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MONITORAMENTO DE SECAS E IMPACTOS NO BRASIL – JULHO/2020

SUMÁRIO (clique aqui)

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O Índice Integrado de Seca (IIS) observado no mês de julho de 2020 aponta a desintensificação da seca principalmente na porção oeste do estado do Amazonas, no estado de Rondônia e norte do estado do Rio Grande do Sul. Por outro lado, em relação ao mês de junho, o índice aponta a intensificação da seca principalmente no estado do Maranhão, Piauí, sul do Mato Grosso do Sul, sul do Rio Grande do Sul e norte do estado de São Paulo. Em relação à duração da seca, o IIS-6 indica duração superior a seis meses principalmente em grande parte do Mato Grosso do Sul, interior do Maranhão, Vale do Paraíba Paulista, norte do Paraná e oeste de Santa Catarina.

De acordo com a avaliação dos impactos da seca em áreas de atividades agrícolas e/ou pastagens, 38 municípios da região Nordeste apresentaram pelo menos 50% de suas áreas de uso impactadas no mês de julho, sendo a maior parte deste localizados nos estados do Maranhão e Piauí. Na Região Sul, 208 municípios da Região Sul apresentaram mais do que 40% de suas áreas de uso impactadas. O estado de Santa Catarina foi o que concentrou o maior número desses municípios (107). No estado de São Paulo, este número foi de 44, sendo a maior parte desses municípios estão localizados na porção norte do estado e no Vale do Paraíba Paulista.

O mapa de risco de seca para a agricultura familiar é elaborado mensalmente a partir das variáveis físicas de ameaça de seca, tais como o déficit de precipitação, umidade do solo e índice de vigor vegetativo, combinadas com informações sobre as vulnerabilidade e capacidades locais da agricultura familiar (http://www.cemaden.gov.br/risco-de-seca-na-agricultura-familiar-julho2020/). O mapa referente ao mês de julho mostra risco predominante baixo para os municípios da região Nordeste com calendário agrícola entre os meses de abril a julho.

Com relação aos impactos da seca nos recursos hídricos, destacam-se o reservatório da usina hidrelétrica (UHE) Itaipu, na região Sul do país, com vazão afluente e nível de armazenamento próximo aos registros mínimos do histórico. Na região Centro-Oeste a UHE Serra da Mesa as vazões afluentes ao reservatório estão na média, contudo o nível de armazenamento ainda é crítico (37% no final de julho). Na região Sudeste, destaque para o Sistema Cantareira, principal sistema hídrico da região metropolitana de São Paulo, com vazão próxima a 39% da média histórica do mês de julho e armazenamento em torno de 52% do volume útil.

Na escala climática sazonal, o panorama atual é de neutralidade (nem El Niño, nem La Niña). Porém, as previsões indicam que uma La Niña fraca possa se desenvolver a partir de setembro-outubro deste ano (2020). As previsões sazonais de julho/2020 indicam condições desfavoráveis para chuva na porção centro-sul do Brasil (principalmente Mato Grosso do Sul, Oeste de São Paulo e Paraná), durante o Agosto-Setembro-Outubro de 2020. Portanto, recomenda-se manter um estado de atenção para os estados da Região Sul. As previsões sub-sazonais indicam que após um cenário favorável para as chuvas na Região Sul (até 20 de agosto, aproximadamente), voltam a prevalecer condições para chuvas abaixo da média nesta região (até início de setembro/2020).

1. ÍNDICE INTEGRADO DE SECA (IIS) PARA O BRASIL:  JULHO/2020
Índice Integrado de Seca (IIS) referente ao mês de julho de 2020 na escala de seis meses (IIS-6).
FAÇA O DOWNLOAD DO IIS

Saiba mais sobre o Índice Integrado de Seca (IIS)

Saiba mais sobre o Índice Integrado de Seca (IIS)

O Índice Integrado de Seca (IIS) consiste na combinação do Índice de Precipitação Padronizada (SPI) com o Índice de Suprimento de Água para a Vegetação (VSWI) ou com o Índice de Saúde da Vegetação (VHI), ambos estimados por sensoriamento remoto. Para integrar o IIS, o SPI é calculado a partir de dados observacionais de precipitação disponíveis no CEMADEN, no Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e Centros Estaduais de Meteorologia. O cálculo do SPI é baseado na formulação proposta por Mckee et al. (1993), considerando as escalas de 3, 6 e 12 meses, obtendo-se o produto final na resolução espacial de 5km. O IIS possui as seguintes classes: condição normal (6), seca fraca (5), seca moderada (4), seca severa (3), seca extrema (2) e seca excepcional (1).

