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As comunidades escolares estão fragilizadas diante dos riscos de desastres socioambientais?

A recente publicação “Vulnerabilidade escolar frente a desastres no Brasil”, dos pesquisadores do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Victor Marchezini, Viviana Aguilar e Rachel Trajber (Revista Territorium, n.º 25 (II), 2018) responde a essa questão e mostra a urgência de se promover ações educativas envolvendo as comunidades escolares: alunos, professores, funcionários, pais e vizinhança.

A análise comparativa dos mapas de distribuição das escolas do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, do Ministério da Educação (INEP/MEC) e das áreas de risco monitoradas pelo Cemaden revela as fragilidades existentes. A partir do cruzamento das bases de dados georreferenciadas surgiu um mapa da exposição das escolas a eventos geológicos e hidrológicos. Em virtude do mapeamento das áreas de risco se limitar aos municípios monitorados pelo Cemaden, o cruzamento de dados se restringiu a estes municípios, que representam 17% dos 5.570 municípios brasileiros.

“Esses mapas, complementados por pesquisa bibliográfica e documental, ampliam a compreensão do conceito de vulnerabilidade no contexto de desastres socioambientais, em sua interface com a população infanto-juvenil e a temática da educação.”, afirma a pesquisadora do Cemaden, Viviana Aguilar Muñoz.

“É fundamental a inclusão do setor educativo no Plano Nacional de Gestão de Riscos e Resposta a Desastres (PNGRD), pois embora vulneráveis, os diferentes atores sociais não podem ser considerados vítimas passivas e devem participar de atividades de prevenção e preparação em suas casas, escolas e comunidades”, enfatiza a coordenadora do Cemaden Educação, Rachel Trajber.  O projeto Cemaden Educação (http://educacao.cemaden.gov.br) atua com uma rede de escolas e comunidades na prevenção de desastres, propondo-se a desenvolver estratégias conjuntas entre o sistema educativo e o de proteção e defesa civil. O projeto utiliza critério pedagógico na construção de conhecimentos e na formulação de planos de contingência junto com as escolas. Visando uma maior mobilização para esta temática, ao mesmo tempo emergente e emergencial, se encontra em sua terceira edição a Campanha #educarparaprevenir (http://educacao.cemaden.gov.br/aprenderparaprevenir2018).

“As políticas públicas de gestão do risco precisam incorporar dimensões de vulnerabilidade escolar em sua formulação, com vistas a subsidiar a implantação de sistemas de alerta centrados nas pessoas e na redução de sua fragilidade perante desastres.”, afirma o pesquisador do Cemaden, sociólogo Victor Marchezini.   O pesquisador explica que essa conclusão dá suporte a um dos objetivos da UNISDR (2014): “promover uma cultura global de segurança e resiliência através da integração da redução de risco de desastres na componente curricular das escolas, e do contínuo envolvimento das crianças e jovens adolescentes nos processos de tomada de decisão para a redução de desastres nas suas comunidades”.

Conforme preconiza o Unicef (2008), “crianças que têm conhecimento sobre riscos e ameaças naturais são elementos-chave quando  se  trata  de salvar vidas e proteger os membros da comunidade em momentos de crise.”

A pesquisa na íntegra na publicação internacional “Territorium  – Revista Internacional  de Riscos – I International Journal of Risks”, da Universidade de Coimbra,  está disponibilizada no endereço:

http://www.uc.pt/fluc/nicif/riscos/Documentacao/Territorium/T25II_Artg/T25_II__artigo13.pdf

(Fonte: Ascom-Cemaden)

Localização de municípios monitorados pelo Cemaden (mapa da esquerda, 958 municípios) e distribuição das escolas registradas no banco de dados do INEP (mapa da direita, 125.321 escolas). O número de escolas expostas irá aumentar na medida em que outros municípios passarem a ser monitorados e que o mapeamento de áreas de risco for atualizado (Fonte: Cemaden-Pesquisa “Vulnerabilidade escolar frente a desastres no Brasil”

 

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