Capa » Noticias » Cemaden representa o hemisfério sul em publicação internacional sobre Ciência de Desastre

Cemaden representa o hemisfério sul em publicação internacional sobre Ciência de Desastre

Ontem (20), foi lançado o livro “A Global Outlook on Disaster Science” (Perspectiva Global sobre Ciência de Desastre), pela editora Elsevier, reunindo a produção científica de especialistas globais e de instituições internacionais, com informações sobre pesquisas em Ciência de Desastre, realizadas por cientistas de dez países, que englobam os continentes das Américas, Ásia e Europa. O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) – unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações –  é a única instituição do hemisfério sul que participa desse trabalho científico, analisando as perspectivas das pesquisas científicas no Brasil.

A publicação é um relatório que aprofunda a Ciência do Desastre no contexto dos impactos humanos e econômicos, apresentando a análise das áreas de risco e da gestão dos diferentes tipos de desastres. Com base no Quadro de Sendai para a Redução do Risco de Desastres, o trabalho científico fornece subsídios para as políticas e ações, tanto corporativas quanto governamentais, com o objetivo de mitigar os riscos antropogênicos e naturais, apoiando a redução de risco de desastres e a diminuição de seus impactos socioambientais.

“A ciência e tecnologia têm um papel fundamental a desempenhar para a redução do risco de desastres e mitigar o impacto desses desastres.”, afirma o diretor do Cemaden, Osvaldo Moraes. Ele lembra que a importância da Ciência está refletida no compromisso assumido pelos países durante a Terceira Conferência Mundial de Redução de Riscos de Desastres, em 2015, quando as Nações Unidas adotaram o Quadro de Sendai (2015 a 2030): “As colaborações científicas, interdisciplinares e transversais ajudam a responder alguns desafios prioritários fundamentais, previstos no Quadro de Sendai. Entre esses desafios, estão a compreensão dos desastres, o investimento em resiliência e o fortalecimento da gestão de riscos.”, enfatiza o diretor do Cemaden.

Além do Cemaden, as instituições parceiras para a elaboração desse  relatório  são :  Association of Pacific Rim Universities (APRU), Research  for Global Sustanaibility (Futurearth), United Nations Office for Disaster Risk Reduction (UNISDR),  Internation Council for Science (ICSU),  Integrated Research on Disaster Risk (IRDR)  e  a International Research Institute of Disaster Science (IRIDeS).

Pesquisas globais sobre desastres

Na apresentação do relatório, cita-se que, nos últimos 5 anos, foram publicados mais de 27 mil artigos de Ciência de Desastre, representando 0,22% do total de resultados acadêmicos mundiais.

Os trabalhos científicos apontam que a frequência de catástrofes aumentou nos últimos 50 anos. O aumento da população terrestre – bem como sua concentração nas cidades e nas áreas costeiras –  aumentam a vulnerabilidade, agravando  o impacto desses desastres.

Sobre os estudos relacionados à área especializada em Ciência de Desastre, estão relacionados, estatisticamente, com o número relativo de mortes humanas provocadas pelos desastres naturais. Além disso, o volume acadêmico de pesquisas  se correlaciona com a perda econômica absoluta, impactado por esses desastres.

Das 27.273 publicações acadêmicas mundiais recentes em Ciência de Desastre, 9.571 publicações científicas abordam catástrofes geofísicas. Outras 5 mil publicações científicas abrangem,  além das catástrofes geofísicas, também as meteorológicas, químicas, radiológicas e hidrológicas

Com relação aos estudos científicos em desastres e em prevenção de desastres, a China é o país com maior produção científica nessa área. Nos Estados Unidos, a produção acadêmica centraliza mais em preparação, resposta e recuperação de desastres. O Japão tem mais produção científica  especializada em Ciência do Desastre em geral, e, também, em pesquisa sobre cada etapa do ciclo de gerenciamento de desastres.

Filipinas, Indonésia, Bangladesh, Japão, Nova Zelândia, Tailândia e Taiwan são apontados como os países  com mais de 125 documentos recentes em Ciência de Desastre, considerados 50% mais especializados nessa área do que a média global.

Fonte de dados e informações sobre o livro

A Scopus é a fonte de dados de desempenho de pesquisa deste relatório. É o maior banco de dados de resumo e citações de literatura revisada por pares, com mais de 68 milhões de registros. Estes abrangem mais de 22.500 títulos de mais de 5.000 editores internacionais.

Também foram apresentados os dados sobre prejuízos econômicos provocados pelos desastres, referenciados pelo Relatório de Avaliação Global sobre o Ciclo de Redução de Riscos de Desastres 2015. Nos perfis dos países, os dados são creditados como provenientes da OFDA / CRED, a Base de Dados Internacional de Desastres da Université Catholique de Lovaina.

Para permitir a comparação dos dados econômicos relacionados a desastres –  entre os países com diferentes extensões e recursos –  tomaram a base pelos dados do PIB do Banco Mundial e do Livro de Dados Estatísticos de Taiwan. No que se refere aos dados sobre as mortes por desastres, utilizou-se como fonte o Relatório de Desastres da IFRC 2015.

O livro “A Global Outlook on Disaster Science” está disponibilizado no endereço eletrônico:

https://www.elsevier.com/research-intelligence/research-initiatives/disasterscience2017

 (Fonte : Ascom-Cemaden)

Confira também

Metodologias para antecipar alertas em eventos meteorológicos severos são apresentadas na Série de Debates

O desafio da previsão e monitoramento de tempestades severas – as quais podem resultar em …