciados a partir das condições de março/2020 prevê a manutenção deste estado de neutralidade durante o inverno de 2020. Porém, algumas previsões indicam a possibilidade de um cenário de La Niña se configurando a partir deste inverno. Torna-se importante então monitorar a evolução das condições do Pacífico Tropical, uma vez que a La Niña tem associação histórica com secas na Região Sul do país, e esta região já vem apresentando condições de seca atualmente. As previsões sazonais multimodelo de chuva do International Research Institute (IRI) e do CPTEC/INMET/FUNCEME (ambas produzidas em março/2020 e válidas para o trimestre Abril-Maio-Junho de 2020), apresentam dois cenários nos estados da região Sul. As primeiras (IRI) indicam chuvas dentro da média histórica, enquanto as previsões nacionais indicam chuvas abaixo da média. Ainda que haja incerteza, aconselha-se aos tomadores de decisão uma postura de cautela dada a chance não desprezível de um cenário desfavorável para as chuvas na Região Sul. Na Região Nordeste ambas as previsões concordam em indicar um cenário de chuvas acima da média para o Reconcavo Baiano. Segue a recomendação de estado de atenção para o Brasil central (estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul), onde está se iniciando o período climatológico de chuvas, que deve durar até setembro-outubro de 2020, e onde o IIS indica um padrão de seca fraca a moderada. As previsões da escala subsazonal indicam um aumento das chances de chuva no norte do semiárido e norte da Zona da Mata até o final de abril e início de maio. Porém, neste mesmo período é previsto também uma diminuição nas precipitações na Região Sul.

 

REGISTRO DE IMPACTOS: Gostaria de contribuir registrando ocorrência de eventos de secas no seu município?  Sua informação é bem-vinda,  mesmo  ocorrências  de pequenos impactos são de extrema importância. Você pode enviar suas informações pelo link: REGISTRO DE IMPACTOS DE SECAS .

Para mais informações fale conosco: secas@cemaden.gov.br

FAÇA O DOWNLOAD DO RELATÓRIO NA INTEGRA

 

Confira também

MONITORAMENTO DE SECAS E IMPACTOS NO BRASIL – AGOSTO/2020

ÍNDICE INTEGRADO DE SECA (IIS) PARA O BRASIL:  AGOSTO/2020 Índice Integrado de Seca (IIS) referente …