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“É preciso discutir com as pessoas sobre as formas de participação social nos sistemas de alerta de risco de desastres”, afirmam pesquisadores do Cemaden

Como implementar sistemas participativos de alerta de desastres socioambientais, centrados nas pessoas, e os desafios para envolver  as comunidades e  organizações vulneráveis a desastres nas decisões sobre prevenção de riscos –  são as motivações do artigo de pesquisadores do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), publicado, recentemente, na Revista Gestão & Sustentabilidade Ambiental.

O artigo intitulado “Sistemas de alerta centrados nas pessoas: desafios para os cidadãos, cientistas e gestores públicos” – de autoria dos pesquisadores do Cemaden, Victor Marchezini e Luciana Londe –  faz parte da edição especial da revista científica, a qual apresenta artigos de assuntos debatidos no II Seminário Internacional de Proteção e Defesa Civil. Realizado em março deste ano, em Florianópolis (SC), o evento abordou o tema “A importância das políticas públicas na redução de riscos e desastres”, com a participação de palestrantes e autoridades nacionais e internacionais.

Os pesquisadores do Cemaden destacam pesquisas científicas e metodologias internacionais que demonstram os sistemas de alerta estruturados em torno de quatro eixos fundamentais: conhecimento de riscos, monitoramento, comunicação e capacidade de resposta.

“As pessoas deveriam ter acesso à informação, conhecer os riscos e as vulnerabilidades, bem como a participar nos planos e ações de contingência, para evitar ou diminuir os impactos dos desastres.”, enfatiza o pesquisador do Cemaden, Victor Marchezini. Ele explica que a Organização das Nações Unidas (ONU) define sistema de alerta como um conjunto de capacidades necessárias para gerar e disseminar (em tempo hábil e de forma compreensível) as informações aos indivíduos para reduzir a possibilidade de sofrer danos e/ou perdas.

“É importante lembrar que para constituir sistemas de alerta centrados nas pessoas é necessário conhecer os diferentes grupos sociais que compõem o sistema, suas vulnerabilidades e capacidades.”, afirma a pesquisadora Luciana Londe. A pesquisadora do Cemaden destaca que para a elaboração de políticas e estratégias de prevenção, deve-se considerar informações como gênero, idade, capacidades de locomoção, entre outras, considerando-se necessidades – e também habilidades – específicas de cada grupo. “Além disso, é importante o processo de reconhecimento e valorização de identidade institucional dos agentes de Defesa Civil e as representações e práticas de gestores  com relação aos riscos.”, complementa a pesquisadora.

Marchezini destaca a participação dos indivíduos nas decisões dos planos de contingência. “Ter conhecimento da existência da Defesa Civil em seu munícipio, participar da formulação e execução de planos de contingência, de simulados de desocupação emergencial, noções de primeiros socorros, de resgate de sobreviventes, montagem de abrigos provisórios, conhecimentos sobre prevenção de riscos de desastres nas comunidades e escolas, são alguns exemplos sobre ações de envolvimento e participação ativa do público, em trabalho conjunto com as Defesas Civis”.

O artigo “Sistemas de alerta centrados nas pessoas: desafios para os cidadãos, cientistas e gestores públicos” está disponibilizado no endereço: http://www.portaldeperiodicos.unisul.br/index.php/gestao_ambiental/article/view/6558/3898^

(Fonte: Ascom-Cemaden)

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