2. MONITORAMENTO DOS IMPACTOS DA SECA: VEGETAÇÃO E AGRICULTURA
Mapa de Índice da Saúde da Vegetação (VHI) para o Brasil referente ao mês de julho e gráfico das áreas impactadas pela seca por região (áreas com VHI < 30)

Saiba mais sobre o Índice de Saúde da Vegetação (VHI)

Saiba mais sobre o Índice de Saúde da Vegetação (VHI)

O Índice de Saúde da Vegetação (VHI) da NOAA/NESDIS é calculado a partir de dados do Índice de Vegetação da Diferença Normalizada (NDVI, sigla em inglês) e temperatura de brilho, devidamente calibrados e filtrados, resultando da composição de dois sub-índices, o VCI (Vegetation Condition Index) e o TCI (Temperature Condition Index). O NDVI e a temperatura de brilho apresentam dois sinais ambientais distintos, o de resposta lenta do estado da vegetação (clima, solo, tipo de vegetação) e o de resposta mais rápida relacionado com a alteração das condições atmosféricas (precipitação, temperatura, vento, umidade). Este índice permite identificar o início/fim, área afetada, intensidade e duração da seca e sua relação com os eventuais impactos.

2.1  MONITORAMENTO DAS CONDIÇÕES DE SECA NA REGIÃO NORDESTE
Índice Integrado de Seca (IIS) por município para a região Nordeste: Julho/2020

A avaliação do IIS para o mês de julho em relação ao mês anterior (junho):

  • Seca Fraca: redução de 170 para 161 municípios.
  • Seca Moderada: aumento de 32 para 254 municípios.
  • Seca Severa: manteve 0 município.
  • Seca Extrema: aumento de 0 para 1 município.
  • Seca Excepcional: manteve 0 município.
  • AL
  • SE 
  • MA
  • CE
  • RN 
  • PE
  • PB
  • BA 
  • ES
  • MG
  • PI
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Estimativa das Áreas Agroprodutivas Afetadas por Município: Julho/2020

Com relação à avaliação dos impactos da seca em áreas de atividades agrícolas e/ou pastagens, de acordo com o índice VHI, 38 municípios apresentaram pelo menos 50% de suas áreas de uso impactadas no mês de julho. Os estados que registraram impactos da seca em áreas agroprodutiva foram Alagoas (3 municípios), Maranhão (9 municípios), Minas Gerais (1), Paraíba (3 municípios), Pernambuco (4 municípios), Piauí (15 municípios) e Sergipe (3 municípios).

Água disponível no solo – Média por microrregiões: Julho/2020

Na Figura abaixo, a água disponível no solo é mostrada dentro das delimitações da quadra chuvosa de abril a julho. A água no solo apresentou níveis intermediários ou próximos da saturação na maioria das microrregiões para o mês de julho. Algumas microrregiões no nordeste da Bahia e Sergipe apresentaram valores médios de água no solo abaixo de 0,4, o que pode indicar a prevalência de déficit hídrico e perdas agrícolas em potencial. Valores críticos também foram observados em duas microrregiões de Pernambuco.

Risco de Seca na Agricultura Familiar

O mapa de risco de seca para a agricultura familiar é elaborado mensalmente a partir das variáveis físicas de ameaça de seca, tais como o déficit de precipitação, umidade do solo e índice de vigor vegetativo, combinadas com informações sobre a vulnerabilidade e capacidades locais da agricultura familiar. O mapa referente ao mês de julho mostra risco predominante baixo para os municípios da região Nordeste com calendário agrícola entre os meses de abril a julho.

Para mais detalhes, consulte o relatório na íntegra: https://www.cemaden.gov.br/risco-de-seca-na-agricultura-familiar-julho2020.

2.2  MONITORAMENTO DAS CONDIÇÕES DE SECA NO ESTADO DE SÃO PAULO
Índice Integrado de Seca (IIS-6) por município para o Estado de São Paulo 

A avaliação do IIS-6 para o mês de julho em relação ao mês anterior (junho):

São Paulo

  • Seca Fraca: aumento de 223 para 250 municípios.
  • Seca Moderada: redução de 154 para 76 municípios.
  • Seca Severa: redução de 39 para 16 municípios.
  • Seca Extrema: redução de 06 para município.  
  • Seca Excepcional:manteve-se município.

