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MONITORAMENTO DE SECAS E IMPACTOS NO BRASIL – JUNHO/2020

SUMÁRIO (clique aqui)

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O Índice Integrado de Seca (IIS) observado no mês de junho de 2020 aponta a desintensificação da seca principalmente nos estados do Mato Grosso do Sul, São Paulo e Região Sul do país. Por outro lado, em relação ao mês de maio, o índice aponta a intensificação da seca principalmente nos estados do Acre e do Rio de Janeiro. Em relação à duração da seca, apesar da desintensificação, o IIS-6 indica duração superior a seis meses em parte da região Sul, Vale do Paraíba Paulista, em regiões nos estados do Acre, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

De acordo com a avaliação dos impactos da seca em áreas de atividades agrícolas e/ou pastagens em estabelecimentos rurais, apenas 4 municípios na região Nordeste (Alagoas (1), Pernambuco (2) e Sergipe (1)) apresentaram pelo menos 50% de suas áreas de uso impactadas no mês de junho.  Por outro lado, na região Sul, 232 municípios apresentaram mais do que 40% de suas áreas de uso impactadas, sendo a maior parte destes concentrados no estado de Santa Catariana. No estado de São Paulo, este número foi de 120 municípios, localizados principalmente nas porções norte e leste do estado.

O mapa de risco de seca para a agricultura familiar é elaborado mensalmente a partir das variáveis físicas de ameaça de seca, tais como o déficit de precipitação, umidade do solo e índice de vigor vegetativo, combinadas com informações sobre as vulnerabilidade e capacidades locais da agricultura familiar (http://www.cemaden.gov.br/risco-de-seca-na-agricultura-familiar-junho2020/). O mapa referente ao mês de junho mostra risco entre muito baixo e baixo, para os municípios da região Nordeste com calendário agrícola entre os meses de maio a julho.

Com relação aos impactos da seca nos recursos hídricos, destacam-se os reservatórios das usinas hidrelétricas (UHE) da região sul, com vazão afluente e nível de armazenamento próximo aos registros mínimos do histórico. Destaque para a UHE Itaipu, maior UHE do Brasil, com vazão em junho de 2020 abaixo do registro mínimo do histórico. Na região Sudeste, destaque para o Sistema Cantareira, principal sistema hídrico da região metropolitana de São Paulo, com vazão próxima a 50% da média histórica do mês de junho e armazenamento em torno de 56% do volume útil.

O estado climático em escala sazonal atualmente transita da neutralidade para uma La Niña, que provavelmente se manterá pela primavera e verão do Hemisfério Sul (setembro/2020 a fevereiro/2021). Durante Julho-Agosto-Setembro de 2020 as condições de seca indicadas pelo IIS podem se agravar nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, dado que as previsões consultadas convergem em indicar condições para chuvas abaixo da média. Nos estados da Região Sul, sugere-se manter ainda um estado de atenção, acompanhando as previsões semana a semana. As previsões sub-sazonais indicam cenários para chuvas variando de abaixo da média a normais para as próximas semanas (até início de agosto/2020) na Região Sul, com uma possível reversão de sinal logo após.

1. ÍNDICE INTEGRADO DE SECA (IIS) PARA O BRASIL:  JUNHO/2020
Índice Integrado de Seca (IIS) referente ao mês de junho de 2020 nas escalas: a) 3 meses (IIS-3) e b) 6 meses (IIS-6).

Saiba mais sobre o Índice Integrado de Seca (IIS)

Saiba mais sobre o Índice Integrado de Seca (IIS)

O Índice Integrado de Seca (IIS) consiste na combinação do Índice de Precipitação Padronizada (SPI) com o Índice de Suprimento de Água para a Vegetação (VSWI) ou com o Índice de Saúde da Vegetação (VHI), ambos estimados por sensoriamento remoto. Para integrar o IIS, o SPI é calculado a partir de dados observacionais de precipitação disponíveis no CEMADEN, no Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e Centros Estaduais de Meteorologia. O cálculo do SPI é baseado na formulação proposta por Mckee et al. (1993), considerando as escalas de 3, 6 e 12 meses, obtendo-se o produto final na resolução espacial de 5km. O IIS possui as seguintes classes: condição normal (6), seca fraca (5), seca moderada (4), seca severa (3), seca extrema (2) e seca excepcional (1).

