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MONITORAMENTO DE SECAS E IMPACTOS NO BRASIL – JANEIRO/2020

SUMÁRIO

SUMÁRIO

De acordo com o Índice Integrado de seca (IIS) para o mês de janeiro, verifica-se a intensificação das condições de seca, principalmente na região Centro-Oeste. Em termos da duração de seca, contabilizada pelo Índice Padronizado de Precipitação (SPI), nota-se duração superior a 3 meses consecutivos, em áreas da região Centro-Oeste, Nordeste e Norte.
Com relação aos impactos da seca nos recursos hídricos, destacam-se os reservatórios do Sistema Cantareira, operando, em 31 de janeiro de 2020, com aproximadamente 45,7% da sua reserva hídrica; das UHEs de Serra da Mesa e de Três Marias, apresentando aproximadamente 11,5% e 72% do seu volume útil armazenado, respectivamente; Epitácio Pessoa/Boqueirão, com cerca de 22% do seu volume útil armazenado e Castanhão, maior reservatório (açude) do Nordeste, com um volume armazenado de apenas 2,5% de sua capacidade total.
De acordo com a avaliação dos impactos da seca em áreas de atividades agrícolas e/ou pastagens em estabelecimentos rurais, por meio do índice VSWI, os estados da Bahia e Pernambuco são os que apresentaram os maiores números de propriedades e municípios com mais de 75% de área impactada.

O mapa de risco de seca para a agricultura familiar é elaborado mensalmente a partir das variáveis físicas de ameaça de seca, tais como o déficit de precipitação, umidade do solo e índice de vigor vegetativo, combinadas com informações sobre as vulnerabilidade e capacidades locais da agricultura familiar (http://www.cemaden.gov.br/wp-content/uploads/2020/02/Newsletter_RISCO_SECA_jan2020.pdf). O mapa referente ao mês de janeiro mostra municípios classificados com risco alto e muito alto, localizados principalmente na região central do estado da Bahia. Ressalta-se que os municípios da Bahia encontram na fase colheita.
Recomenda-se um estado de atenção para os estados de Mato Grosso e Bahia, onde a estação de chuvas (novembro a fevereiro) está terminando e o IIS indica um padrão de seca moderada a extrema. Há indicações consistentes que a estação chuvosa dos estados do norte do semiárido (fevereiro a maio) seja com condições que variam de normal a acima da média.

ÍNDICE INTEGRADO DE SECA (IIS) – BRASIL

Índice Integrado de Seca (IIS) e duração de eventos de seca para o Brasil referente ao mês de Janeiro de 2020.

Saiba mais sobre o Índice Integrado de Seca (IIS)

Saiba mais sobre o Índice Integrado de Seca (IIS)

O Índice Integrado de Seca (IIS) consiste na combinação do Índice de Precipitação Padronizada (SPI) com o Índice de Suprimento de Água para a Vegetação (VSWI) ou com o Índice de Saúde da Vegetação (VHI), ambos estimados por sensoriamento remoto. Para integrar o IIS, o SPI é calculado a partir de dados observacionais de precipitação disponíveis no CEMADEN, no Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e Centros Estaduais de Meteorologia. O cálculo do SPI é baseado na formulação proposta por Mckee et al. (1993), considerando as escalas de 3, 6 e 12 meses, obtendo-se o produto final na resolução espacial de 5km. O IIS possui as seguintes classes: condição normal (6), seca fraca (5), seca moderada (4), seca severa (3), seca extrema (2) e seca excepcional (1).

MONITORAMENTO DOS IMPACTOS DA SECA: RECURSOS HÍDRICOS

  • Impactos da Seca Hidrológica – Reservatório Epitácio Pessoa (Boqueirão)

Projeções de armazenamento (em %) para o reservatório Epitácio Pessoa/Boqueirão (linhas tracejadas) considerando os cenários de precipitação: na média climatológica (roxo); 25% abaixo da média climatológica (vermelho); e na média climatológica considerando o aporte da transposição do rio São Francisco (verde). A linha preta espessa representa o volume observado diário, de acordo com o Sistema de Acompanhamento de Reservatórios (SAR/ANA). A linha azul horizontal representa o nível mínimo de armazenamento em que a captação de água pode ser realizada por gravidade.

  • Impactos da Seca Hidrológica – Reservatório Castanhão

Projeções de armazenamento (em %) para o reservatório Castanhão (linhas tracejadas), considerando os cenários de precipitação: na média climatológica (roxo) e 25% abaixo da média climatológica (vermelho). A linha preta espessa representa o volume observado diário, de acordo com o Sistema de Acompanhamento de Reservatórios (SAR/ANA).

MONITORAMENTO DOS IMPACTOS DA SECA: VEGETAÇÃO E AGRICULTURA

  • Estimativa das Áreas Agroprodutivas com Condição de Estresse Hídrico

Mapa de Índice da Saúde da Vegetação (VHI) no Brasil para Janeiro e gráfico das áreas impactadas pela seca (áreas com VHI < 30).