TOTAL: 342 municípios em condição de seca.

Estimativa das Áreas Agroprodutivas Afetadas por Município

Municípios com pelo menos 40% de área impactada pela seca (considerando área de imóvel do CAR – minifúndio, pequena propriedade e média propriedade) de acordo com o VHI, referente ao mês de julho de 2020.

2.3 – MONITORAMENTO DAS CONDIÇÕES DE SECA NA REGIÃO SUL
Índice Integrado de Seca (IIS-6) por município para a região Sul: julho/2020

A avaliação do IIS-6 para o mês de julho em relação ao mês anterior (junho):

  • Seca Fraca:aumento de 302 para 420 municípios.
  • Seca Moderada:redução de 447 para 165 municípios.
  • Seca Severa: redução de 332para 53 municípios.
  • Seca Extrema:redução de 64 para 2 municípios.
  • Seca Excepcional:redução de 1 para 0 município.

TOTAL: 640 municípios em condição de seca.

Estimativa das Áreas Agroprodutivas Afetadas por Município

Municípios com pelo menos 40% de área impactada pela seca (considerando área de imóvel do CAR – minifúndio, pequena propriedade e média propriedade) de acordo com o VHI, referente ao mês de julho de 2020.

2.4 MONITORAMENTO DOS IMPACTOS DA SECA NO ESTADO DO ACRE 
Índice Integrado de Seca (IIS-6) por município para o estado do Acre: julho/2020

De acordo com o Índice Integrado de Secas (IIS-6) para o mês de julho de 2020, 6 municípios do estado do Acre foram classificados com condições de seca variando de fraca à moderada. Na porção oeste do estado, a duração da seca já é superior a seis meses. Em relação ao mês de junho, observa-se desintensificação da seca, principalmente na porção leste do estado.

Índice de Condição Térmica da Vegetação (VCI)

De acordo com as imagens de VCI entre 14 de julho e 04 de agosto, observa-se a intensificação gradual das condições de estresse térmico na vegetação, principalmente na porção oeste do estado do Acre que incluí os municípios de Tarauacá, Porto Walter, Marechal Thaumaturgo e Feijó.

 

3. MONITORAMENTO DOS IMPACTOS DA SECA: RECURSOS HÍDRICOS
Monitoramento da Seca Hidrológica – Reservatórios de abastecimento público de água e para geração de energia hidrelétrica

É possível observar na bacia afluente ao reservatório da UHE Serra da Mesa (polígono roxo, sub-bacia do Rio Tocantins), localizado no Centro-Oeste do país, uma condição normal em relação à seca, segundo o IIS-6, assim como na bacia afluente ao reservatório da UHE  Três Marias (polígono verde claro, sub-bacia do Rio São Francisco), localizada na Região Sudeste do país. Com relação ao sistema Cantareira (polígono preto em destaque), também no Sudeste do país, observa-se condição de seca fraca, em relação ao IIS-6 em uma pequena porção da bacia hidrográfica e condição normal para a maior parte da área. Desde o segundo semestre de 2019, tem-se observado déficit de chuvas em grande parte da região Sul do país, resultando na redução das vazões dos rios. Consequentemente, ocorreu uma severa diminuição do nível de água dos reservatórios, causando impactos na geração de energia elétrica e no abastecimento de água principalmente nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Em julho de 2020, a vazão afluente no Sistema Cantareira, principal sistema hídrico que abastece a região metropolitana de São Paulo, foi aproximadamente 39% da média histórica do mês e os reservatórios operaram, no dia 31 de julho, com 52% do volume útil, representando uma ligeira queda em relação ao mês passado. A partir da simulação de projeções de vazão para os próximos meses, o modelo hidrológico PDM/Cemaden sugere que, considerando precipitações em torno da média climatológica, as vazões se manterão próximas a 68% da média histórica do trimestre ASO (Para mais detalhes, consulte o relatório na íntegra: http://www.cemaden.gov.br/situacao-atual-e-projecao-hidrologica-para-o-sistema-cantareira-31072020/).