2. MONITORAMENTO DOS IMPACTOS DA SECA: VEGETAÇÃO E AGRICULTURA
Mapa de Índice da Saúde da Vegetação (VHI) para o Brasil referente ao mês de maio e gráfico das áreas impactadas pela seca por região (áreas com VHI < 30)

Saiba mais sobre o Índice de Saúde da Vegetação (VHI)

Saiba mais sobre o Índice de Saúde da Vegetação (VHI)

O Índice de Saúde da Vegetação (VHI) da NOAA/NESDIS é calculado a partir de dados do Índice de Vegetação da Diferença Normalizada (NDVI, sigla em inglês) e temperatura de brilho, devidamente calibrados e filtrados, resultando da composição de dois sub-índices, o VCI (Vegetation Condition Index) e o TCI (Temperature Condition Index). O NDVI e a temperatura de brilho apresentam dois sinais ambientais distintos, o de resposta lenta do estado da vegetação (clima, solo, tipo de vegetação) e o de resposta mais rápida relacionado com a alteração das condições atmosféricas (precipitação, temperatura, vento, umidade). Este índice permite identificar o início/fim, área afetada, intensidade e duração da seca e sua relação com os eventuais impactos.

2.1  MONITORAMENTO DAS CONDIÇÕES DE SECA NA REGIÃO NORDESTE
Índice Integrado de Seca (IIS) por município para a região Nordeste: Junho/2020
FAÇA O DOWNLOAD DADO DO IIS

A avaliação do IIS para o mês de junho em relação ao mês anterior (maio):

  • Seca Fraca: aumento de 76 para 170 municípios.
  • Seca Moderada: aumento de para 32 municípios.
  • Seca Severa: redução 1 município para 0 município.
  • Seca Extrema: manteve 0 município.
  • Seca Excepcional: manteve 0 município.
  • AL
  • SE 
  • MA
  • CE
  • RN 
  • PE
  • PB
  • BA 
  • ES
  • MG
  • PI
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Estimativa das Áreas Agroprodutivas Afetadas por Município: Junho/2020

Com relação à avaliação dos impactos da seca em áreas de atividades agrícolas e/ou pastagens, de acordo com o índice VHI, quatro municípios apresentaram pelo menos 50% de suas áreas de uso impactadas no mês de junho. Os estados que registraram impactos da seca em áreas agroprodutivas foram Alagoas (1 município), Pernambuco (2 municípios) e Sergipe (1 município).

 

Água disponível no solo – Média por microrregiões: Junho/2020

Na figura abaixo, a água disponível no solo é mostrada dentro das delimitações de duas quadras chuvosas, correspondentes aos períodos de fevereiro a maio, e de abril a julho. A água no solo apresentou níveis intermediários ou próximos da saturação na maioria das micro regiões para o mês de maio. Algumas micro regiões no nordeste da Bahia apresentaram valores médios de água no solo abaixo de 0,4, o que pode indicar a prevalência de déficit hídrico e perdas agrícolas em potencial.

Risco de Seca na Agricultura Familiar

O mapa de risco de seca para a agricultura familiar é elaborado mensalmente a partir das variáveis físicas de ameaça de seca, tais como o déficit de precipitação, umidade do solo e índice de vigor vegetativo, combinadas com informações sobre as vulnerabilidade e capacidades locais da agricultura familiar. O mapa referente ao mês de maio mostra risco entre muito baixo e moderado, para os municípios com calendário agrícola JFMAM e AMJJ.

Para mais detalhes, consulte o relatório na íntegra: https://www.cemaden.gov.br/risco-de-seca-na-agricultura-familiar-junho2020.

2.2  MONITORAMENTO DAS CONDIÇÕES DE SECA NO ESTADO DE SÃO PAULO E RIO DE JANEIRO
Índice Integrado de Seca (IIS) por município para os Estados de São Paulo e Rio de Janeiro: Junho/2020

A avaliação do IIS para o mês de junho em relação ao mês anterior (maio):

São Paulo

  • Seca Fraca: aumento de 104 para 223 municípios.
  • Seca Moderada: redução de245 para 154 municípios.
  • Seca Severa: redução de 227 para 39 municípios.
  • Seca Extrema: redução de23 para 06 municípios.  
  • Seca Excepcional:manteve-se município.

TOTAL: 442 municípios em condição de seca.

Rio de Janeiro (apenas junho/2020)

  • Seca Fraca: 25 municípios.
  • Seca Moderada: 22 municípios.
  • Seca Severa: 13 municípios.
  • Seca Extrema: 0 município.
  • Seca Excepcional:  0 município.