Saiba mais sobre o Índice de Saúde da Vegetação (VHI)

Saiba mais sobre o Índice de Saúde da Vegetação (VHI)

O Índice de Saúde da Vegetação (VHI) da NOAA/NESDIS é calculado a partir de dados do Índice de Vegetação da Diferença Normalizada (NDVI, sigla em inglês) e temperatura de brilho, devidamente calibrados e filtrados, resultando da composição de dois sub-índices, o VCI (Vegetation Condition Index) e o TCI (Temperature Condition Index). O NDVI e a temperatura de brilho apresentam dois sinais ambientais distintos, o de resposta lenta do estado da vegetação (clima, solo, tipo de vegetação) e o de resposta mais rápida relacionado com a alteração das condições atmosféricas (precipitação, temperatura, vento, umidade). Este índice permite identificar o início/fim, área afetada, intensidade e duração da seca e sua relação com os eventuais impactos.

Índice Integrado de Seca referente ao mês de Janeiro de 2020.
A avaliação do IIS para o mês de janeiro em relação ao mês anterior (dezembro):

  • Seca Fraca:redução de 407 para 341 municípios.
  • Seca Moderada:aumento de 478 para 784 municípios.
  • Seca Severa:aumento de 33 para 89 municípios.
  • Seca Extrema:aumento de 37 para 133 municípios.
  • Seca Excepcional:aumento de 1 para 18 município.
  • AL
  • SE 
  • MA
  • CE
  • RN 
  • PE
  • PB
  • BA 
  • ES
  • MG
  • PI
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  • Estimativa das Áreas Agroprodutivas Afetadas por Município

Municípios com pelo menos 50% de área impactada pela seca (considerando apenas as áreas de pastagens e agrícolas) de acordo com o VSWI, referente ao mês de Janeiro de 2020.

Saiba mais sobre o Índice de Suprimento de Água para a Vegetação (VSWI)

Saiba mais sobre o Índice de Suprimento de Água para a Vegetação (VSWI)

O VSWI é calculado a partir do Índice de Vegetação da Diferença Normalizada (NDVI, sigla em inglês) e da temperatura da superfície, ambos do sensor MODIS a bordo dos satélites Terra e Aqua, disponibilizadas pelo Earth Observing System (EOS/NASA), com resolução espacial de 250m e 1km. O VSWI indica condição de seca quando o valor do NDVI é baixo (baixa atividade fotossintética) e a temperatura da vegetação é alta (estresse hídrico). Portanto, o índice é inversamente proporcional ao conteúdo de umidade do solo e fornece uma indicação indireta do suprimento de água para a vegetação.

  • Levantamento de propriedades rurais localizadas nos municípios com mais de 75% de área em condição de seca

Distribuição dos tipos de propriedades rurais possivelmente impactadas pela seca por estado, dos municípios com mais de 75% de área em condição de seca.

  • Água disponível no solo – Média por microrregiões em Janeiro de 2020

    Água disponível do solo referente ao mês de Janeiro de 2020.

  • Risco de Seca na Agricultura Familiar

O mapa de risco de seca para a agricultura familiar é elaborado mensalmente a partir das variáveis físicas de ameaça de seca, tais como o déficit de precipitação, umidade do solo e índice de vigor vegetativo, combinadas com informações sobre as vulnerabilidade e capacidades locais da agricultura familiar. O mapa referente ao mês de Janeiro mostra municípios classificados com risco alto e muito alto, localizados principalmente na região central do estado da Bahia. Em razão do estresse hídrico observado no mês de dezembro, a produção agrícola (colheita) dos municípios incluídos no estado da Bahia, classificados com risco Alto e Muito Alto, pode ser impactada e com isso colocar em risco a segurança alimentar dos estabelecimentos de agricultura familiar desta região.

Para mais detalhes, consulte o relatório na íntegra: https://www.cemaden.gov.br/risco-de-seca-na-agricultura-familiar-janeiro2020/.

PREVISÃO SAZONAL E SUB-SAZONAL PARA O BRASIL

Na escala climática sazonal, o país não está sob a influência de El Niño nem La Niña. A maior parte dos modelos dinâmicos e estatísticos preveem a manutenção deste estado de neutralidade ao menos até o início do inverno de 2020. As previsões sazonais multimodelo de chuva do International Research Institute (IRI) e do CPTEC/INMET/FUNCEME (ambas produzidas em Janeiro/2020 e válidas para o trimestre Fevereiro-Março-Abril de 2020), apresentam previsões contraditórias nos estados da região Sul. As primeiras (IRI) indicam chuvas abaixo da média, enquanto que as previsões nacionais indicam chuvas acima da média. Portanto, nesta região, há incerteza em relação a esta edição da previsão sazonal. No Norte do semiárido, ambas concordam em indicar um quadro de chuvas acima da média no trimestre previsto, que coincide com o período chuvoso da região. Recomenda-se um estado de atenção para os estados de Mato Grosso e Bahia, onde a estação de chuvas (novembro a fevereiro) está terminando e o IIS indica um padrão de seca moderada a extrema. Na Bahia, há chances de minimização dos efeitos da seca nas próximas duas semanas, pois está previsto um incremento das chuvas. Na escala subsazonal (fim de fevereiro a início de março ), está previsto uma diminuição nas precipitações na região Sul e condições favoráveis para as chuvas no extremo norte do semiárido.

REGISTRO DE IMPACTOS: Gostaria de contribuir registrando ocorrência de eventos de secas no seu município?  Sua informação é bem-vinda,  mesmo  ocorrências  de pequenos impactos são de extrema importância. Você pode enviar suas informações pelo link: REGISTRO DE IMPACTOS DE SECAS .

Para mais informações fale conosco: secas@cemaden.gov.br
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