Para o reservatório da UHE Três Marias, a vazão natural, em julho de 2020, representou 89% da média histórica do mês e o reservatório operou, em 31 de julho de 2020, com 85% de seu volume útil armazenado, também apresentando uma ligeira queda em relação ao mês passado. Projeções de vazão simuladas para este reservatório apontam que, considerando precipitações em torno da média climatológica no trimestre ASO, a vazão poderá ficar em torno de 85% da média histórica do período (Para mais detalhes, consulte: http://www.cemaden.gov.br/situacao-atual-e-projecao-hidrologica-para-reservatorio-tres-marias-06082020/).

Com relação ao reservatório da UHE Serra da Mesa, no mês de julho de 2020, a vazão natural excedeu em 1% a média histórica do mês. O reservatório operou, no dia 31 de julho, com 37% de seu volume útil, mantendo o mesmo nível de armazenamento do mês passado. A simulação de projeções de vazão para o trimestre ASO, considerando precipitações em torno da média histórica, sugere que a média de vazão se mantenha em torno de 8% acima da média histórica deste período. (Para mais detalhes, consulte o relatório na íntegra: http://www.cemaden.gov.br/situacao-atual-e-projecao-hidrologica-para-o-reservatorio-de-serra-da-mesa-bacia-do-rio-tocantins-03082020/).

Para a região sul do país, na bacia hidrográfica da usina hidrelétrica de Itaipu, localizada no Rio Paraná – Santa Catarina, uma das maiores hidrelétricas do mundo, a vazão afluente foi 68% da média histórica para o mês de julho, representando um percentual inferior ao registro mínimo do histórico (71%, ocorrido em 2001), reflexo de uma série de meses consecutivos com precipitação abaixo da média histórica, principalmente no Paraná e Mato Grosso do Sul. As chuvas ocorridas durante o mês de julho entre PR e SC contribuíram para uma ligeira recuperação hidrológica na bacia hidrográfica afluente à UHE Segredo (Gov. Ney Aminthas de Barros Braga), localizada no Rio Iguaçu. A vazão afluente em julho foi aproximadamente 54% da média histórica do mês, representando uma melhoria importante em relação ao mês passado (22% da média) e o nível de armazenamento no reservatório passou de 32% no final de junho para 35% no final de julho. No início do mês de julho também foram observadas chuvas expressivas no norte do RS e sul de SC, o que elevou consideravelmente o valor de vazão afluente à UHE Barra Grande, no rio Uruguai, passando de 35% da média histórica do mês de junho para 174% em julho, e o nível de armazenamento do reservatório passou de 20% no final de junho para 80% no final de julho. Do mesmo modo, para a bacia de drenagem da UHE Passo Real, localizada no Rio Jacuí – Rio Grande do Sul, a vazão afluente passou de 52% em junho para 262% da média histórica do mês de julho, e o armazenamento passou de 39% no final de junho para 85% no final de julho.

4. PREVISÃO SAZONAL E SUB-SAZONAL PARA O BRASIL

Em termos das variações do clima na escala climática sazonal o panorama é de neutralidade (nem El Niño, nem La Niña). A maioria das previsões consultadas indicam que uma La Niña fraca possa se desenvolver a partir de setembro-outubro deste ano (2020). As previsões sazonais multi-modelo de chuva do International Research Institute e do CPTEC/INMET/FUNCEME (ambas produzidas em Julho/2020) concordam em prever condições desfavoráveis para chuva na porção centro-sul do Brasil (principalmente Mato Grosso do Sul, Oeste de São Paulo e Paraná), durante o agosto-setembro-outubro de 2020 (ASO/2020). Portanto, ainda se mantém o aviso de estado de atenção que vem sendo emitido para os estados da Região Sul desde março/2020. As previsões sub-sazonais indicam que após um cenário favorável para as chuvas na Região Sul (até 20 de agosto, aproximadamente), voltam a prevalecer condições para chuvas abaixo da média (até início de setembro/2020) nesta região.

REGISTRO DE IMPACTOS: Gostaria de contribuir registrando ocorrência de eventos de secas no seu município?  Sua informação é bem-vinda,  mesmo  ocorrências  de pequenos impactos são de extrema importância. Você pode enviar suas informações pelo link: REGISTRO DE IMPACTOS DE SECAS .

Para mais informações fale conosco: secas@cemaden.gov.br
Boletim em pdf

 

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