TOTAL: 60 municípios em condição de seca.

Estimativa das Áreas Agroprodutivas Afetadas por Município

Municípios com pelo menos 40% de área impactada pela seca (considerando área de imóvel do CAR – minifúndio, pequena propriedade e média propriedade) de acordo com o VHI, referente ao mês de junho de 2020.

2.3 – MONITORAMENTO DAS CONDIÇÕES DE SECA NA REGIÃO SUL
Índice Integrado de Seca (IIS) por município para a região Sul: junho/2020

A avaliação do IIS para o mês de junho em relação ao mês anterior (maio):

  • Seca Fraca:aumento de 302 para 420 municípios.
  • Seca Moderada:redução de 447 para 165 municípios.
  • Seca Severa: redução de 332para 53 municípios.
  • Seca Extrema:redução de 64 para 2 municípios.
  • Seca Excepcional:redução de 1 para 0 município.

TOTAL: 640 municípios em condição de seca.

Estimativa das Áreas Agroprodutivas Afetadas por Município

Municípios com pelo menos 40% de área impactada pela seca (considerando área de imóvel do CAR – minifúndio, pequena propriedade e média propriedade) de acordo com o VHI, referente ao mês de junho de 2020.

2.4 MONITORAMENTO DOS IMPACTOS DA SECA NO ESTADO DO ACRE 
Índice Integrado de Seca (IIS) por município para o estado do Acre: junho/2020

De acordo com o Índice Integrado de Secas (IIS-3) para o mês de junho de 2020, 13 municípios do estado do Acre foram classificados com condições de seca variando de fraca à severa. Em relação ao mês de maio, observa-se intensificação das secas, principalmente na porção oeste do estado.

Índice de Condição Térmica da Vegetação (VCI)

As imagens de VCI de 09 de junho a 07 de julho indicam a desintensificação gradual das condições de estresse térmico na vegetação em todo o estado do Acre. No entanto, tal condição ainda se mantem principalmente na porção central do estado.

Índice de condição de temperatura (TCI) para o Estado do Acre referente à a) 9 de junho, b) 23 de junho e c) 7 de julho de 2020.
Estimativa das Áreas Agroprodutivas Afetadas por Município

Municípios com pelo menos 40% de área impactada pela seca (considerando área de imóvel do CAR – minifúndio, pequena propriedade e média propriedade) de acordo com o VHI, referente ao mês de junho de 2020.

 

3. MONITORAMENTO DOS IMPACTOS DA SECA: RECURSOS HÍDRICOS
Monitoramento da Seca Hidrológica – Reservatórios de abastecimento público de água e para geração de energia hidrelétrica

Segundo o IIS-6, observa-se na bacia afluente ao reservatório da UHE Serra da Mesa, localizado no Centro-Oeste do país, condição normal em relação à seca. O mesmo para a bacia afluente ao reservatório da UHE  Três Marias, localizada na Região Sudeste do país. Com relação ao sistema Cantareira, também no Sudeste do país, observa-se condição de seca entre fraca e moderada, em relação ao IIS-6. Desde o segundo semestre de 2019, tem-se observado déficit de chuvas em grande parte da região, resultando na redução das vazões dos rios (TM e SM aumentaram. Para a porção mais ao sul do país, nos últimos meses, as vazões têm apresentado valores em torno dos mínimos históricos, e consequentemente, ocorreu uma severa diminuição do nível de água dos reservatórios, causando impactos na geração de energia elétrica e no abastecimento de água principalmente nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Em junho de 2020, a vazão afluente no Sistema Cantareira, principal sistema hídrico que abastece a região metropolitana de São Paulo, foi aproximadamente 50% da média histórica do mês e os reservatórios operaram com 56% do volume útil, representando uma ligeira queda em relação ao mês passado. A partir da simulação de projeções de vazão para os próximos meses, o modelo hidrológico PDM/Cemaden sugere que, considerando precipitações em torno da média climatológica, as vazões se manterão próximas a 66% da média histórica do trimestre JAS (Para mais detalhes, consulte o relatório na íntegra: http://www.cemaden.gov.br/situacao-atual-e-projecao-hidrologica-para-o-sistema-cantareira-30062020/).

Para o reservatório da UHE Três Marias, a vazão natural, em junho de 2020, representou 91% da média histórica do mês e o reservatório operou, em 30 de junho de 2020, com 92% de seu volume útil armazenado, também apresentando uma ligeira queda em relação ao mês passado. Projeções de vazão simuladas para este reservatório apontam que, considerando precipitações em torno da média climatológica no trimestre JAS, a vazão poderá ficar em torno de 78% da média histórica do período (Para mais detalhes, consulte o relatório na íntegra: http://www.cemaden.gov.br/situacao-atual-e-projecao-hidrologica-para reservatorio-tres-marias-02072020/).

Com relação ao reservatório da UHE Serra da Mesa, no mês de junho de 2020, a vazão natural excedeu em 9% a média histórica do mês. O reservatório operou, no dia 30 de junho, com 37% de seu volume útil, mantendo o armazenamento em relação ao mês passado. A simulação de projeções de vazão para o trimestre JAS, considerando precipitações em torno da média climatológica, sugere que a média de vazão se mantenha em torno de 15% acima da média histórica deste período. (Para mais detalhes, consulte o relatório na íntegra: http://www.cemaden.gov.br/situacao-atual-e-projecao-hidrologica-para-o-reservatorio-de-serra-da-mesa-bacia-do-rio-tocantins-01072020/).

Para a região sul do país, na bacia hidrográfica da usina hidrelétrica de Itaipu, localizada no Rio Paraná – Santa Catarina, uma das maiores hidrelétricas do mundo, a vazão natural foi 65% da média histórica para o mês de junho, representando um percentual inferior ao registro mínimo do histórico (76% em 2018), reflexo de uma série de meses consecutivos com precipitação abaixo da climatologia, principalmente no Paraná e Mato Grosso do Sul. Com relação à UHE Segredo (Gov. Ney Aminthas de Barros Braga), localizada no Rio Iguaçu – Paraná, a vazão natural em junho foi aproximadamente 22% da média histórica do mês, percentual semelhante ao registro mínimo do histórico, ocorrido em 2009. As chuvas ocorridas durante o mês de junho e a baixa vazão defluente contribuíram para uma ligeira recuperação do armazenamento neste reservatório, que operou no dia 30 de junho com 32% do volume útil. Com relação à UHE Barra Grande, no rio Uruguai, a vazão natural representou 34% da média histórica do mês, e o armazenamento atingiu 20% do volume útil, um dos menores valores de armazenamento este período. Para a bacia de drenagem da UHE Passo Real, localizada no Rio Jacuí – Rio Grande do Sul, a vazão natural foi 52% da média histórica do mês de junho. Apesar das chuvas ocorridas em junho e da reduzida vazão defluente, o armazenamento no dia 30 de junho de 2020 atingiu 39%, valor semelhante ao menor registro do histórico para este período (38% em junho de 2012).

4. PREVISÃO SAZONAL E SUB-SAZONAL PARA O BRASIL

Os indicadores do El Niño-Oscilação Sul (ENOS) mostram um estado climático transitando da neutralidade para uma La Niña. A maioria das previsões consultadas preveem 50% de chance para para desenvolvimento e manutenção de um episódio de La Niña durante a primavera e verão do Hemisfério Sul (setembro/2020 a fevereiro/2021). Vale lembrar que a chance aleatória é de 33%, aproximadamente, portanto temos quase o dobro de chance em favor de uma La Niña. As previsões sazonais multi-modelo de chuva do International Research Institute e do CPTEC/INMET/FUNCEME (ambas produzidas em junho/2020) concordam em prever condições desfavoráveis para chuva nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, durante o Julho-Agosto-Setembro de 2020 (JAS/2020). Assim, as condições de seca indicadas pelo IIS podem se agravar antes do início da estação chuvosa nestas regiões. Nos estados da Região Sul, onde várias áreas produtivas no leste da região vêm registrando impactos, as previsões são contraditórias, indicando, portanto, um elevado grau de incerteza. Sugere-se manter ainda um estado de atenção, acompanhando as previsões semanais.  As previsões sub-sazonais indicam cenários para chuvas variando de abaixo da média a normais para as próximas semanas (até início de agosto/2020) na Região Sul, com uma possível reversão de sinal logo após.  

REGISTRO DE IMPACTOS: Gostaria de contribuir registrando ocorrência de eventos de secas no seu município?  Sua informação é bem-vinda,  mesmo  ocorrências  de pequenos impactos são de extrema importância. Você pode enviar suas informações pelo link: REGISTRO DE IMPACTOS DE SECAS .

Para mais informações fale conosco: secas@cemaden.gov.br
Boletim em pdf

 

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